Mostrando postagens com marcador Where Angels Fear to Tread. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Where Angels Fear to Tread. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Capas Mint Editions

A editora californiana West Margin Press, sob o selo Mint Editions, possui quase todos os romances de E. M. Forster em seu catálogo - a única exceção é Maurice. As capas seguem um padrão original, sofisticado e simples ao mesmo tempo.

Sustentável, o selo Mint Editions imprime conforme demanda, pois como é informado em seu site eles não produzem "livros em excesso para ficar em uma prateleira sem ninguém ler". As obras estão disponíveis em brochura, capa dura e e-book.

Para não perder a tradição de sempre citar minhas capas favoritas, desta vez são as de The Longest Journey e A Passage to India. Clique na capa para ser redirecionado à página do livro correspondente. 




segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Ópera Where Angels Fear to Tread

Está disponível no Youtube, na íntegra, a ópera Where Angels Fear to TreadO espetáculo foi apresentado pela primeira vez em 25 de fevereiro de 1999 no Peabody Opera Theater, da Universidade Johns Hopkins, na cidade de Baltimore, Maryland. 

Em três atos, a ópera foi composta por Mark Lanz Weiser, com libreto de Roger Brunyate. A direção musical e a regência da Peabody Concert Orchestra ficaram a cargo de Robert Sirota. 

O vídeo disponibilizado no canal do compositor Mark Weiser traz uma das apresentações da primeira temporada do espetáculo, com o seguinte elenco principal:

Taylor Armstrong - Philip Herriton;
Anne Jennifer Nash - Caroline Abbott;
Susan Minsagrave - Harriet Herriton;
Toni Amanda Stefano - Lilia Herriton;
Arturo Chacón - Gino Carella.

Confira o espetáculo completo




Na época, a ópera teve ótima recepção da crítica especializada.




"Uma obra nova, potente e bem feita ... árias brilham com um lirismo arqueado"
Joshua Kosman, San Francisco Chronicle.

“No último ato, quando corações se partem, o compositor Mark Lanz Weiser 
abre as comportas. Sua música chega em ondas”.
Richard Scheinin, San Jose Mercury News.

"A melhor ópera nova que ouvi em anos".
Stephen Wiggler, The Baltimore Sun.



Fontes: Operas in English: A Dictionary (2013), de Margaret Ross Griffel;

domingo, 17 de outubro de 2021

Bom domingo e boas leituras

Vista da cidade de San Gimignano, na Itália. | Foto: Bettmann/Getty Images.

Em 25 de junho de 1902, E. M. Forster e sua mãe, Lily, visitaram San Gimignano, pequena cidade italiana na província de Siena, na Toscana. Com suas imponentes torres de pedra e arquitetura medieval românica e gótica, a cidade inspirou a Monteriano de Where Angels Fear to Tread (1905), o primeiro romance publicado do escritor. Em carta ao professor Edward Joseph Dent, Forster a descreveu como "particularmente charmosa"

A visita à Cidade das Belas Torres, como também é conhecida, não durou muito. No dia seguinte, ambos já estavam em excursão à cidade etrusca de Volterra e em seguida para Pisa. 

A adaptação Where Angels Fear to Tread (1991) teve o cuidado de utilizar como locação a cidade real que inspirou o escritor e o resultado não poderia ser melhor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Capas da iBoo Press House

A editora londrina iBoo Press House tem quatro romances de E. M. Forster em seu catálogo: A Room with a View, Howards End, A Passage to India e Where Angels Fear to Tread. As capas seguem um padrão que, confesso, não me agrada muito. O fundo excessivamente floreado até é tolerável, mas a arte central com os títulos não-centralizados realmente não ganharam minha simpatia de leitor. 

Como podemos ver, A Passage to India e Howards End tem duas opções de capas, cada. De Passage, escolheria a com arte central azul, já que a outra acabou ficando muito poluída visualmente. Já entre as duas de Howards End, gostei mais da ilustrada com fotografia, apesar da imagem não ter relação com a história. 

Clique na capa para ser redirecionado à página do respectivo livro no site da iBoo.




segunda-feira, 19 de julho de 2021

E. M. Forster em turco

Desde o ano passado, a editora Iletisim vem publicando traduções dos livros de E. M. Forster para o turco. Já são seis obras lançadas.

- Manzarali Bir Oda (Um Quarto com Vista); 
- Hindistan’a Bir Geçit (A Passage to India);
- Meleklerin Uğramadığı Yer (Where Angels Fear to Tread);
- Cennet Dolmuşu (The Celestial Omnibus and Other Stories).

As edições parecem ser bem completas e contam com prefácios (a maioria assinada por Lionel Trilling), posfácios, cronologias ilustradas do autor e dos períodos das publicações, além de outros materiais adicionais. 

Nos posts com capas dos livros de Forster, geralmente cito uma ou duas quer mais me agradaram, mas dessa vez gostei de todas. Além do padrão de bom gosto, as imagens escolhidas são todas belas e condizentes com os conteúdos das obras. 




segunda-feira, 21 de junho de 2021

Where Angels Fear to Tread (1991)

... 30 anos de um filme pouco lembrado ...



