Há 114 anos, em 25 de outubro de 1912, E. M. Forster chegava à cidade de Aligarh, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. Era a sua tão sonhada primeira viagem à então colônia britânica.
Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.
Há 114 anos, em 25 de outubro de 1912, E. M. Forster chegava à cidade de Aligarh, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. Era a sua tão sonhada primeira viagem à então colônia britânica.
Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.
![]() |
| Pintura de Holmbury St. Mary. | Foto: Dorking Museum. |
O escritor viveu por mais de duas décadas com sua mãe na aldeia vizinha de Abinger Hammer e costumava visitar Holmbury St. Mary esporadicamente. Mesmo antes de se mudar para Abinger, Forster já frequentava o vilarejo desde a infância, em visitas a sua tia paterna Laura.
O poeta e amigo Robert 'Bob Trevy' Trevelyan, seu contemporâneo da Universidade de Cambridge, morava em Holmbury, não muito distante de West Hackhurst, a casa onde Forster e sua mãe residiam. É possível supor que os amigos se visitaram algumas vezes, compartilhando o interesse em comum por literatura e música.
É na fictícia Summer Street que transcorre toda a segunda parte de A Room with a View, após os acontecimentos em Florença, Itália. Citada várias vezes no romance, é lá que fica situada Windy Corner, a casa da família Honeychurch, nos arredores da cidade de Tunbridge Wells (hoje Royal Tunbridge Wells) e onde moram outros personagens, como os Emersons e o pároco Sr. Beebe.
"A Srta. Honeychurch mora no bairro de Summer Street - disse a Srta. Bartlett, complementando a informação - e contou-me do curso de uma conversa que o senhor [Sr. Beebe] acaba de aceitar a residência..." (Primeira Parte, capítulo 1, "A Bertolini"; tradução de Aulyde Soares Rodrigues, Rocco, 1988)."A senhorita Honeychurch mora na paróquia da rua Summer", disse a senhorita Bartlett, explicando a alusão, “e ela justamente me contava, em meio à conversa, que o senhor acaba de aceitar a oferta..." (Parte I, capítulo 1, "A Pensão Bertolini"; tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
"[...] Que lugar é este? [Cecil Vyse pergunta]- Summer Street, é claro - disse Lucy, animando-se.Os bosques se abriam agora, dando espaço para uma campina triangular e inclinada. Lindas casas alinhavam-se nos dois lados e a parte mais alta era ocupada por uma igreja de pedra recém-construída, de simplicidade dispendiosa, com uma torre encantadora. A casa do Sr. Beebe ficava ao lado da igreja. Em altura, ela mal se diferenciava das outras. Havia algumas mansões também, mas estavam escondidas pelas árvores. A cena sugeria uma montanha na Suíça mais do que o sacrário e centro de um mundo de lazer, só desfigurada por duas feiosas pequenas vilas - as vilas que haviam competido com o noivado de Cecil, compradas por Sir Herry [sic] Otway na mesma tarde em que Lucy fora adquirida por ele.Cissie, o nome de uma delas, Albert o da outra, estavam escritos em letras góticas sombreadas nos portões do jardim e repetidos nas varandas cobertas, onde seguiam a curva semicircular do arco de entrada em grandes maiúsculas. Albert estava ocupada. Seu jardim extremamente artificial cintilava com gerânios e lobélias entre conchas polidas. As pequenas janelas recobriam-se castamente com renda Nothingham. Cissie estava para alugar. Três tabuletas de agentes de Dorking balançavam na cerca do jardim, anunciando o fato não muito surpreendente. Os caminhos entre os canteiros já estavam cobertos de mato; seu gramado, do tamanho de um lenço, amarelado, cheio de dente-de-leão.- Este lugar está arruinado! - disseram as senhoras automaticamente - Summer Street jamais será a mesma." (Parte II, capítulo 9, "Lucy como uma obra de arte"; tradução de Aulyde Soares Rodrigues, Rocco, 1988).
