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sábado, 6 de novembro de 2021

Forster retorna a Charleston

Charleston, a antiga casa e estúdio dos pintores Vanessa Bell e Duncan Grant, em East Sussex, foi visitada por E. M. Forster algumas vezes para almoços, jantares, conversas e reuniões do Memoir Club. Agora, em 2021, o escritor simbolicamente retorna à bucólica propriedade através de uma emblemática obra em exposição. 

Trata-se de um retrato pintado por seu amigo Roger Fry em 1911, arrematado por 325 mil libras num leilão da Bonhams, em Londres. No início de julho do ano passado falei sobre esse recorde aqui. O comprador, cujo nome não foi divulgado, compartilhou a obra com a Charleston Trust e o quadro ficará em exibição até 13 de março de 2022.


O retrato está exposto no local conhecido como garden room. | Foto: Twitter Charleston Trust.

A pintura a óleo de 73 x 60 cm é uma das treze obras de arte emprestadas de coleções particulares, que incluem ainda um nu de corpo inteiro assinado por Duncan Grant, um retrato de Vanessa Bell feito pelo artista em seu quarto, além de uma seleção de naturezas-mortas de Bell e Grant. 

Voltando ao retrato de Forster, o escritor o adquiriu por apenas 17 libras durante uma exposição no Alpine Club Gallery, em Londres, em 1912. Naquele mesmo ano, ele presenteou sua amiga e confidente Florence Barger com a obra e, depois disso, o quadro não foi visto pelo público por longos 50 anos. Então, poder apreciá-lo neste outono inglês em Charleston é uma oportunidade formidável.

No meu caso, não tenho como ir à exposição, mas tenho uma miniatura do retrato para chamar de minha:





Leitura recomendada:

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Inspiração para um pânico

A História de um Pânico é a última história de O Ômnibus Celeste e Outros Contos, publicado no Brasil em 2019.


Ano passado, quando li O Ômnibus Celeste e Outros Contos, não tive dúvidas ao considerar A História de um Pânico o meu conto favorito entre os seis publicados na obra traduzida por Vinícius Ritter. Esta história, que fecha a coletânea, conta uma experiência enigmática e espantosa vivida por turistas ingleses na Itália, cujo propósito era apenas fazer um simples piquenique num bosque.

O grupo de personagens e o cenário, inevitavelmente, me remeteram a A Room with a View, porém o conto foi concebido anos antes do romance. Foi em 1902, durante a primeira viagem do escritor com sua mãe à Itália. Em 24 de maio, eles chegaram a Ravello, uma antiga cidade medieval na costa Amalfitana, onde se hospedaram no Villa Palumbo. 

No dia seguinte, durante passeio em um vale chamado Vallone Fontana Caroso, E. M. Forster teve uma espécie de epifania literária, uma revelação.


Vista panorâmica de Ravello e da costa de Amalfi. Xilogravura de Le cento citta d'Italia, suplemento mensal ilustrado de Il Secolo, Milão, 1891. | Imagem: DeAgostini/Getty Images.
 
"Acho que foi em maio de 1902 que dei um passeio perto de Ravello. Sentei-me em um vale, alguns quilômetros acima da cidade, e de repente o primeiro capítulo da história veio à minha mente como se tivesse esperado por mim ali. Recebi-o como entidade e escrevi assim que voltei ao hotel. Mas parecia inacabado e alguns dias depois acrescentei um pouco mais até ficar três vezes mais longo." (Trecho da Introdução de Collected Short Stories, 1947).

Aquela inspiração inesperada resultou em um dos seus melhores contos, The Story of a Panic, que seria publicado mais de dois anos depois, em agosto de 1904, na revista Independent Review. Logo no início do segundo parágrafo da narrativa, o escritor define Ravello como um "agradável lugar com um pequeno e agradável hotel", muito provavelmente uma referência ao Villa Palumbo, onde se hospedou com sua mãe. Os personagens apresentados claramente são inspirados nas figuras que conheceu durante sua viagem. 

Em E. M. Forster: A Life, P. N. Furbank conta como a criação daquela história representou, de certa forma, um divisor de águas na escrita de Forster.

"Apesar de sua crueza, continua sendo uma de suas histórias mais memoráveis, expressando sua sensação de estar finalmente sob o sol e possuir sua própria alma. É, de certa forma, uma história sobre o ato da criação. Eustace, liberado por Pan, é capaz, como algum demiurgo, de recriar as estrelas, o sol e a lua com sua própria consciência; pode-se pensar que isso simboliza a compreensão de Forster de que, como artista, ele podia depender de seus próprios recursos e não precisava laboriosamente 'inventar o realismo'. A história também o mostra refletindo sobre sua própria criação. Depois de seu encontro com Pan, Eustace se comporta 'como um menino de verdade' pela primeira vez, e esta é a maneira de Forster dizer: 'Deixe-me desenvolver à minha maneira e serei tão saudável quanto você quiser.'