Em 21 de junho de 1991, há exatos 30 anos, foi lançada a única adaptação cinematográfica do primeiro livro de E. M. Forster: Where Angels Fear to Tread. Assim como a obra literária, o filme não é muito conhecido, apesar de ser uma adaptação praticamente perfeita. 

No elenco, nomes já familiares aos longas forsterianos, como Helena Bonham Carter (Caroline Abbott), Rupert Graves (Philip Herriton) e Judy Davis (Harriet Herriton). Helen Mirren (Lilia Herriton) e Giovanni Guidelli (Gino Carella) também abrilhantam a produção dirigida por Charles Sturridge.

Confira minhas impressões sobre Where Angels Fear to Tread (1991).

sábado, 16 de janeiro de 2021

Forster in 50 publicado

A capa de Forster in 50.

Em julho do ano passado (parece que foi ontem!), postei sobre Forster in 50, um livro que estava sendo preparado pela acadêmica Heather Green e seu marido, o ilustrador Jonny C. Green. A missão de Heather era recontar os romances de Forster em 50 palavras e ela conseguiu: a obra foi lançada e está disponível para compra no site do Dorking Museum, cujo braço editoral, The Cockerel Press, é o responsável pela publicação. Lembrando que a ideia de trabalhar no livro surgiu após o adiamento de Forster 50, uma exposição que seria realizada neste mesmo museu para marcar meio século da morte do escritor. 

A obra recém-saída do forno foi disponibilizada no portfólio de J. C. Green no site Behance. Senti falta das páginas sobre The Longest Journey e por isso não posso afirmar que está completa. Escolhi o resumo em 50 palavras de Where Angels Fear To Tread, o primeiro romance de Forster, para exemplificar como Heather sintetizou os enredos (atenção para spoilers):

"The Herritons: a fine family! Their widowed daughter-in-law Lilia remarries Gino. "The shame - an Italian!". In Italy, Lilia dies in childbirth. The Herritons demand custody. But should a child remain impoverished and lover or sent to wealth without love? A kidnap is attempted; the child is killed. Gino forgives them."

"Os Herritons: uma bela família! Sua nora viúva, Lilia, casa-se novamente com Gino. "A vergonha - um italiano!". Na Itália, Lilia morre no parto. Os Herritons exigem custódia. Mas deve uma criança permanecer empobrecida e amada ou enviada para a riqueza sem amor? Uma tentativa de sequestro; a criança morre. Gino os perdoa."


Todas as ilustrações concebidas por J. C. Green são belíssimas e de imensa originalidade. Aquelas que retratam as mortes de Lilia e do bebê são de cortar o coração. Sem dúvidas, o casal Green criou um livro encantador. 



UPDATE 28/01: Material de divulgação do livro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Edições de Monteriano

Where Angels Fear to Tread não foi a primeira escolha de título para o romance "primogênito" de E. M. Forster. Como contei no especial dedicado ao livro, quando começou a escrever a obra, o escritor cogitou intitulá-la The Rescue. Contudo, o nome grafado na capa do manuscrito foi Monteriano, a cidade fictícia na região da Toscana onde se passa a maior parte da ação do romance. O título não resistiu às pressões editoriais e comerciais, tendo sido mudado para aquele que conhecemos hoje. 

A Monteriano do livro foi inspirada em San Gimignano, pequena cidade italiana na província de Siena que Forster visitou em 25 de junho de 1902. Na maior parte do mundo, o livro foi publicado sob o título Where Angels Fear to Tread traduzido em diferentes línguas, mas na Itália e na França foram lançadas várias edições intituladas com o nome da cidade.

Editoras italianas como FeltrinelliNewton Compton Tea Due e francesas como Domaine Étranger e Le Bruit du temps publicaram a obra desta forma. As edições da Feltrinelli Tea Due deixaram Where Angels Fear to Tread apenas para os subtítulos em italiano, Dove Gli Angeli Temono Di Metter Piede.

As capas das edições italianas:

 

 


As capas das edições francesas:

 


E de bônus ainda temos esta intitulada Encuentro em Monteriano, da editora espanhola Intelect. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Where Angels Fear to Tread (1991)

Divulgação da prèmiere mundial, com presença da princesa Diana.
Where Angels Fear to Tread, um dos romances menos celebrados de E. M. Forster, foi agraciado com uma adaptação fidedigna e elogiável em 1991. Desta vez não foi fruto da maestria de James Ivory, responsável pelas adaptações mais conhecidas da obra de Forster, como A Room with a View (1985), Maurice (1987) e Howards End (1992), mas sim do diretor Charles Sturridge, que dez anos antes havia dirigido a excelente minissérie Brideshead Revisited

A maior qualidade do longa - que no Brasil recebeu o título de Por Onde os Anjos Não Passam - é a fidelidade do roteiro à obra original, que não se resume apenas à espinha dorsal da história, mas contempla vários detalhes que fazem a diferença no resultado final. 

Como grande apreciador de adaptações fiéis às obras literárias foi impossível não estimar imensamente esta digna produção. Where Angels Fear to Tread, o livro, não contém um enredo muito movimentado e o roteiro do filme reflete essa particularidade, não tendo trilhado o caminho de invencionices para acrescentar fatos alheios à obra original. Muitos podem achá-lo morno e tedioso, mas como adaptação é simplesmente impecável.