"[...] Fica nas colinas de Surrey. Cerca de sete quilômetros de Dorking, com vista para a região do Weald.""Oh, vocês têm propriedades em Surrey?""Quase nada", protestou Lucy, temerosa de ser considerada uma esnobe. "Somente trinta acres... apenas o jardim, todo o sopé do morro e uns prados." (Parte I, capítulo 2, "Em Santa Croce sem o Baedeker"; tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
"Quer realmente nadar?", Freddy perguntou-lhe. "É somente um laguinho, sabe. Creio que deve estar acostumado com coisas bem melhores.""Lá está o lago. Queria que fosse maior", ele ajuntou, em tom de desculpa. Desceram por uma ribanceira escorregadia, forrada de folhas de pinheiro. Ali repousava o reservatório, instalado em seu pequeno monte verdejante — apenas um laguinho, mas grande o bastante para conter um corpo humano, e límpido o bastante para refletir o céu. Por causa das chuvas, as águas avançaram pela grama circundante, que formavam como que uma bela trilha esmeralda, aliciando os pés na direção do poço central. "É evidentemente razoável, no quesito lacustre", sentenciou o senhor Beebe. "Não é preciso desculpar-se pelo lago."
Tratava-se de águas ordinárias; tampouco manavam em profusão. Além do mais, conforme Freddy declarou, davam aos banhistas a impressão de que nadavam numa salada. (Parte II, 12º capítulo; tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
Logo chegaram a uma pequena clareira entre os pinheiros — outro pequenino alpe verdejante, solitário desta feita, exibindo um laguinho raso em seu regaço.Ela exclamou: "O Lago Sagrado!".
"Por que o chama desse jeito?"
"Não consigo atinar a razão. Suponho que seja por causa de um livro. É apenas um tanque agora, mas pode ver o regato que o atravessa? Bem, muita água chega com as chuvas torrenciais e, como não pode seguir adiante, toda de uma vez, o açude cresce e torna-se belo. Freddy costumava nadar aqui. Ele gosta muito do local." (Parte II, capítulo 9, "Lucy como uma obra de arte"; tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
"[...] sua igreja, erigida com tanto esmero na encosta de um morro, com seu belo transepto alto e torre de pedregulhos prateados [...]" (Parte II, capítulo 19, "Mentindo para o Senhor Emerson; tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
Aqui, falamos especificamente sobre locais, todavia, é seguro afirmar que Forster também deve ter tomado vários habitantes da região como referências para construir os personagens de seu terceiro romance publicado.
9. Abinger HammerÉ impossível não notar Jack, o Ferreiro, o famoso morador da vila. Ele bate as horas com seu martelo no relógio que fica suspenso sobre a A25, rodovia que corta a vila. O relógio, doado em memória do primeiro Lorde Farrer de Abinger Hall, que faleceu em 1899, simboliza o papel que Surrey e a Abinger Hammer Mill, também chamada de Forja de Abinger, desempenharam na indústria do ferro.No entanto, o principal atrativo aqui é o rio Tillingbourne, com suas águas calmas. Você verá crianças brincando na água com redes de pesca, tentando pegar peixinhos. Para ser sincero, não há muito além de um campo de críquete – você pode até assistir a uma partida no verão – e uma loja/casa de chá que serve sanduíches, bolos e chá em xícaras de porcelana fina.
1. Holmbury St. MaryVale muito a pena dirigir até esta charmosa vila nas belas colinas de Surrey. Ela é frequentemente apelidada de Pequena Suíça devido à forma como suas casas imponentes estão espalhadas pelas encostas de Holmbury Hill. Algumas casas de fazenda datam do século XVII.A vila possui os atributos habituais: um parque; a imponente Igreja de St. Mary, com seus sinos, projetada pelo arquiteto vitoriano George Edmund Street; dois pubs; dois cafés; e, claro, vistas fabulosas. Você estará em boa companhia, pois caminhantes, ciclistas e praticantes de mountain bike vêm em massa para explorar as trilhas e caminhos de Holmbury, Leith e Pitch Hills.
Apesar do The Telegraph ser a fonte original, foi através do site SurreyLive que tive conhecimento desse conteúdo. Joseph Bickle, que repercutiu o ranking no SurreyLive, faz referência a E. M. Forster quando comenta sobre Holmbury St. Mary e foi isso que me atraiu à sua matéria.