Ele tinha, de fato, recebido uma revelação. Algo havia mudado em sua alma, e as energias que ele tinha apenas vislumbrado em si mesmo estavam agora em sua posse. Apesar de toda a mansidão de sua existência exterior, ele foi capaz, imaginativamente, de responder à 'grandeza' da vida. Quando seus amigos leram seus primeiros livros, o que os surpreendeu foi o vigor e grandeza. Eles esperavam que um livro dele fosse como eles imaginavam o próprio Forster: charmoso, solteirão, um pouco ineficaz; e até agora ele não tivera razão para pensar que estavam errados. Claro que ele sabia que tinha dons: um bom humor fantasioso, um olho para o comportamento humano e também a capacidade de generalizar a partir da experiência. Mas não estava claro que fossem importantes. Até agora ele não se sentiu 'importante'. Agora ele o fez, tendo confiado na imaginação. A Itália, que ele demorou a amar, finalmente fez uma grande coisa por ele. Dissera-lhe que era possível viver na imaginação; e ele sabia agora com certeza que era um escritor."


Uma informação curiosa é que The Story of a Panic quase deu título à primeira coletânea do escritor. Em 23 de maio de 1909, Forster enviou uma coleção de nove histórias intitulada The Story of a Panic and Other Stories para a Edward Arnold. Embora tenha demonstrado interesse, a editora recusou-a em meados de abril. Aquela obra, posteriormente, teria o título alterado para The Celestial Omnibus and Other Stories e o número de contos seria reduzido para seis. Sua publicação ocorreu dois anos depois, em 11 de maio de 1911, pela Sidgwick & Jackson.


Vista do Mar Mediterrâneo a partir da Villa Rufolo, em Ravello, 2013. | Foto: Wolfgang Kaehler/LightRocket via Getty Images.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Little Forster Fauntleroy

Em novembro de 1885, a escritora britânica Frances Hodgson Burnett começou a publicar de forma serializada na revista infantil americana St. Nicholas Magazine aquele que se tornaria um de seus trabalhos mais conhecidos: Little Lord Fauntleroy (O Pequeno Lorde, no Brasil). A obra tornou-se tão popular que influenciou a moda infantil, com as mães vestindo seus filhos como o protagonista Cedric Errol


Ilustração de Reginald Birch para a 1ª edição do livro (1886) e Forster, aos 5 ou 6 anos, e sua mãe, em foto de W. J. Hawker.

"O que o conde viu foi uma figura graciosa de criança vestida em um terno de veludo preto, com gola de renda e cachos que balançavam emoldurando um rostinho bonito de menino, cujos olhos encontraram os dele com uma expressão de inocente camaradagem." (tradução de Tatiana Belinky, editora 34, 2002).

Tal descrição das vestimentas e aparência do personagem, somadas às primorosas ilustrações de Reginald Birch, fizeram incontáveis garotos serem transformados em pequenos lordes Fauntleroy. O traje e cabelo característicos foram extremamente populares nos Estados Unidos, mas também tiveram repercussões na Europa. E o pequeno Edward Morgan Forster não passou incólume por essa coqueluche. 

A iniciativa de vesti-lo como o personagem não partiu de sua mãe, Lily, mas sim de sua tia-avó paterna Marianne Thornton - Monie para os familiares. Extremamente apegada à criança, a qual chamava O Importante (Important One), Marianne era uma obstinada entusiasta do estilo Fauntleroy. O biógrafo P. N. Furbank nos conta um pouco sobre isso em E. M. Forster:  A Life (1977/1978).


Abraços de mãe e filho: a sra. Errol e Cedric, ilustrados por Graham Rust, e Forster e Lily, do mesmo ensaio de W. J. Hawker.

"Ele era uma criança bonita, com três ou quatro anos, olhos grandes e expressivos. Por insistência de Monie, ele usava o cabelo em cachos até os ombros e vestia ternos do Pequeno Lorde Fauntleroy com golas de renda; o próprio Forster disse que ele foi um dos últimos filhos a ser atormentado dessa maneira."

O comentário de Forster demonstra que ele não apreciava o famigerado visual e talvez isso se deva às zombarias dos primos:

"Ele às vezes se deparava com primos do sexo masculino no 'East Side' [casa de Marianne Thornton, também conhecida como Battersea Rise e The Cockpond], e então seus cachos e seu status de favorito como 'O Importante' o colocavam em apuros."


O pintor George Richmond, que já havia retratado Marianne, fez o mesmo com o jovem Forster. E é claro que a tia Monie insistiu que o retrato deveria se parecer o máximo possível com Little Lord Fauntleroy


E. M. Forster, por George Richmond.


Especula-se que o estilo Fauntleroy encorajou muitas mães a vestirem os filhos com calções ou calças mais cedo do que a tradição (Breeching) determinava. Muito provavelmente a moda criada pelo personagem teve papel importante no declínio do uso de vestidos e saias por meninos. Detalhe interessante é que os trajes que Burnett popularizou foram baseadas nas roupas que ela mesma costurou para seus dois filhos, Vivian e Lionel. 