O elenco traz nomes já familiares às adaptações forsterianas, como Helena Bonham Carter, Rupert Graves e Judy Davis. Os dois primeiros já haviam nos brindado com atuações em A Room with a View e Maurice, enquanto a última esteve em A Passage to India (1984). O trio é um dos maiores trunfos do filme e os demais nomes do elenco, como Helen Mirren, também estão irrepreensíveis na película. A representação de Caroline Abbott (Helena Bonham Carter) é flagrantemente coerente com a personagem do livro: 

"[...] quieta, monótona [...] não havia nada em sua aparência ou maneiras que sugerisse o fogo da juventude." (capítulo II)

  Além disso, a evolução de sua personagem é desenvolvida de forma eficiente. 



Mirren dá vida a uma Lilia Herriton de idade um pouco mais avançada que a do romance. A atriz já tinha 46 anos quando interpretou a viúva de 33 anos, porém esse detalhe não faz diferença significativa na representação da personagem, que é uma das mais fascinantes. Já Rupert Graves estava em idade compatível com a do personagem do livro, mas o mesmo não se pode dizer acerca da sua beleza.

"[Philip Herriton] tinha uma testa bonita e um bom nariz grande [...] Mas abaixo do nariz e dos olhos tudo era confusão, e aquelas pessoas que acreditavam que o destino reside na boca e no queixo balançavam a cabeça quando olhavam para ele." (capítulo V)

Graves não compartilha de tal aparência com Philip, mas isso não é nenhum problema. Diferentemente do que acontece nas adaptações forsterianas em que havia já participado, nesta o ator tem bastante tempo de tela. Ele desfruta da oportunidade com sabedoria, visto que sua atuação como o contraditório filho da família Herriton é um dos grandes destaques do filme. 




A Harriet Herriton de Judy Davis é tão ou até mais irritante e histérica quanto a criação de Forster, também provocando algumas risadas em  momentos pontuais. A cena em que a personagem retira um quadro de uma santa que decorava seu quarto no Hotel Stella d'Italia e o observa com reprovação, escondendo-o em seguida embaixo da cama, é bastante simbólica de sua personalidade intransigente. Com seu olhar expressivo, o ator italiano Giovanni Guidelli entrega uma atuação totalmente condizente com o Gino Carella do livro, despertando impressões paradoxais no espectador: péssimo marido, bom pai, agressivo, honesto, amoroso... Gino concentra tudo isso e pode ser considerado um personagem marcado pela incógnita. 




Um detalhe da caracterização que pode parecer desimportante, mas que me incomodou, foi o estilo de penteado escolhido para as personagens Caroline Abbott (Helena Bonham Carter) e Harriet Herriton (Judy Davis), que envelheceu as atrizes de forma demasiada. Felizmente Lilia (Helen Mirren) não padece desse infortúnio. Os figurinos não são tão luxuosos quanto os de A Room with a View (1985), por exemplo, mas não deixam a desejar, contribuindo para a eficiente reconstituição histórica. 

Falando em reconstituição histórica, as locações não poderiam ser mais acertadas. A fictícia Monteriano ganhou vida fora das páginas do romance através da pequena cidade medieval de San Gimignano, na província de Siena, na Toscana. E não poderia ser diferente, já que E. M. Forster se inspirou nesta cidade situada no cume de uma colina para compor a sua Monteriano. No início dos anos 90, com suas torres remanescentes - assim como no romance - e arquitetura preservada, a cidade continuava remetendo totalmente à aura do livro. 




Assisti Where Angels Fear to Tread pela primeira vez em 2018, antes de ler o livro, e já gostei bastante do filme. Após a leitura, revisitei-o e constatei a fidelidade à história original, o que me fez apreciá-lo ainda mais. Ao ler a obra, as representações dos personagens e cenários do filme já estavam incutidos em minha mente, mas tenho certeza que se tivesse assistido ao filme somente após a leitura, as imagens criadas no meu consciente se encaixariam perfeitamente àquelas apresentadas pelo filme. Para finalizar, apenas posso dizer que a adaptação menos prestigiada de um romance de Forster merece ser mais conhecida, pois é um filme respeitoso à obra do escritor e tentou, ao máximo, fazer jus à sua criação. 

Imagens: Capturas de tela do acervo do blog. 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Woolf avalia Forster

Lançada em 1942, um ano depois da morte de Virginia Woolf, a coleção The Death of the Moth, and Other Essays reúne 28 trabalhos da escritora, alguns ainda inéditos na época em que a obra foi lançada. 

Os escritos foram selecionados por Leonard Woolf, que, numa nota editorial introdutória, nos conta que Virginia, pouco antes de sua morte, estava empenhada em coletar ensaios para um novo volume que pretendia publicar no outono de 1941 ou na primavera de 1942.

Entre os ensaios, esboços e contos, há uma avaliação da escritora sobre as obras de seu amigo E. M. Forster, desde seu primeiro romance, Where Angels Fear to Tread, até o derradeiro A Passage to India. Intitulado The Novels of E. M. Forster, o ensaio era um dos trabalhos inéditos publicados em The Death of the Moth, and Other Essays. 