E. M. Forster faleceu em 07 de junho de 1970. No dia seguinte, despontou um mistério que seria solucionado somente em 2026, 56 anos depois: que fim levou a placa com o nome do escritor que ficava afixada na porta dos seus aposentos no King's College, em Cambridge? Ela estava parafusada lá havia 24 anos e simplesmente sumiu.
"Quando eu estava na escola secundária, um dos poucos textos em inglês que eu gostava de ler era o conto The Machine Stops, de E. M. Forster. Quando entrei para o King's College, descobri que o Sr. Forster residia lá e comprei um exemplar de sua coletânea de contos. Certa tarde, o abordei enquanto ele estava sentado no Webb's Court e pedi que autografasse o livro, o que ele fez com a maior cortesia. O livro continua sendo um tesouro para mim.
Após meus exames finais, no início de junho de 1970, passei uma noite - ou várias - no bar da faculdade com amigos. 'Afogando as mágoas' talvez descreva bem o clima. Mencionamos que o Sr. Forster tinha acabado de falecer e, de forma um tanto irracional, surgiu um plano para preservar a placa da porta do quarto dele para a posteridade. Para ser completamente honesto, não tenho certeza se essa era a nossa maior preocupação. Como num passe de mágica, uma chave de fenda adequada apareceu e a placa da porta foi removida.
Depois da formatura, voltei para casa e levei comigo, para minha surpresa, a placa da porta do quarto do Sr. Forster. Nos 55 anos seguintes, ela ficou guardada em várias caixas etiquetadas como 'Lembranças', foi transferida de casa em casa e raramente viu a luz do dia. Finalmente, tendo a oportunidade de revisitar a faculdade, consegui encontrar e devolver a placa, orgulhoso por tê-la preservado por tanto tempo e grato por ela ter sido aceita sem questionamentos."
Segundo ela, Forster se sentia em casa no King’s College, que tem “uma longa tradição de tolerância à homossexualidade, que remonta ao século XIX”. Embora a homossexualidade fosse ilegal na época, outros membros do corpo docente eram abertamente gays. “Assim como foi para Alan Turing, a faculdade era um lugar onde as pessoas gays se sentiam confortáveis e acolhidas – tenho certeza de que esse é um dos motivos pelos quais Forster veio para cá."
Zeeman destacou ainda que ele não dava aulas, preferindo “estar em seus aposentos e na comunidade acadêmica” e que o escritor “tinha um quarto com vista”.
Os antigos aposentos de Forster, de três cômodos, agora formam a Suíte de Pós-Graduação, que oferece um espaço de convivência e estudo para estudantes. Uma cornija, projetada por seu pai, ainda circunda uma lareira revestida de azulejos verdes, e uma estante de livros que outrora lhe pertenceu fica do lado oposto.
Após a devolução da placa, a União de Estudantes de Pós-Graduação da KCGU votou para renomear os aposentos como "E. M. Forster Suite" e assim foi feito no aniversário de morte do escritor. Àquela altura, o plano, de acordo com Nicolette Zeeman, era exibi-la em algum lugar perto da porta, provavelmente afixada na parede. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto recente do local.
"Nada é completamente seguro, mas acho que é um risco que vale a pena correr”. Concordo com ela e nos resta torcer para que a placa continue lá por muitos anos.
O esboço preliminar original de um retrato de E. M. Forster pintado por Sir William Rothenstein (1872-1945) está à venda no Artsy por £ 16.000. A peça única pertence ao acervo da galeria londrina Piano Nobile, parceira do Artsy.