Em tempo: Já tive a oportunidade de ler três livros de Frances Hodgson Burnett: o próprio O Pequeno Lorde, O Jardim Secreto (The Secret Garden) e A Princesinha (A Little Princess) e recomendo todos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Um pesquisador na guerra

O mais novo livro de Robert Sackville-West, The Searchers - The Quest for The Lost of the First World War, tem ligação direta com E. M. Forster. Comos sabemos, o escritor trabalhou como pesquisador voluntário durante a Primeira Guerra Mundial, em Alexandria, no Egito. Em hospitais militares, ele entrevistava combatentes feridos para determinar as situações de soldados desaparecidos nos terríveis meses de luta no estreito de Dardanelos, na Turquia.

A obra de Sackville-West traz exatamente relatos sobre pessoas que dedicaram suas vidas à busca por desaparecidos da guerra e Forster é lembrado como um dos personagens reais que contribuíram de forma significativa com esse trabalho vital.


No final da Primeira Guerra Mundial, o paradeiro de mais de meio milhão de soldados britânicos era desconhecido. A maioria foi dada como morta, perdida para sempre nos campos de batalha do norte da França e Flandres.

Em The Searchers, Robert Sackville-West reúne os relatos extraordinários e comoventes daqueles que dedicaram suas vidas à busca pelos desaparecidos. Essas histórias revelam até onde as pessoas chegam para dar sentido à sua perda: a busca de Rudyard Kipling pelo túmulo de seu filho; As conversas de E. M. Forster com soldados traumatizados no hospital em Alexandria; tentativas desesperadas de se comunicar com os espíritos dos mortos; a campanha para estabelecer a Tumba do Guerreiro Desconhecido; e a exumação e enterro de centenas de milhares de corpos em cemitérios militares.

Foi uma busca que duraria um século: desde o departamento criado para investigar o destino dos camaradas desaparecidos no rescaldo da guerra, até os dias atuais, quando o perfil de DNA continua a ajudar nos esforços para recuperar, identificar e homenagear esses homens. Enquanto o resto do país encontrava maneiras de se recuperar e seguir em frente, inúmeras famílias foram consumidas por esta missão, empreendendo jornadas árduas, muitas vezes sem esperança, para descobrir o que aconteceu com seus maridos, irmãos e filhos.

Dando destaque às profundas batalhas pessoais daqueles que ficaram para trás, The Searchers traz o legado da guerra vividamente à vida em um testamento da bravura, compaixão e resiliência do espírito humano."


Em sua crítica positiva do livro no site iNews, Peter Carty cita E. M. Forster:

"Entre os voluntários estava o escritor E. M. Forster. Ele estava em Alexandria, interrogando militares em recuperação no hospital sobre seus companheiros desaparecidos - entre ligações com seu namorado, um condutor de bonde egípcio. Forster tinha talento para o trabalho de detetive envolvido em rastrear tropas desaparecidas e se dava bem com os Tommies feridos: 'Eles podem ser tão divertidos', escreveu ele, 'e tão amorosos'."


The Searchers foi lançado no último dia 30 de setembro pela editora Bloomsbury Publishing.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Resgate histórico em Dorking

Foto: Instagram Dorking Museum.
Adiada por conta da pandemia, a exposição Forster@50 finalmente foi aberta no Dorking Museum em 22 de maio e segue até 04 de setembro. Cheguei a postar sobre a exibição e principalmente sobre o livro Forster in 50, de Heather e J. C. Green, mas fiquei devendo um post sobre a abertura porque não encontrei fotos da mostra (com exceção desta ao lado, mostrando a montagem).

Agora, o site In Your Area publicou uma curiosidade que vale a pena repercutir. Um dos itens expostos na Forster@50 é um programa do Pageant of Abinger, que teve roteiro de E. M. Forster e música de  Ralph Vaughan Williams. 

O grande espetáculo ao ar livre foi apresentado de 14 a 18 de julho de 1934 na vila de Abinger Common, cinco milhas a sudoeste da cidade de Dorking. E. M. Forster e sua mãe viviam ali perto, na vila de Abinger Hammer. Com numeroso elenco formado por aldeões, o pageant combinou música e drama para retratar acontecimentos e personagens das fases da história inglesa e, de acordo com o próprio Forster, tentar "mostrar a continuidade da vida no campo".

No início do ano, enquanto preparava a exposição sobre E. M. Forster e os 50 anos de sua morte, o Dorking Museum foi surpreendido com uma doação mais que oportuna. Durante uma limpeza na casa da família, Gill Dowden encontrou o programa do Pageant of Abinger, que estava guardado numa estante desde a morte de sua mãe, Jean Pricel, há quase 20 anos. Gill não teve coragem de jogá-lo fora e imaginou que aquele item histórico poderia ser de interesse do museu. Algo que chamou sua atenção foram os anúncios publicitários particularmente charmosos dos patrocinadores do espetáculo.