Reproduzo a seguir o texto em nosso idioma. Boa leitura. No link abaixo, confira a obra completa:

The Death of the Moth, and Other Essays



Os romances de E. M. Forster


I


Muitos são os motivos que deveriam nos impedir de criticar a obra dos contemporâneos. Além da evidente inquietação - o medo de ferir sentimentos - existe também a dificuldade de ser justo. Saindo um a um, seus livros parecem partes de um desenho que aos poucos é descoberto. Nosso apreço pode ser intenso, mas nossa curiosidade é ainda maior. O novo fragmento acrescenta algo ao que vinha antes? Ele cumpre nossa teoria acerca do talento do autor ou devemos alterar nossa previsão? Essas questões perturbam o que deveria ser a superfície suave de nossa crítica e a tornam cheia de argumentos e questionamentos. Com um romancista como o Sr. Forster, isso é especialmente verdadeiro, pois ele é, em todo caso, um autor sobre o qual há considerável desacordo. Há algo desconcertante e evasivo na própria natureza de seus dons. Então, lembrando que estamos, na melhor das hipóteses, apenas construindo uma teoria que pode ser derrubada em um ou dois anos pelo próprio Sr. Forster, vamos levar os romances do Sr. Forster na ordem em que foram escritos, e tentar fazê-los nos dar uma resposta.

A ordem em que foram escritos é realmente de alguma importância, pois desde o início vemos que o Sr. Forster é extremamente suscetível à influência do tempo. Ele vê seu povo muito à mercê das condições que mudam com o passar dos anos. Ele tem uma consciência aguda da bicicleta e do automóvel; da escola pública e da universidade; do subúrbio e da cidade. O historiador social encontrará seus livros repletos de informações esclarecedoras. Em 1905, Lilia aprendeu a andar de bicicleta, desceu a High Street na noite de domingo e caiu na curva da igreja. Por isso, teve uma conversa com seu cunhado, que ela lembrou até o dia de sua morte. É numa terça-feira que a empregada limpa a sala de estar em Sawston. As solteironas sopram nas luvas quando as tiram. O Sr. Forster é um romancista, ou seja, vê seu povo em contato próximo com o ambiente. E, portanto, a cor e a constituição do ano de 1905 o afetam muito mais do que qualquer ano no calendário poderia afetar a romântica Meredith ou o poético Hardy. Mas descobrimos ao virar a página que a observação não é um fim em si mesma; é antes o aguilhão, a mosca levando o Sr. Forster a fornecer um refúgio dessa miséria, uma fuga dessa mesquinhez. Conseqüentemente, chegamos ao equilíbrio de forças que desempenha um papel tão importante na estrutura dos romances de Forster. Sawston implica a Itália; timidez, selvageria; convenção, liberdade; irrealidade, realidade. Esses são os vilões e heróis de grande parte de seus escritos. Em Where Angels Fear to Tread, a doença, a convenção e o remédio, a natureza, são fornecidos com uma simplicidade muito ansiosa, uma garantia muito simples, mas com que frescor, que encanto! Na verdade, não seria excessivo se descobríssemos nesta primeira e leve evidência de poderes que apenas precisavam, pode-se arriscar, uma dieta mais generosa para amadurecer em riqueza e beleza. Vinte e dois anos poderiam muito bem ter tirado o ferrão da sátira e mudado as proporções do todo. Mas, se isso é verdade até certo ponto, os anos não tiveram o poder de obliterar o fato de que, embora o Sr. Forster possa ser sensível à bicicleta e ao espanador, ele também é o devoto mais persistente da alma. Debaixo de bicicletas e espanadores, Sawston e Itália, Philip, Harriet e Miss Abbott, sempre existe para ele - é isso que o torna um satírico tão tolerante - um núcleo ardente. É a alma; é realidade; é verdade; é poesia; é amor; ela se adorna com muitas formas, se veste com muitos disfarces. Mas ele deve chegar lá; ele não pode evitar. Sobre freios e estábulos, sobre tapetes de sala de estar e aparadores de mogno, ele voa em sua perseguição. Naturalmente, o espetáculo às vezes é cômico, muitas vezes fatigante; mas há momentos - e seu primeiro romance fornece vários exemplos - em que ele põe as mãos no prêmio.