Este desenho é um estudo fiel e perspicaz da vida do romancista E.M. Forster. A aparência do escritor era notável por suas pálpebras pesadas, bigode ralo e olhos penetrantes, características estas que foram vividamente registradas na ilustração de Rothenstein. Fotografias da época mostram que ele mantinha a cabeça ligeiramente curvada, inclinada para a frente ou para um lado, e isso é sensivelmente registrado na representação da cabeça por Rothenstein. [...]As cartas de Forster para Rothenstein oferecem uma visão sobre a natureza do relacionamento entre eles. Mantiveram uma relação amigável por mais de trinta anos, incentivada por amigos em comum, como o anfitrião da alta sociedade e cientista amador Sylvester Herringham, que promoveu uma reunião em que os dois, aparentemente, se conheceram em 1912. Ambos conheciam a cidade indiana de Benares, e Rothenstein pôde apresentar Forster a um faquir que lá vivia. Parece que foi Rothenstein quem sugeriu a Forster a ideia de um retrato.Em 1922, Forster respondeu: "Gostaria muito de ser desenhado por você, e também de vê-lo novamente". Nessa ocasião, porém, surgiram complicações e as sessões foram adiadas – principalmente devido à indisponibilidade de Forster, que morava em Surrey e passava relativamente pouco tempo em Londres. Ele escreveu novamente no verão seguinte para encorajar Rothenstein: "Posso pedir que você me desenhe nesta sexta-feira? Qualquer lugar, qualquer hora. Seria um prazer enorme para mim". Provavelmente foi nessa ocasião, em julho de 1923, que este desenho de Forster foi feito. Parece que Rothenstein perguntou sobre a possibilidade de fazer outro retrato dele no ano seguinte, mas Forster respondeu: "Gostaria muito de poder posar para você novamente, já que você sugeriu, mas receio que, da forma como as coisas estão agora, isso não seja possível."Como indica a inscrição no canto inferior direito, este desenho foi o "primeiro esboço" preliminar que precedeu um desenho de apresentação maior, de meio corpo. Essa ilustração agora está exposta no hall do King's College, em Cambridge. [...] O desenho do King's College é amplamente conhecido: foi publicado no Illustrated London News em 11 de outubro e no The Graphic em 8 de novembro de 1924, foi reproduzido como uma litografia em edição limitada e, posteriormente, usado na capa de uma seleção de cartas de Forster. Em contraste, este desenho sanguíneo da cabeça de Forster nunca foi exibido ou ilustrado e permaneceu na posse do artista até sua morte.[...] Escrevendo no segundo volume de suas memórias, em 1932, ele recordou o início da década de 1920 como um período especialmente prolífico em sua carreira no que diz respeito a desenhos de retratos."Após oito anos dedicados principalmente à pintura de paisagens, fiquei grato pelo fluxo de modelos que consentiram em ser desenhados ou pintados. Para o Winchester College, desenhei HAL Fisher e Lorde Grey; desenhos de Dean Inge e E. M. Forster foram adquiridos para o King's College, Cambridge. [...][...] Este desenho de E.M. Forster está de acordo com as práticas habituais de Rothenstein. Foi feito com os mesmos materiais – giz vermelho sobre papel cinza – que o estudo de Rothenstein para um retrato do artista Barnett Freedman, por exemplo. [...]
Uma carta original de E. M. Forster está à venda no site Memorabilia UK, especializado no comércio de materiais autografados por personalidades variadas.
A pequena carta manuscrita e assinada em papel timbrado do King's College, Cambridge, mede 18 x 11 cm e seu estado de conservação é descrito como bom, com condição geral de 8,5/10. O valor cobrado é de £350,00, mas os interessados podem fazer uma oferta justa para consideração do site.
A página do item traz somente a transcrição da mensagem da correspondência, sem precisar a data e o destinatário. Analisando mais detidamente, acredito que a data seja 14 de março (March 14th), escrita ao lado do timbre do King's College, porém sem ano especificado. Já o nome da destinatária parece ser Miss Emily. Não consegui decifrar o sobrenome.
"Agradeço sua gentil carta. Demorei para respondê-la até que meus planos estivessem definidos. Infelizmente, eles não se concretizaram da melhor forma. Nesse fim de semana, estarei com a amiga que me ajuda com a correspondência, e não poderei ter o prazer de jantar com você. Gostaria de saber se você teria disponibilidade para trabalhar comigo no domingo (dia 20), de preferência à tarde. Ficaria muito grato se pudesse. Atenciosamente, E. M. Forster."
Charleston, a antiga casa e estúdio dos pintores Vanessa Bell e Duncan Grant, em East Sussex, foi visitada por E. M. Forster algumas vezes para almoços, jantares, conversas e reuniões do Memoir Club. Agora, em 2021, o escritor simbolicamente retorna à bucólica propriedade através de uma emblemática obra em exposição.