Páginas do programa do Pageant of Abinger doado por Gill Dowden| Imagem: Dorking Museum.


Um dos anúncios de patrocinadores publicados no Pageant of Abinger. | Imagem: Dorking Museum.


Com mobilidade reduzida e morando na vila de Lancing, em West Sussex, Gill não pôde visitar a exposição. Então, o Dorking Museum levou a exposição até ela, enviando-lhe cópias dos painéis apresentados e o link de um vídeo que resume os conteúdos apresentados (confira mais abaixo).

Vale a pena conferir a matéria completa no site In Your Area: Dorking Museum remembers historic July event


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Orgulho LGBTQIA+


E. M. Forster com o maior amor da sua vida, Robert 'Bob' Buckingham. 
Fotografia de George Platt Lynes (junho de 1947).

segunda-feira, 7 de junho de 2021

51 anos da morte de E. M. Forster

Foto: King's College Archive Centre, Cambridge.


Neste 07 de junho de 2021, a morte de E. M. Forster completa 51 anos. A fotografia acima é uma das últimas do escritor e foi tirada por Mark Lancaster em 14 de março de 1970, nos aposentos de Forster no King's College, em Cambridge. Ele está acompanhado do escritor 
Christopher Isherwood (1904-1986). 

Pouco tempo depois da morte do estimado amigo, Isherwood declarou (a partir de 26:40):


            
"Quando se está em contato com alguém como esse homem extraordinário, um dos modos de se perceber isso é o fato de você se sentir incapaz dos sentimentos mais mesquinhos que às vezes tem em relação a outras pessoas. Inveja, despeito... Morgan tinha todo tipo de amigos, todo tipo de relações profundas, com várias pessoas. Mas tenho absoluta certeza que sua amizade nos incluía a todos. E jamais sentimos que algo era tirado de um para ser dado a outro. Quando eu o vi, há alguns dias, parece naturalmente, ele estava externamente bastante decrépito, não conseguia andar bem, estava dobrado, mas parecia basicamente o mesmo, era basicamente o mesmo. E aceitava, curiosa e maravilhosamente, o que estava acontecendo. Não havia 'phatos', nada. Ele disse: 'Tomara que eu desligue rápido. Quando eu desligar'. E acrescentou: 'Sabe, às vezes, eu me sinto vazio, como se meu poder criativo tivesse chegado ao fim. Mas não me importo'. E eu disse a ele: 'Sabe, Morgan, 25 anos atrás, você me disse uma vez: Quando ficar mais velho, espero não ficar deprimido. Depois, você refletiu um pouco e respondeu a você mesmo: 'Não. Acho que não ficarei'. E não ficou." 

pela BBC em 14 de julho de 1970. Apresentado por James Mossman).

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Cartas para um amigo indiano

Kunwar Natwar Singh e E. M. Forster na Universidade de Cambridge em 1954.

O escritor indiano K. Natwar Singh, em sua coluna no site Sunday Gurdian Live, publicou duas cartas que recebeu de E. M. Forster, a quem conheceu intimamente na Universidade de Cambridge no início dos anos 1950. Logo na introdução, o ex-diplomata, ex-político e ex-ministro do governo indiano demonstra sua reprovação à adaptação de A Passage to India de 1984. Ele a classifica como "extremamente decepcionante" e diz que Forster teria ficado indignado.  

Na primeira carta, escrita em Londres e datada de 02 de maio de 1957, Forster cita um boato sobre sua morte que havia circulado por aquela época. O escritor não expressa muito otimismo com a situação do mundo naquele momento e comenta sobre uma futura viagem para a Áustria, com passagem pela Suíça. 

Na segunda, o escritor agradece Natwar por um artigo a seu respeito publicado no The Times of India e também fala sobre mais viagens, desta vez para a Itália e França. Esta carta foi escrita em 06 de janeiro de 1961, poucos dias depois do seu aniversário de 82 anos, mostrando mais uma vez que a idade avançada não o impedia de viajar, algo que tanto apreciava. 

Confira a publicação na íntegra: Letters from E.M. Forster, por K. Natwar Singh.

Em 1964, Natwar publicou o livro E. M. Forster: A Tribute, que reúne memórias da amizade de ambos e também escritos de Forster relacionados à Índia. 

domingo, 30 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras

A Praça e a Basílica de São Pedro. | Foto: Luigi Villari (Livro Italian Life in town and Country).


Tendo partido com sua mãe para a Itália em outubro de 1901, E. M. Forster passou por cidades como Milão e Florença antes de chegar à Roma quase no final daquele ano. Na capital italiana, dois imprevistos aconteceram num curto intervalo de tempo: por volta de 24 de janeiro de 1902, ele torceu o tornozelo na Pensione Hayden, perto da Fontana di Trevi, onde estava hospedado e, em 02 de fevereiro, quebrou o braço direito ao cair nos degraus da Basílica de São Pedro. A recuperação estendeu-se ao longo do mês e ele teve que usar a mão esquerda para conseguir escrever um pouco. 

