domingo, 17 de outubro de 2021
Bom domingo e boas leituras
quarta-feira, 21 de julho de 2021
Qual sua Howards End favorita?
Já a minissérie da BBC de 2017, dirigida por Hettie Macdonald, apresenta como sua Howards End uma casa que remonta ao século XVI, chamada simplesmente Vann e situada na vila de Hambledon, perto da cidade de Goldalming, condado de Surrey. De imediato já se percebe que a casa não é pequena, o que não corresponde à uma característica marcante descrita logo no início do livro e repetida outras vezes posteriormente: "Mal conseguimos nos espremer aqui dentro...", diz Helen na primeira carta enviada a Margaret. Típica casa rural inglesa, não tem como não julgá-la como bela e notável, porém, quando comparada a Peppard Cottage fica evidente que é menos "fotogênica" e pitoresca. As fotografias no site oficial de Vann deixam a impressão de que os arredores são talvez até mais ricos que os de Peppard, mas não chegam a compensar a casa em si, que é a parte mais importante nesse contexto.
Uma curiosidade que me faz gostar ainda mais desta locação é a possibilidade de E. M. Forster tê-la visitado. Peppard Cottage pertenceu a Lady Ottoline Morrell (1873-1938), patrona das artes e conhecida do escritor, que inclusive o fotografou várias vezes no início dos anos 1920 (veja em O Álbum de E. M. Forster - Pelo olhar de Lady Ottoline Morrell). Forster era visitante regular de Garsington Manor, a residência de Lady Ottoline Morrell em Oxfordshire e é bastante provável que também tenha estado no chalé que muitos anos depois daria vida à sua Howards End nas telas do cinema.
domingo, 30 de maio de 2021
Boa semana e boas leituras
domingo, 9 de maio de 2021
Boa semana e boas leituras
Em 03 de outubro de 1901, E. M. Forster e sua mãe partiram da cidade de Dover, na Inglaterra, para uma temporada de um ano na Itália. No dia 11 daquele mesmo mês, eles chegaram a Cadenabbia, uma pequena comunidade na Lombardia, província de Como.
O Hotel Belle Ile, à margem do Lago Como, foi sua primeira parada. O plano inicial era se hospedar por apenas uma noite, mas a estada acabou se prolongando por dez dias. Será que a magnífica vista foi o motivo da mudança de planos? Na cartão-postal acima, um registro do hotel em 1910.
domingo, 2 de maio de 2021
Boa semana e boas leituras
A bela Acton House foi o modelo para Cadover, a casa da Sra. Emily Failing, tia paterna do protagonista Rickie Elliot em The Longest Journey. Descrita com detalhes no início do capítulo 11, a propriedade fictícia está situada no condado de Wiltshire. Já o próprio tio Willie foi a inspiração para a Sra. Failing, nas palavras de Forster em entrevista à revista The Paris Review, publicada em 1953.
Imagem: Stephen Richards via Geography.
quinta-feira, 25 de março de 2021
Forster & Long Crichel House
"Em 1945, Eddy Sackville-West, Desmond Shawe-Taylor e Eardley Knollys - escritores do New Statesman e administrador do National Trust - compraram a Long Crichel House, uma antiga casa paroquial sem eletricidade e com abastecimento de água irregular. Nesse lugar improvável, teve início o último salão literário inglês.Mais calmo e menos formal do que os famosos salões literários de Londres, Long Crichel tornou-se um experimento idiossincrático na vida comunal. Sackville-West, Shawe-Taylor e Knollys - mais tarde acompanhados pelo crítico literário Raymond Mortimer - tornaram-se membros substitutos das famílias uns dos outros e sua companhia tornou-se um estímulo para escrever, para eles e seus convidados.O livro de visitantes de Long Crichel revela um Quem é Quem das artes na Grã-Bretanha do pós-guerra - Nancy Mitford, Benjamin Britten, Laurie Lee, Cyril Connolly, Somerset Maugham, E. M. Forster, Cecil Beaton, Vita Sackville-West e Harold Nicolson - que foram atraídos pela boa comida, quantidades generosas de bebida e excelente conversa. Para Frances Partridge e James Lees-Milne, dois dos melhores diaristas do século XX, Long Crichel tornou-se uma segunda casa e suas vidas ficaram ligadas à ela.No entanto, deveria haver mais na história da casa do que aquilo que os críticos chamam de um grupo de "cavalheiros-estetas hifenizados" e uma "fábrica de prosa".Nos anos posteriores, a casa e seus habitantes enfrentariam os tremores secundários do Caso Crichel Down, o Relatório Wolfenden e a crise da AIDS. A história de Long Crichel também faz parte do desenvolvimento do National Trust e de outros movimentos conservacionistas.Através das lentes de Long Crichel, o arquivista e escritor Simon Fenwick conta uma história mais ampla da grande revolução que ocorreu na segunda metade do século XX. Íntimo e revelador, ele dá vida aos anos dourados e mexeriqueiros de Long Crichel e, ao fazê-lo, revela um elo que faltava na história literária e cultural inglesa."