Virginia Woolf em 1902. Fotografia: George Charles Beresford.
No entanto, se nos perguntarmos em que ocasiões e como isso acontece, parecerá que as passagens que são menos didáticas, menos conscientes da busca pela beleza são as que melhor conseguem alcançá-la. Quando ele se permite uma folga - alguma frase como essa vem aos nossos lábios; quando ele esquece a visão e brinca e se diverte com o fato; quando, tendo plantado os apóstolos da cultura em seu hotel, ele cria alegre, alegre, espontaneamente, Gino, o filho do dentista sentado no café com seus amigos, ou descreve - é uma obra-prima da comédia - a performance de Lucia Di Lammermoor, é então que sentimos que seu objetivo foi alcançado. Julgando, portanto, com base nas evidências deste primeiro livro, com sua fantasia, sua penetração, seu notável senso de design, deveríamos ter dito que uma vez que o Sr. Forster adquirisse a liberdade, ultrapassasse as fronteiras de Sawston, ele permaneceria firme em pé entre os descendentes de Jane Austen e Peacock. Mas o segundo romance, The Longest Journey, nos deixa perplexos e confusos. A oposição ainda é a mesma: verdade e inverdade; Cambridge e Sawston; sinceridade e sofisticação. Mas tudo é acentuado. Ele constrói seu Sawston com tijolos mais grossos e o destrói com explosões mais fortes. O contraste entre poesia e realismo é muito mais abrupto. E agora vemos com muito mais clareza a tarefa dons comprometem. Vemos que o que pode ter sido um humor passageiro é na verdade uma convicção. Ele acredita que um romance deve tomar partido no conflito humano. Ele vê a beleza - nada mais intensamente; mas a beleza aprisionada em uma fortaleza de tijolo e argamassa de onde ele deve libertá-la. Portanto, ele é sempre obrigado a construir a gaiola - a sociedade em toda a sua complexidade e trivialidade - antes de poder libertar o prisioneiro. O ômnibus, a villa, a residência suburbana são uma parte essencial de seu projeto. Eles são obrigados a aprisionar e impedir a chama voadora que está implacavelmente enjaulada atrás deles. Ao mesmo tempo, ao lermos The Longest Journey, percebemos um espírito escarnecedor de fantasia que zomba de sua seriedade. Ninguém apreende com mais habilidade as tons e as sombras da comédia social; ninguém mais diverte-se com a comédia do almoço e da festa do chá e uma partida de tênis na reitoria. Suas solteironas, seu clero, são as mais realistas que tivemos desde que Jane Austen largou a caneta. Mas ele tem no negócio o que Jane Austen não tinha - os impulsos de um poeta. A superfície pura está sendo sempre desordenada por uma explosão de poesia lírica. Repetidamente, em The Longest Journey, ficamos maravilhados com alguma descrição requintada do país; ou alguma visão adorável - como aquela quando Rickie e Stephen mandam os barcos de papel queimando através do arco - torna-se visível para nós para sempre. Aqui, então, está uma família de dons difícil de persuadir a viver em harmonia: sátira e simpatia; fantasia e fato; poesia e um senso moral primitivo. Não é de se admirar que muitas vezes estejamos cientes de correntes contrárias que se opõem umas às outras e impedem o livro de nos atingir e nos sobrecarregar com a autoridade de uma obra-prima. No entanto, se há um dom mais essencial para um romancista do que outro, é o poder da combinação - a visão única. O sucesso das obras-primas parece residir não tanto em sua liberdade de falhas - na verdade, toleramos os erros mais grosseiros de todas elas - mas na imensa capacidade de persuasão de uma mente que dominou completamente sua perspectiva.



II
 

Procuramos então, com o passar do tempo, sinais de que o Sr. Forster está se comprometendo; que ele está se aliando a um dos dois grandes campos aos quais pertence a maioria dos romancistas. Falando grosseiramente, podemos dividi-los em pregadores e professores, chefiados por Tolstói e Dickens, de um lado, e os artistas puros, chefiados por Jane Austen e Turgenev, do outro. O Sr. Forster, ao que parece, tem um forte impulso de pertencer aos dois campos ao mesmo tempo. Ele tem muitos dos instintos e aptidões do artista puro (para adotar a velha classificação) - um estilo de prosa requintado, um senso agudo de comédia, um poder de criar personagens em alguns traços que vivem numa atmosfera própria; mas ao mesmo tempo está altamente consciente de uma mensagem. Atrás do arco-íris de inteligência e sensibilidade há uma visão que ele está determinado a ver. Mas sua visão é de um tipo peculiar e sua mensagem de natureza elusiva. Ele não tem grande interesse em instituições. Ele não tem aquela grande curiosidade social que marca o trabalho do Sr. Wells. A lei do divórcio e a lei dos pobres recebem pouca atenção dele. Sua preocupação é com a vida privada; sua mensagem é dirigida à alma. “É a vida privada que estende o espelho ao infinito; relação pessoal, e apenas isso, que sempre sugere uma personalidade além de nossa visão diária.” Nosso negócio não é construir em tijolo e argamassa, mas reunir o visível e o invisível. Devemos aprender a construir a “ponte do arco-íris que deve conectar a prosa existente em nós com a paixão. Sem ela, somos fragmentos sem sentido, meio monges, meio bestas.” Essa crença de que o que importa é a vida privada, que é a alma eterna, permeia todos os seus escritos. É o conflito entre Sawston e a Itália em Where Angels Fear to Tread; entre Rickie e Agnes em The Longest Journey; entre Lucy e Cecil em A Room with a View. Aprofunda, torna-se mais insistente com o passar do tempo. Isso o força a partir dos romances mais leves e caprichosos, passando por aquele curioso interlúdio, The Celestial Omnibus, para os dois grandes livros, Howards End e A Passage to India, que marcam seu apogeu.