Tais incidentes, somados às ansiedades de sua mãe e ao temor de deixá-la sem seu amparo, puseram fim aos planos de uma viagem para a Grécia e Turquia. Após a exaustiva passagem por Roma, "incluindo o rei, o Papa e o Coliseu ao luar" (carta para E. J. Dent, de 20 de março), mãe e filho partiram para Nápoles em meados de março.


Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mais sobre a conferência da IEMFS

International E. M. Forster Society divulgou o programa e o livro de resumos (abstracts) da conferência online E. M. Forster - Shaping the Space of Culture (E. M. Forster - Moldando o Espaço da Cultura), que será realizada em 07 de junho, data em que a morte do escritor completa 51 anos. 

A programação no dia 07 será intensa e variada. Os temas que mais me chamaram atenção foram "Forster and Public Transport: The Case of ‘West Hackhurst’", que vai explorar as viagens de trem, bonde e ônibus na vida e nas obras de Forster e "Clothing and Culture in E. M. Forster’s Wartime Writings", uma análise sobre a relação do escritor com vestuário e seus significados durante a Primeira Guerra Mundial. 

A conferência será dividida em seis seções: Lugar/Espaço, Queer, Ecos, Viagem, Cultura e Comunicação/Tecnologia. 

domingo, 9 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras


Em 03 de outubro de 1901, E. M. Forster e sua mãe partiram da cidade de Dover, na Inglaterra, para uma temporada de um ano na Itália. No dia 11 daquele mesmo mês, eles chegaram a Cadenabbia, uma pequena comunidade na Lombardia, província de Como. 

O Hotel Belle Ile, à margem do Lago Como, foi sua primeira parada. O plano inicial era se hospedar por apenas uma noite, mas a estada acabou se prolongando por dez dias. Será que a magnífica vista foi o motivo da mudança de planos? Na cartão-postal acima, um registro do hotel em 1910. 


Imagem: Ebay

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Bethan Roberts e E. M. Forster



A autora de My Policeman, Bethan Roberts, falou ao site The Argus sobre a adaptação cinematográfica de seu livro e fez referências a E. M. Forster, cujo relacionamento com o policial Bob Buckingham inspirou a história. 

“Fiquei fascinada com as obras de E. M. Forster, incluindo sua notável relação com um policial nos anos 1950. Eles se apaixonaram por 30 anos, numa época em que a homossexualidade era ilegal, mas conseguiram negociar um relacionamento compartilhado com sua esposa. Peguei algumas de suas histórias e construí My Policeman sobre isso. Felizmente E. M. Forster teve um final muito mais feliz do que no livro, não que eu esteja dando spoilers.”


Ela também contou que está encantada com o início das filmagens e revelou que o livro é seu trabalho favorito até o momento.

“Não achei que o filme algum dia seria feito - apenas 1% dos filmes que começam como um romance são financiados. Os produtores têm sido maravilhosos e me incluíram em algumas de suas conversas."


O site The Argus está sediado em Brighton, cidade onde Bethan Roberts vive e onde se passa o romance. Confira a matéria completa: My Policeman: Brighton author 'still in shock' film starring Harry Styles is being made.

Estou na expectativa de que o livro receba uma tradução no Brasil. A presença de Harry Styles no elenco tem chamado bastante atenção do público e certamente o mercado editorial brasileiro não vai deixar passar a oportunidade de publicar o livro por aqui. Resta saber qual editora será a responsável pelo lançamento.


Veja também:

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Filmagens de My Policeman

Foram divulgadas as primeiras imagens das gravações do filme My Policeman. Nas fotos, é possível ver os três atores principais da fase jovem caracterizados como seus personagens. Harry Styles (Tom Burgess) aparece uniformizado de policial contracenando com suas co-estrelas David Dawson (Patrick Hazelwood) e Emma Corrin (Marion). Os registros foram feitos esta semana na cidade de Worthing, condado de West Sussex, Inglaterra. O filme continua sem data de estreia definida.


David Dawson (Patrick Hazelwood), Harry Styles (Ton Burgess) e Emma Corrin (Marion) gravam cenas de My Policeman.

Bethan Roberts, a autora do livro My Policeman, se inspirou no triângulo amoroso vivido por E. M. Forster, o policial Bob Buckingham e sua esposa May para escrever a obra. 

Confira abaixo uma montagem comparando Bob Buckingham com Harry Styles caracterizado como Tom Burgess. 


Robert 'Bob' Buckingham foi a inspiração para Tom Burgess. 

Veja mais fotos das gravações no site Daily Mail. O perfil My Policeman Updates no Twitter tem feito atualizações diárias sobre as filmagens e novidades do filme.