- Daily Mail: Escape to the country: In an age when being gay was illegal, four literary men set up house in Dorset, where they entertained everyone from Garbo to Greene, artigo de Ysenda Maxtone Graham;
- The Friends of Friendless Churches: Página sobre Long Crichel e Long Crichel House.
- Piano Nobile: Artigo sobre Long Crichel House.
sábado, 20 de março de 2021
Marabar em Washington, D.C.
Uma obra de arte batizada em tributo às Cavernas de Marabar, de A Passage to India, esteve nos últimos anos no centro de uma controvérsia na capital dos Estados Unidos, Washington, D.C. Criada pela escultora Elyn Zimmerman em 1984, Marabar é composta por um longo e estreito espelho d'água flanqueado por cinco enormes pedras de granito e está instalada numa praça modernista projetada pelo arquiteto David Childs, na entrada principal da sede da National Geographic Society (NGS).
A contenda começou no verão de 2019, quando a NGS anunciou seus planos para uma grande reestruturação da praça. Diante do projeto apresentado, foi inevitável fazer uma pergunta: onde está Marabar? A instalação de Zimmerman não fazia parte da nova proposta e, aparentemente, seria demolida.
A The Cultural Landscape Foundation (TCLF) logo se articulou para alertar sobre a destruição deliberada da obra, mas com o aval do Historic Preservation Review Board (HPRB) o projeto seguiu adiante. A reação pública foi vigorosa e imediata, com o HPRB solicitando uma reavaliação do impasse.
"O título foi escolhido após a conclusão da peça. As superfícies de granito infinitamente refletivas, frente a frente, lembravam a artista da caverna imaginária cujas paredes interiores de rocha viva foram misteriosamente polidas, no romance de E. M. Forster, A Passage to India."
- The New York Times: In New Plan, National Geographic Will Move an Acclaimed Sculpture;
- The Architect's Newspaper: Resolution reached to save MARABAR at National Geographic Society headquarters;
- The Cultural Landscape Foundation (TCLF): Elyn Zimmerman Speaks Out About MARABAR, which she calls the "Seminal Work" in her Career (com carta da artista ao Historic Preservation Review Board);
- The Cultural Landscape Foundation (TCLF): TCLF Talks to Elyn Zimmerman (com imagens do processo de construção de Marabar).
sexta-feira, 12 de março de 2021
Obituário - Margaret Ashby
Em 1989, juntamente com o geólogo aposentado, John Hepworth, fundou a associação The Friends of Forster Country, cujo propósito é preservar a área verde ao norte da cidade de Stevenage. É lá que está situada Rooksnest, a casa da infância de E. M. Forster.
Após a morte de Epworth, tornou-se patrona da associação e continuou atuando nos assuntos mais relevantes. Em seu site oficial, a entidade lamentou que Margaret tenha partido num momento em que o Forster Country está mais ameaçado do que nunca pelo avanço imobiliário.
The Comet: Tributes pour in for campaigner and historian Margaret Ashby.
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Bom domingo e boas leituras
Em 1898, seu segundo ano no King's College, Cambridge, E. M. Forster morou no Edifício Bodley. Ele ocupava os aposentos W7, situados no canto superior esquerdo da segunda escada da direita. A bela vista dava para The Backs (os fundos das faculdades) e o rio Cam. Na fotografia acima, o edifício está muito semelhante àquele em que Forster viveu durante sua graduação.
Imagem: King's College, Cambridge.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Placas de E. M. Forster V
"Em 27 de maio de 1970, fomos a Cambridge para buscá-lo pela última vez. Ele não tinha conseguido se levantar da mesa no Hall e foi conduzido para seus aposentos. Com ajuda, ele foi capaz de se levantar e fazer cerâmica em seu quarto, mas um ou dois dias depois, desmaiou e rastejou para a porta para obter ajuda. Ele nunca mais caminhou, mas sua mente estava perfeitamente clara e ele estava alegre. O jovem artista residente Mark Lancaster ajudou Robert a carregá-lo pela escada 'A' até o carro e conseguimos carregá-lo para a cama em Coventry, rindo e brincando. Normalmente, quando doente, ele tinha uma cama no andar de baixo, mas ele pediu para ser levado para o quarto.No dia 30, nossos queridos amigos Audrey e Eric Fletcher chegaram inesperadamente e ficaram para jantar. Se tornou uma festa alegre e nós levamos nosso café para seu quarto.