Mas antes de considerarmos esses dois livros, vamos examinar por um momento a natureza do problema em que ele se coloca. É a alma que importa; e a alma, como vimos, está enjaulada em uma sólida villa de tijolos vermelhos em algum lugar nos subúrbios de Londres. Parece, então, que para que seus livros tenham sucesso em sua missão, sua realidade deve, em certos pontos, irradiar-se; seu tijolo deve estar iluminado; devemos ver todo o edifício saturado de luz. Devemos acreditar imediatamente na realidade completa do subúrbio e na realidade completa da alma. Nessa combinação de realismo e misticismo, sua maior afinidade é, talvez, com Ibsen. Ibsen tem o mesmo poder realista. Uma sala é para ele uma sala, uma escrivaninha é uma escrivaninha e um cesto de lixo é um cesto de lixo. Ao mesmo tempo, a parafernália da realidade deve, em certos momentos, se tornar o véu através do qual vemos o infinito. Quando Ibsen consegue isso, como certamente o faz, não é realizando algum truque de mágica milagroso no momento crítico. Ele consegue isso nos colocando no clima certo desde o início e nos dando os materiais certos para o seu propósito. Ele nos dá o efeito da vida comum, como o Sr. Forster, mas nos dá escolhendo alguns fatos e aqueles de tipo altamente relevante. Assim, quando chega o momento da iluminação, nós o aceitamos implicitamente. Não estamos nem excitados nem confusos; não precisamos nos perguntar: o que isso significa? Sentimos simplesmente que aquilo para o que estamos olhando está iluminado e suas profundezas reveladas. Não deixou de ser ele mesmo ao se tornar outra coisa.

Algo do mesmo problema está diante do Sr. Forster - como conectar a coisa real com o significado da coisa e transportar a mente do leitor através do abismo que divide os dois sem derramar uma única gota de sua crença. Em certos momentos no Arno, em Hertfordshire, em Surrey, a beleza salta da bainha, o fogo da verdade arde através da terra com crostas; devemos ver a vila de tijolos vermelhos nos subúrbios da Londres iluminada. Mas é nessas grandes cenas que justificam a enorme elaboração do romance realista que temos mais consciência do fracasso. Pois é aqui que o Sr. Forster faz a mudança do realismo para o simbolismo; aqui que o objeto que foi tão intransigentemente sólido se torna, ou deveria se tornar, luminosamente transparente. Ele falha, somos tentados a pensar, principalmente porque aquele seu admirável dom de observação serviu-lhe muito bem. Ele gravou muito e literalmente. Ele nos deu uma imagem quase fotográfica em um lado da página; por outro, ele nos pede para ver a mesma vista transformada e radiante com fogos eternos. A estante que caiu sobre Leonard Bast em Howards End talvez devesse cair sobre ele com todo o peso morto da cultura desidratada; as cavernas de Marabar não deveriam nos parecer cavernas reais, mas, podem ser, a alma da Índia. Miss Quested deveria ser transformada de uma garota inglesa em um piquenique para a Europa arrogante vagando no coração do Leste e lá se perdendo. Qualificamos essas afirmações, pois, de fato, não temos certeza se adivinhamos corretamente. Em vez de obter aquela sensação de certeza instantânea que temos em The Wild Duck ou em The Master Builder, ficamos perplexos, preocupados. O que isto significa? nós nos perguntamos. O que devemos entender por isso? E a hesitação é fatal. Pois duvidamos de ambas as coisas - o real e o simbólico: Sra. Moore, a boa senhora, e Sra. Moore, a sibila. A conjunção dessas duas realidades diferentes parece lançar dúvidas sobre ambas. É por isso que muitas vezes há uma ambigüidade no cerne dos romances de Forster. Sentimos que algo nos falhou no momento crítico; e em vez de ver, como fazemos em The Master Builder, um todo único, vemos duas partes separadas.

As histórias coletadas sob o título de The Celestial Omnibus representam, possivelmente, uma tentativa da parte do Sr. Forster de simplificar o problema que tantas vezes o incomoda de conectar a prosa e a poesia da vida. Aqui ele admite definitivamente, embora discretamente, a possibilidade da magia. Os ônibus vão para o céu; Pã é ouvido no mato; meninas se transformam em árvores. As histórias são extremamente charmosas. Eles liberam a fantasia que é colocada sob os pesados ​​fardos dos romances. Mas a veia da fantasia não é profunda ou forte o suficiente para lutar sozinho contra os outros impulsos que fazem parte de seu dom. Sentimos que ele é um vagabundo inquieto no país das fadas. Atrás da cerca viva, ele sempre ouve a buzina do motor e os passos arrastados de viajantes cansados, e logo deve voltar. Na verdade, um pequeno volume contém tudo o que ele se permitiu em pura fantasia. Passamos da terra esquisita onde os meninos pulam nos braços de Pan e as meninas se transformam em árvores para as duas senhoritas Schlegels, que têm uma renda de seiscentas libras cada e moram em Wickham Place.