Veja também:

domingo, 2 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras


Acton House, na vila de Felton, condado de Northumberland, Inglaterra. Foi a casa de William Howley Forster (1855-1910), o tio Willie, irmão mais novo do pai de E. M. Forster. Morgan fez várias visitas à casa do tio entre o final da década de 1890 e o ano de 1905, principalmente durante os verões. 

A bela Acton House foi o modelo para Cadover, a casa da Sra. Emily Failing, tia paterna do protagonista Rickie Elliot em The Longest Journey. Descrita com detalhes no início do capítulo 11, a propriedade fictícia está situada no condado de Wiltshire. Já o próprio tio Willie foi a inspiração para a Sra. Failing, nas palavras de Forster em entrevista à revista The Paris Review, publicada em 1953. 

Felizmente, muitas das características originais de Acton House ainda estão intactas, como portas, abóbadas, lareiras e janelas guilhotina.

Imagem: Stephen Richards via Geography.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

114 anos de The Longest Journey

Nesta sexta-feira, 16 de abril, a publicação de The Longest Journey completa 114 anos. É o menos conhecido romance de E. M. Forster e o único que jamais ganhou uma adaptação para cinema ou TV. Contudo, o escritor deixou claro que era o seu favorito.

"Eu gosto mais de um que não é muito popular, chamado The Longest Journey. Acho que fiquei mais perto de colocar para fora o que tinha dentro de mim e o que queria dizer." (Entrevista ao programa Monitor, da BBC, em 1958).

Em 1910, Forster fez uma releitura de seu segundo romance publicado. Em 03 de agosto, ele escreveu em seu diário:

"To have written such a book is something."

"Ter escrito um livro assim é alguma coisa."


A primeira edição de The Longest Journey, publicada por William Blackwood and Sons em 1907.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

E. M. Forster e os cães

Anos atrás, publiquei um post intitulado E. M. Forster e os gatos, em que falava sobre a relação do escritor com dois felinos de estimação. Mas e os cães? Forster teve algum cachorro de estimação durante sua vida? Infelizmente, minha pesquisa não resultou em muita coisa, mas como qualquer curiosidade vale a pena, hoje é o momento de responder essa pergunta.

Sim, Forster teve pelo menos um cão de estimação. Na primavera de 1886, sua mãe, Lily, escreveu ao sobrinho Herbert Wichelo sobre seu pequeno filho de sete anos. Após uma referência encantadora à admiração de Forster por borboletas, ela conta sobre um certo cãozinho:

1886 (Primavera) - EMF tem aulas de escrita e aritmética sob a direção de LF [Lily Forster] enquanto as diversões da infância também o ocupam: "ele é ansioso para fazer uma coleção de borboletas, mas como ele pretende esperar até encontrá-las mortas, receio que sua coleção não vá aumentar muito. Ele diz que borboletas são tão doces que é uma pena matá-las. Morgan tem um filhote de fox terrier que é muito afeiçoado a ele. É muito cansativo e rasga tudo o que consegue pegar (LF para Herbert Whichelo, 1 de abril de 1886). [An E. M. Forster Chronology, de J. H. Stape, 1993]


Em 1886, Forster e sua mãe já estavam vivendo em Rooksnest, na cidade de Stevenage, Hertfordshire. Com campos vastos e cheios de possibilidades, era o lugar ideal para criar um cachorro e Morgan - como ele era chamado por sua mãe - deve ter passado momentos divertidos com seu animal de estimação. Na foto abaixo, Forster, por volta dos 12/13 anos de idade, está acompanhado por um cachorro deitado ao seu lado. Seria o fox terrier citado por sua mãe, que àquela altura já não era mais um filhote? 


Foto: King's College Archive Centre, Cambridge.


Para concluir, acrescento esta foto do escritor já adulto, em 1922, acompanhado de um outro cão. Trata-se de Soie, pug de Lady Ottoline Morell, anfitriã regular dos membros do Bloomsbury Group em Garsington Manor, sua residência em Oxfordshire. 

Foto: National Portrait Gallery, Londres.

terça-feira, 6 de abril de 2021

James Ivory: A Life with Forster


Há muito conectado com E. M. Forster, o cineasta, roteirista e produtor James Ivory vai participar de uma conversa virtual com a jornalista Samira Ahmehpromovida pela Charleston Trust. James Ivory: A Life with Forster vai acontecer no próximo domingo, a partir das 19h (horário local). Além de refletir sobre a importância da obra do escritor em seu próprio trabalho, Ivory vai rememorar sua experiência na adaptação de Maurice (1987) e compartilhar telegramas inéditos que trocou com Forster na década de 1960, quando eles tentaram se encontrar pessoalmente. Além de Maurice, James Ivory dirigiu A Room with a View (1985) e Howards End (1992)

Para participar da conversa online é necessário adquirir um ingresso ao custo de £ 10 que dá acesso a um link de visualização e senha. O vídeo da conversa ficará disponível por mais de um mês, até a meia-noite de 16 de maio. James Ivory: A Life with Forster é um dos três eventos que integram o Charleston Festival Edit

Charleston Trust é uma instituição que administra e preserva a antiga casa dos pintores Vanessa Bell e Duncan Grant, amigos de Forster. A bela propriedade está situada na vila de Firle, condado de East Sussex, Inglaterra. O escritor foi um visitante regular da casa, descrita no site da Charleston Trust como uma "uma obra de arte viva e vibrante"

Abaixo, fotografia de Charleston e o registro de uma das visitas de Forster na década de 1920. A fotografia do escritor foi acrescentada recentemente à página Registros Variados do Álbum de E. M. Forster.