A pintura a óleo de 73 x 60 cm é uma das treze obras de arte emprestadas de coleções particulares, que incluem ainda um nu de corpo inteiro assinado por Duncan Grant, um retrato de Vanessa Bell feito pelo artista em seu quarto, além de uma seleção de naturezas-mortas de Bell e Grant.
O grupo de personagens e o cenário, inevitavelmente, me remeteram a A Room with a View, porém o conto foi concebido anos antes do romance. Foi em 1902, durante a primeira viagem do escritor com sua mãe à Itália. Em 24 de maio, eles chegaram a Ravello, uma antiga cidade medieval na costa Amalfitana, onde se hospedaram no Villa Palumbo.
No dia seguinte, durante passeio em um vale chamado Vallone Fontana Caroso, E. M. Forster teve uma espécie de epifania literária, uma revelação.
"Acho que foi em maio de 1902 que dei um passeio perto de Ravello. Sentei-me em um vale, alguns quilômetros acima da cidade, e de repente o primeiro capítulo da história veio à minha mente como se tivesse esperado por mim ali. Recebi-o como entidade e escrevi assim que voltei ao hotel. Mas parecia inacabado e alguns dias depois acrescentei um pouco mais até ficar três vezes mais longo." (Trecho da Introdução de Collected Short Stories, 1947).
"Apesar de sua crueza, continua sendo uma de suas histórias mais memoráveis, expressando sua sensação de estar finalmente sob o sol e possuir sua própria alma. É, de certa forma, uma história sobre o ato da criação. Eustace, liberado por Pan, é capaz, como algum demiurgo, de recriar as estrelas, o sol e a lua com sua própria consciência; pode-se pensar que isso simboliza a compreensão de Forster de que, como artista, ele podia depender de seus próprios recursos e não precisava laboriosamente 'inventar o realismo'. A história também o mostra refletindo sobre sua própria criação. Depois de seu encontro com Pan, Eustace se comporta 'como um menino de verdade' pela primeira vez, e esta é a maneira de Forster dizer: 'Deixe-me desenvolver à minha maneira e serei tão saudável quanto você quiser.'
Ele tinha, de fato, recebido uma revelação. Algo havia mudado em sua alma, e as energias que ele tinha apenas vislumbrado em si mesmo estavam agora em sua posse. Apesar de toda a mansidão de sua existência exterior, ele foi capaz, imaginativamente, de responder à 'grandeza' da vida. Quando seus amigos leram seus primeiros livros, o que os surpreendeu foi o vigor e grandeza. Eles esperavam que um livro dele fosse como eles imaginavam o próprio Forster: charmoso, solteirão, um pouco ineficaz; e até agora ele não tivera razão para pensar que estavam errados. Claro que ele sabia que tinha dons: um bom humor fantasioso, um olho para o comportamento humano e também a capacidade de generalizar a partir da experiência. Mas não estava claro que fossem importantes. Até agora ele não se sentiu 'importante'. Agora ele o fez, tendo confiado na imaginação. A Itália, que ele demorou a amar, finalmente fez uma grande coisa por ele. Dissera-lhe que era possível viver na imaginação; e ele sabia agora com certeza que era um escritor."
"O que o conde viu foi uma figura graciosa de criança vestida em um terno de veludo preto, com gola de renda e cachos que balançavam emoldurando um rostinho bonito de menino, cujos olhos encontraram os dele com uma expressão de inocente camaradagem." (tradução de Tatiana Belinky, editora 34, 2002).
"Ele era uma criança bonita, com três ou quatro anos, olhos grandes e expressivos. Por insistência de Monie, ele usava o cabelo em cachos até os ombros e vestia ternos do Pequeno Lorde Fauntleroy com golas de renda; o próprio Forster disse que ele foi um dos últimos filhos a ser atormentado dessa maneira."
"Ele às vezes se deparava com primos do sexo masculino no 'East Side' [casa de Marianne Thornton, também conhecida como Battersea Rise e The Cockpond], e então seus cachos e seu status de favorito como 'O Importante' o colocavam em apuros."
Pinturas & Ilustrações - Adicionada ilustração por G. S., para o The New York Times Book Review (1923).
© 2009E. M. Forster Brasil | by TNB