III


Embora possamos lamentar a mudança, não podemos duvidar de que ela estava certa. Pois nenhum dos livros anteriores a Howards End e A Passage to India se valeu de toda a gama de poderes do Sr. Forster. Com sua estranha e de certa forma contraditória variedade de dons, ele precisava, ao que parecia, de algum assunto que estimulasse sua inteligência altamente sensível e ativa, mas não exigisse os extremos do romance ou da paixão; um assunto que lhe desse material para crítica e convidou à investigação; um assunto que pedisse para ser construído a partir de um enorme número de observações leves, porém precisas, capazes de ser testadas por uma mente extremamente honesta, porém simpática; no entanto, com tudo isso, um tema que, quando finalmente construído, surgiria contra as torrentes do pôr do sol e as eternidades da noite com um significado simbólico. Em Howards End, a classe média baixa, a média e a classe média alta da sociedade inglesa são construídas em uma estrutura completa. É uma tentativa em uma escala maior do que até agora e, se falhar, o tamanho da tentativa é amplamente responsável. Na verdade, quando pensamos nas muitas páginas deste livro elaborado e altamente habilidoso, com suas imensas realizações técnicas, e também sua penetração, sua sabedoria e sua beleza, podemos nos perguntar em que humor do momento podemos ter sido levados a chamá-lo de fracasso. Por todas as regras, ainda mais pelo grande interesse com que o lemos do início ao fim, deveríamos ter dito sucesso. A razão é sugerida talvez pela maneira como alguém elogia. Elaboração, habilidade, sabedoria, penetração, beleza - estão todos lá, mas carecem de fusão; eles carecem de coesão; o livro como um todo carece de força. Schlegels, Wilcoxes e Basts, com tudo o que representam de classe e ambiente, emergem com extraordinária verossimilhança, mas todo o efeito é menos satisfatório do que o de Where Angels Fear to Tread, muito mais leve, mas lindamente harmonioso. Mais uma vez, temos a sensação de que há alguma perversidade na dotação do Sr. Forster, de modo que seus dons, em sua variedade e número, tendem a se confundir. Se ele fosse menos escrupuloso, menos justo, menos sensível aos diferentes aspectos de cada caso, ele poderia, sentimos, descer com mais força em um ponto preciso. Do jeito que está, a força de seu golpe se dissipou. Ele é como uma pessoa com sono leve que está sempre sendo acordado por alguma coisa na sala. O poeta é perturbado pelo satírico; o comediante leva um tapinha no ombro do moralista; ele nunca se perde ou se esquece por muito tempo, pelo puro deleite na beleza ou no interesse das coisas como elas são. Por esta razão, as passagens líricas de seus livros, muitas vezes de grande beleza em si mesmas, falham em seu devido efeito no contexto. Em vez de florescer naturalmente - como em Proust, por exemplo - de um transbordamento de interesse e beleza no próprio objeto, sentimos que eles foram chamados à existência por alguma irritação, são o esforço de uma mente indignada com a feiura para complementá-lo com uma beleza que, por se originar do protesto, tem algo um pouco febril.


E. M. Forster fotografado por Virginia Woolf em 1939, em Monk's House, a casa da escritora em East Sussex.


Ainda assim, sente-se que em Howards End existem na solução todas as qualidades necessárias para fazer uma obra-prima. Os personagens são extremamente reais para nós. A ordem da história é magistral. Essa coisa indefinível, mas altamente importante, a atmosfera do livro, está iluminada com inteligência; nem uma partícula de farsa, nem um átomo de falsidade pode se estabelecer. E, novamente, mas em um campo de batalha maior, prossegue a luta que ocorre em todos os romances de Forster - a luta entre as coisas que importam e as coisas que não importam, entre a realidade e a farsa, entre a verdade e a mentira. Mais uma vez, a comédia é requintada e a observação perfeita. Mas, novamente, quando estamos nos entregando aos prazeres da imaginação, um pequeno empurrão nos desperta. Recebemos um tapinha no ombro. Devemos observar isso, dar atenção a isso. Margaret ou Helen, somos levados a entender, não está falando simplesmente como ela mesma; suas palavras têm outra e uma intenção maior. Assim, esforçando-nos para descobrir o significado, passamos do mundo encantado da imaginação, onde nossas faculdades funcionam livremente, para o mundo crepuscular da teoria, onde apenas o nosso intelecto funciona obedientemente. Esses momentos de desilusão costumam vir quando o Sr. Forster está mais sério, na crise do livro, onde a espada cai ou a estante de livros cai. Eles trazem, como já observamos, uma curiosa insubstancialidade nas “grandes cenas” e nas figuras importantes. Mas eles se ausentam totalmente da comédia. Eles nos fazem desejar, tolamente, descartar os dons do Sr. Forster de forma diferente e restringi-lo a escrever apenas comédias. Pois imediatamente ele deixa de se sentir responsável pelo comportamento de seus personagens e esquece que deve resolver o problema do universo, ele é o mais divertido dos romancistas. O admirável Tibby e a requintada Sra. Munt em Howards End, embora tenham sido usados principalmente para nos divertir, trazem consigo uma lufada de ar fresco. Eles nos inspiram com a crença inebriante de que são livres para vagar tão longe de seu criador quanto quiserem. Margaret, Helen, Leonard Bast, estão intimamente amarrados e vigilantemente supervisionados, para que não tomem as decisões por conta própria e perturbem a teoria. Mas Tibby e a Sra. Munt vão aonde querem, dizem o que gostam, fazem o que gostam. Os personagens menores e as cenas sem importância nos romances do Sr. Forster, portanto, muitas vezes permanecem mais vivas do que aqueles com os quais, aparentemente, a maior parte da dor foi tomada. Mas seria injusto abandonar este livro grande, sério e altamente interessante sem reconhecer que é uma peça importante, embora insatisfatória, que pode muito bem ser o prelúdio de algo tão grande, mas menos ansioso.