Charleston e E. M. Forster | Fotos: Grace Towner e Charleston Trust.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Forster & Long Crichel House

No final de fevereiro, a editora Constable publicou o livro The Crichel Boys: Scenes from England's Last Literary Salon, do escritor e arquivista Simon Fenwick. A obra se concentra em contar a fascinante trajetória de Long Crichel House, a antiga casa paroquial que abrigou o último salão literário inglês do pós-guerra, situada na pequena vila de Long Crichel, condado de Dorset. 

E. M. Forster foi um dos convidados deste lugar que respirava literatura, arte, música e amor livre. Boa parte de seu círculo de amigos também passou por lá, como Vanessa Bell, Benjamin Britten e Duncan Grant.

"Em 1945, Eddy Sackville-West, Desmond Shawe-Taylor e Eardley Knollys - escritores do New Statesman e administrador do National Trust - compraram a Long Crichel House, uma antiga casa paroquial sem eletricidade e com abastecimento de água irregular. Nesse lugar improvável, teve início o último salão literário inglês.

Mais calmo e menos formal do que os famosos salões literários de Londres, Long Crichel tornou-se um experimento idiossincrático na vida comunal. Sackville-West, Shawe-Taylor e Knollys - mais tarde acompanhados pelo crítico literário Raymond Mortimer - tornaram-se membros substitutos das famílias uns dos outros e sua companhia tornou-se um estímulo para escrever, para eles e seus convidados. 

O livro de visitantes de Long Crichel revela um Quem é Quem das artes na Grã-Bretanha do pós-guerra - Nancy Mitford, Benjamin Britten, Laurie Lee, Cyril Connolly, Somerset Maugham, E. M. Forster, Cecil Beaton, Vita Sackville-West e Harold Nicolson - que foram atraídos pela boa comida, quantidades generosas de bebida e excelente conversa. Para Frances Partridge e James Lees-Milne, dois dos melhores diaristas do século XX, Long Crichel tornou-se uma segunda casa e suas vidas ficaram ligadas à ela.

No entanto, deveria haver mais na história da casa do que aquilo que os críticos chamam de um grupo de "cavalheiros-estetas hifenizados" e uma "fábrica de prosa". 

Nos anos posteriores, a casa e seus habitantes enfrentariam os tremores secundários do Caso Crichel Down, o Relatório Wolfenden e a crise da AIDS. A história de Long Crichel também faz parte do desenvolvimento do National Trust e de outros movimentos conservacionistas.

Através das lentes de Long Crichel, o arquivista e escritor Simon Fenwick conta uma história mais ampla da grande revolução que ocorreu na segunda metade do século XX. Íntimo e revelador, ele dá vida aos anos dourados e mexeriqueiros de Long Crichel e, ao fazê-lo, revela um elo que faltava na história literária e cultural inglesa."




Na fotografia acima, temos o registro de uma visita de E. M. Forster a Long Crichel House, em março de 1960, início da primavera. Na ocasião, ele conheceu o moldureiro e colecionador de arte búlgaro Mattei Radev (1927-2009) - sentado ao seu lado na foto - com quem, posteriormente, teve um envolvimento amoroso. A fotografia foi tirada por Eardley Knollys (1902–1991), crítico de arte e um dos proprietários de Long Crichel House.


A antiga Long Crichel House hoje dá lugar à The Long Crichel Bakery, famosa pelo Hedgehog Bread (Pão Ouriço).



Leituras recomendadas:

domingo, 14 de março de 2021

Goldsworthy L. Dickinson VII

A recepção crítica


primeira biografia escrita por Forster recebeu avaliações positivas calorosas, tanto da crítica especializada quanto de seus amigos. Comecemos com algumas apreciações daqueles considerados autoridades no assunto:

"Para mim, este é o melhor livro de Forster. O que mais poderia ser dito sobre ele?" - H. M. Tomlinson no News Chronicle.

“Um livro encantador: um livro que poucos homens de letras poderiam ter escrito, e que muitos homens vão querer ler” - Desmond MacCarthy no Sunday Times.

"O Sr. Forster fez o que eu pensava ser impossível, fez isso com penetrante simpatia, com a contenção que o próprio Goldie tanto valorizava, com uma intimidade encantadora, e sem uma única nota dissonante" - Lord Ponsonby no The Listener.