Essa foi a última vez que ele se alimentou. Na manhã seguinte, estava mais fraco e isso progrediu a cada dia.
No domingo, 07 de junho, ele morreu às 2h40. Suas cinzas estão misturadas com as de Robert em um canteiro de rosas no crematório com vista para a Warwick University.
Assim terminou uma longa vida que tanto enriqueceu a minha." (Some Reminiscences, por May Buckingham, em E. M. Forster: A Human Exploration - Centenary Essays, editado por G. K. Das e John Beer, 1979).
Por causa do trabalho de Robert, tivemos que nos mudar para Coventry em 1952, o que perturbou muito a mim e Morgan. Ele nunca gostou do cidade, mas eu sim. Não era tão conveniente para ele chegar. A viagem de trem crosscountry de Cambridge é desconfortável e difícil. Ainda não existe uma sala de concertos e àquela altura o único teatro nunca apresentava peças.
Ele nos visitava com frequência e com o passar do tempo teve que ficar períodos bastante longos quando algumas alterações estruturais estavam sendo feitas no King's e seus aposentos corriam o risco de desabar.[...] Quando em Coventry, ele insistia em que saíssemos para uma caminhada todos os dias, tal como tinha sido seu hábito durante toda a vida. Apenas o frio o impedia, mas como não podíamos ir muito longe, isso significava passar todos os dias pelas mesmas ruas suburbanas monótonas. (Some Reminiscences, por May Buckingham, em E. M. Forster: A Human Exploration - Centenary Essays, editado por G. K. Das e John Beer, 1979).
E. M. FORSTER / ROMANCISTA / 1879-1970
Esteve aqui algumas vezes na casa de seus amigos Robert e May Buckingham, e morreu aqui em 07 de junho de 1970. Erigida para marcar o 100º aniversário de seu nascimento.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Placas de E. M. Forster IV
Em janeiro de 1925, antes de se deslocar no condado de Surrey, mudando-se de Harnham, em Weybridge, para West Hackhurst, na vila de Abbinger Hammer, E. M. Forster alugou um apartamento em Londres, no 27 Brunswick Square, distrito de Bloomsbury. Convenientemente perto de vários amigos do Bloomsbury Group, esse pied-à-terre permaneceu como sua base na capital durante cinco anos.
E. M. FORSTER1879-1970Romancista viveu aqui
"Íamos dar uma festa para comemorar [a inaguração da placa], porém nunca chegamos a fazer isso... mas fazer a lista de convidados foi divertido, embora nunca tenhamos feito a festa! Deve ter sido há mais de 40 anos, quando a grande biografia foi publicada, e estávamos morando em Heathfield Terrace.Tomei chá com Forster no King's em 1955 ou 1959! Lembro-me dos quartos um tanto desolados, mas com uma vista soberba dos Backs para o [rio] Cam. Ele era discretamente cortês e meticuloso, embora devesse estar farto de ver pessoas aparecendo para prestar uma espécie de homenagem. Forster morreu em 1970. Eu sei que ele parecia imensamente velho! E claro que agora sou uma octogenária…"
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Placas de E. M. Forster III
"Deve ter sido em minha segunda ou terceira visita ao templo que a fagulha se acendeu, e ele e seu companheiro George Merrill causaram uma profunda impressão em mim e tocaram na fonte da criatividade. George Merrill também me tocou as costas — gentilmente e pouco acima das nádegas. Creio que era o que fazia com a maioria das pessoas. A sensação era incomum, e ainda lembro-me dela, como a de um dente há muito desaparecido. Era um toque tão psicológico quanto físico. Parecia passar diretamente da parte mais estreita de minhas costas até minhas ideias, sem implicar meus pensamentos. Se isso for verdade, teria agido em perfeita consonância com o misticismo iogue de Carpenter, provando que, naquele momento preciso, eu havia concebido. Em seguida, voltei a Harrogate, onde minha mãe convalescia, e imediatamente comecei a redigir Maurice." (Nota final de Maurice, tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
"Beech Villa e sua vizinha, Beech Lodge, foram construídas em 1850 como um modelo de desenvolvimento para o Ducado de Lancaster e serviu por muitos anos como um hotel privado. Em 1913, E. M. Forster, autor de "Howards End", "A Passage to India", etc, esteve aqui a escrever seu controverso romance "Maurice". Os edifícios não são abertos ao público - 2004."
terça-feira, 19 de janeiro de 2021
Placas de E. M. Forster II
Durante um breve período de 1904, E. M. Forster e sua mãe, Lily, residiram num apartamento em Drayton Court, no distrito de South Kensington, em Londres. Eles chegaram ao local em março, mas em 08 de agosto deixaram o apartamento com planos de se estabelecerem numa casa na cidade de Weybridge, condado de Surrey, no mês seguinte.