IV


Muitos anos se passaram até que A Passage to India aparecesse. Ficaram desapontados aqueles que esperavam que, no intervalo, o Sr. Forster pudesse ter desenvolvido sua técnica de modo que ela cedesse com mais facilidade às impressões de sua mente caprichosa e desse uma saída mais livre para a poesia e a fantasia que circulavam nele. A atitude é precisamente a mesma atitude quadrangular que ganha vida como se fosse uma casa com porta de entrada, põe o chapéu na mesa do vestíbulo e passa a visitar todos os cômodos de maneira ordenada. A casa ainda é a casa da classe média britânica. Mas há uma diferença de Howards End. Até agora, o Sr. Forster costumava impregnar seus livros como uma anfitriã cuidadosa, ansiosa por apresentar, explicar, alertar seus convidados sobre um passo aqui, um esboço ali. Mas aqui, talvez em alguma desilusão tanto com seus convidados quanto com sua casa, ele parece ter relaxado essas preocupações. Podemos passear por este extraordinário continente quase sozinhos. Notamos coisas, principalmente sobre o país, espontaneamente, quase acidentalmente, como se estivéssemos realmente lá; e agora são os pardais voando em volta das imagens que atraem nossos olhos, ora o elefante com a testa pintada, ora as enormes mas mal projetadas cadeias de colinas. As pessoas também, especialmente os indianos, têm algo da mesma qualidade casual e inevitável. Talvez não sejam tão importantes quanto a terra, mas estão vivos; eles são sensíveis. Não sentimos mais, como costumávamos sentir na Inglaterra, que eles só poderão ir até um certo ponto e não mais, para que não perturbem alguma teoria do autor. Aziz é um agente livre. Ele é o personagem mais imaginativo que Forster já criou e lembra o dentista Gino em seu primeiro livro, Where Angels Fear to Tread. De fato, podemos supor que ajudou o Sr. Forster a colocar o oceano entre ele e Sawston. É um alívio, por um tempo, estar além da influência de Cambridge. Embora ainda seja necessário para ele construir um mundo modelo que possa submeter a críticas delicadas e precisas, o modelo está em uma escala maior. A sociedade inglesa, com toda a sua mesquinhez, vulgaridade e traço de heroísmo, é colocada em um contexto maior e mais sinistro. E embora ainda seja verdade que existem ambigüidades em lugares importantes, momentos de simbolismo imperfeito, um acúmulo de fatos maior do que a imaginação é capaz de lidar, parece que a visão dupla que nos perturbava nos livros anteriores estava em processo de se tornar singela. A saturação é muito mais completa. O Sr. Forster quase alcançou a grande façanha de animar este corpo de observação denso e compacto com uma luz espiritual. O livro mostra sinais de fadiga e desilusão; mas tem capítulos de beleza clara e triunfante e, acima de tudo, nos faz pensar: O que ele escreverá a seguir?

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Três livros, um volume


Minha última aquisição foi esta edição de 1993 da editora estadunidense Gramercy Books, que reúne três romances de Forster: Where Angels Fear to Tread, A Room with a View e Howards End, nesta ordem.

Adquiri o livro na Estante Virtual e não poderia estar mais satisfeito. A edição é linda, caprichada e, sem dúvidas, um novo destaque em minha coleção. Ainda não possuía Where Angels Fear to Tread, o primeiro romance de Forster, nunca lançado em português brasileiro. Havia lido a obra no sempre recomendado Project Gutenberg.

Além de uma capa dura com design elegante, a edição tem folhas de guarda com assinaturas de outros autores publicados nessa série da Gramercy, como Charles Dickens e Edgar Allan Poe. O corte do livro em dourado remata o luxo da edição. A obra contém uma introdução com um resumo biográfico do escritor e os três romances estão dispostos em 503 páginas. 



terça-feira, 21 de julho de 2020

Capas da Penguin Classics

Ao longo da primeira década dos anos 2000, a editora britânica Penguin Books lançou vários livros de E. M. Forster na sua célebre série Penguin Classics. Reuni as capas das obras publicadas nesse período, sob a tradicional identidade visual ao mesmo tempo tão simples e tão elegante. 

No total, foram oito livros: os seis romances, Aspects of the Novel e uma coletânea intitulada Selected Stories, que apesar do título diferente, possui o mesmo conteúdo de Collected Short Stories (1947), ou seja, todos os doze contos publicados por Forster em vida. Em 2018, A Room with a View recebeu uma nova edição com capa diferente, conforme noticiei no blog. Gosto de todas as capas, mas as minhas favoritas são as de Where Angels Fear to Tread e A Room with a View