"Uma refinada biografia do brilhante publicista, poeta, humanista e perspicaz professor do King's College, Cambridge" - Percy Hutchison no The New York Times, 10 de junho de 1934. 


Miniatura da crítica de Percy Hutchison publicada no The New York Times em 10 de junho de 1934. 
Imagem: The New York Times Archives.


Outros críticos também não pouparam elogios: David Garnett na New Statesman, J. A. Hobson no Philosophy, F. L. Lucas na Cambridge Review e no Observer, Kingsley Martin no Political Quarterly e J. T. Sheppard no Spectator. W. H. Auden, que avaliou o livro em 1934 para o Scrutiny, também o considerou o melhor de Forster e no prefácio de Goldsworthy Lowes Dickinson and Related Writings, publicado quase 40 anos depois, revela que ao reler a obra percebeu que era ainda melhor do que ele lembrava. 

As avaliações negativas foram poucas. No Criterion, Montgomery Belgion publicou um famoso ataque ao escritor intitulado The Diabolism of E. M. Forster, em que deprecia a obra e afirma que Dickinson figura nela como “um homem com alguma confusão mental". Hugh Kingsmill, na English Review, considerou que Forster não chegou nem perto de revelar as virtudes do biografado:

“Se Lowes Dickinson foi realmente o melhor homem que já viveu, o Sr. Forster deve ser o pior de todos os biógrafos, pois das qualidades sublimes implícitas no elogio da Sra. Newman, o Sr. Forster não nos deu nenhuma pista." 


Refrescando a memória, a citada Sra. Newman, camareira de Dickinson, havia afirmado que ele foi "o melhor homem que já existiu", conforme mencionado no post E. M. Forster & Goldie.

Henry Stephens Salt. | Foto: Site Henry S. Salt.
No Vegetarian News, Henry Stephens Salt, considerado
o "pai dos direitos dos animais", citado por Forster no capítulo 08, The World of Matter (1884-1887), centrou sua crítica negativa em torno de uma observação de Dickinson sobre um abatedouro de gado em Chicago, presente no capítulo 14, The Truce (1926-1932). A referência a ele próprio também não o agradou: 

"O Sr. Forster me dedica uma dúzia de linhas que mostram com que incrível descuido essas memórias foram compiladas. Sou descrito, de maneira bastante incorreta, como tendo sido 'um mestre rebelde em Eton'; em seguida, assim como o Sr. Cox (que estava mais para meu subordinado) como um ímã para os “excêntricos”; e a impressão geral transmitida é que o domínio doméstico dos Cox, com seu povo agrícola de Kent, o estava desbastando junto com o meu. Essa história bastante enganosa é tirada, eu entendo, das 'lembranças não publicadas' de Dickinson, que, arrisco pensar, seria melhor que permanecessem inéditas." 


Forster acreditava que seus amigos mais jovens, como J. R. Ackerley, achariam seu livro antiquado, mas sustentou seus planos pois não queria "estar atualizado às custas de outras pessoas". Seu círculo de amigos, na absoluta maioria, apreciou profundamente a biografia. Um dos admiradores mais fervorosos foi Christopher Isherwood, que elogiou a obra em carta remetida diretamente das Ilhas Canárias, datada de 24 de agosto de 1934: 

"Eu estou perdido em admiração por sua pontaria no livro G. L. D., li quatro ou cinco vezes, e gosto cada vez mais."


Siegfried Sassoon foi ainda mais veemente em sua exaltação à obra, em carta para Forster de 17 de julho de 1934:

"Ninguém mais poderia ter feito isso, e o mundo será um lugar melhor quando, digamos, 5.000 pessoas atenciosas o tiverem lido. Isso apenas me fez ficar silenciosamente grato que 'Goldie' existiu e foi 'perpetuado' por E. M. F., cuja existência também torna um gra... mas estou ficando insuportável."


Na introdução de Goldsworthy Lowes Dickinson and Related Writings, Oliver Stallybrass garante:

"Em termos gerais, aqueles (a grande maioria) que amavam Dickinson, amaram a biografia de Forster, enquanto aqueles que se irritaram com ele, ficaram irritados também com o livro que o retratou com tanta simpatia."



Capas




Semana G. L. D.


Fontes de pesquisa da série de posts:
Letters between Forster and Isherwood on Homosexuality and Literature (2008), editado por Richard E. Zeikowitz;
A Great Unrecorded History: A New Life of E. M. Forster (2010), de Wendy Moffat;
The Cambridge Companion to E. M. Forster (2007), editado por David Bradshaw;
The Pink Plaque Guide to London (1986), de Michael Elliman e Frederick Roll;
E. M. Forster - Critical Assessments Volume IV (1998), editado por J. H. Stape;
E. M. Forster - Interviews and Recollections (1993), editado por J. H. Stape;
A Reading of E. M. Forster (1979), de Glen Cavaliero;
E. M. Forster - A Literary Life (1995), de Mary Lago;
E. M. Forster: A Life (1977-1978), de P. N. Furbank;
An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.