Em meados de setembro, como planejado, mãe e filho estavam acomodados no número 19 da Monument Green, uma habitação suburbana que eles batizaram de Harnham (hoje, Revard). A propriedade foi alugada por £ 55 ao ano e eventualmente comprada por £ 1.075.
Naquela casa de três andares com janelas baixas, E. M. Forster escreveu todos os seus seis romances ao longo de 20 anos. Obviamente, ele não concebeu a totalidade de cada obra em Harnham, mas é sabido que todas, em algum momento, foram escritas naquele ambiente, especialmente num estúdio com vista para a rua Monument Green. É nesta casa que está a placa do nosso post de hoje.
E. M. FORSTERVIVEU E ESCREVEU AQUI1904-1925
Imagem: Google Street View (julho de 2018)."Era muito bonita em alguns aspectos, olhando para trás, por cima de um bosque e um campo cheio de galinhas hidrópicas". Ele complementa: "[Havia] uma bela soleira forrada de latão... nenhum de nossos vizinhos tinha uma."
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Placas de E. M. Forster
Criadas para marcar locais públicos e privados onde viveram ou passaram personalidades históricas, as famosas placas do Reino Unido já existem desde 1867, quando Lord Byron foi o primeiro homenageado em Londres, sua cidade natal.
As placas mais tradicionais são as azuis, administradas desde 1986 pela instituição English Heritage, porém, sua popularidade provocou o surgimento de uma série de outros esquemas de placas. Esses marcadores históricos tem levado o nome de várias e várias personalidades ilustres, entre elas, E. M. Forster.
O escritor tem ao menos cinco placas em sua homenagem e hoje começo uma pequena série de posts sobre esses registros simples, mas ao mesmo tempo significativos. A ordem dos posts vai seguir a cronologia da passagem de Forster por cada um dos locais.
A primeira placa destacada está localizada em Royal Tunbridge Wells, cidade ao oeste do condado de Kent e denominada apenas Tunbridge Wells até 1909. E. M. Forster e sua mãe, Lily, se mudaram para lá no final de setembro de 1898, quando partiram de uma cidade de nome semelhante: Tonbridge, situada quatro milhas ao norte.
E. M. FORSTER1879-1970Romancista e autor de A Room with a View, Howards End, A Passage to India,Where Angels Fear to Tread viveu aqui.1898-1901.
"'Creio que todos de Windy Corner o aprovarão [Mr. Beebe]; é um mundo moderno. Estou acostumada com Tunbridge Wells, onde somos todos tão irremediavelmente atrasados.'" [...] Havia uma nuvem de desaprovação no ar, mas se esta era dirigida a si própria, ao senhor Beebe, ao mundo moderno de Windy Corner ou ao mundo tacanho de Tunbridge Wells, ela [Lucy] não sabia determinar." (tradução de Marcelo Pen, Globo, 2006).
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Passeio pelo Forster Country
Em 2021, a tradicional caminhada em comemoração ao aniversário de nascimento de E. M. Forster não vai acontecer. O motivo você já pode imaginar: a justa necessidade de prevenção em meio à pandemia de Covid-19. Anualmente, moradores e visitantes da cidade de Stevenage, condado de Hertfordshire, caminham por lugares relacionados a Forster, sendo que o principal é Rooksnest, a casa onde ele viveu a maior parte de sua infância.
Contudo, o primeiro dia do ano não passará sem algo para marcar os 142 anos do nascimento do escritor. Membros da associação The Friends of the Forster Country farão um passeio informal, com distância segura, a partir das 14h15 (horário local). Os participantes se encontrarão às 14h na entrada da St. Nicholas Church (foto ao lado).
Como divulgado recentemente na mídia inglesa, o Forster Country está mais ameaçado do que nunca pelo avanço de empreendimentos imobiliários. É preciso aproveitar enquanto esse patrimônio verde ainda existe.



































