Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de outubro de 2026

A Room with a View, o musical



Lançado oficialmente no ano passado, o musical A Room with a View continua tendo novidades divulgadas. Mas antes de falar a respeito das últimas notícias dessa produção norte-americana, é forçoso fazer um apanhado sobre o musical em si.  

O espetáculo foi idealizado pelo artista de teatro musical e compositor Cody Gerszewski, que também assina a música, letras e libreto. Com escalação de atores da Broadway, foi apresentado exclusivamente para profissionais do setor em 2024 e 2025, em Nova York. Nas duas ocasiões, a produção ficou a cargo de Scott Brusven, enquanto Katie Coleman assumiu a direção musical. 

Seguiram-se algumas apresentações em formato concerto, com parte do elenco interpretando números específicos e trechos do musical em eventos em Nova York.




Em abril deste ano, as demos de três canções do musical foram disponibilizadas em plataformas digitais. "Beautiful", "Answer Me, Lucy" e "Violets" foram adicionadas ao Spotify, chegando posteriormente ao Apple Music e YouTube. Confira a seguir:


 

Já em agosto, foi anunciado que o elenco e a banda de quatro integrantes do espetáculo gravariam um single de estúdio chamado "Florence", com a gravadora nova-iorquina Joy Machine Records. Agora chegamos às novidades divulgadas recentemente. Semana passada, o Instagram do musical comunicou que "Florence", que é a música de abertura do espetáculo, será lançada oficialmente em 04 de dezembro, com produção de Zack Berger, Scott M. Brusven, Samuel J. Olson e Ron & Anne Jacobs. É possível comprá-la na pré-venda aqui e escutar uma prévia da canção clicando na imagem abaixo.


A capa do single "Florence", que será lançado em 04 de dezembro pela Joy Machine Records. 

De acordo com o site de Cody Gerszewski, no momento os responsáveis pelo musical estão em busca de produtores, líderes e equipes de direção artística que possam ajudar a criar e aprimorar novas obras. Assim como A Passage to India, de Doug DeVita, sobre a qual falei recentemente, A Room with a View ainda não teve oportunidade de sair em uma série de apresentações por temporada, o que é uma pena. 

Desde 2024, aconteceram mudanças importantes no elenco, incluindo no casal protagonista. Lucy Honeychurch inicialmente foi interpretada por Katie Claire McGrath, papel assumido no momento por Kaley Ann Voorhees. Noah Barnes também deixou de interpretar George Emerson, passando o papel para Sean Seamus Thompson. Atores secundários também foram substituídos. Abaixo, o elenco e a banda atuais, que gravaram o single "Florence":

Elenco: 

Kaley Ann Voorhees: Lucy Honeychurch;
Sean Seamus Thompson: George Emerson;
Matthew Patrick Quinn: Sr. Emerson;
Lara Hayhurst: Charlotte Bartlett;
Robert Anthony Jones: Sr. Beebe;
Ellen Harvey: Eleanor Lavish.

Banda: 

Piano: Drew Wutke;
Flauta: Victoria Carchietta;
Violino: Adam von Housen;
Violoncelo: Sarah Overton.


Leituras recomendadas: 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Cecil Vyse Sugere [I]

Em A Room with a View (1985), Daniel Day-Lewis deu vida a Cecil Vyse.


Durante minhas pesquisas diárias sobre notícias e conteúdos relacionados a E. M. Forster sempre encontro novidades até certo ponto interessantes, mas não o suficiente para motivar um post avulso. Por isso, imaginei que seria uma boa ideia fazer posts ocasionais reunindo essas notas e informações breves. Espero que seja útil.

O nome da nova seção é Cecil Vyse Sugere simplesmente porque queria personalizá-la com uma figura forsteriana e deixar a coisa um pouco mais espirituosa. O esnobe Cecil não é nenhum grande exemplo, mas é uma figura bem singular em A Room with a View e, de certa forma, tem uma tímida redenção ou modificação positiva na sua despedida.  

Vamos, então, às sugestões do Sr. Vyse.


Em 20 de novembro, o The Morningside Institute, em Nova York, vai promover o seminário The Wish of the Machine: E.M. Forster and Technological Worship (O Desejo da Máquina: E. M. Forster e o Culto Tecnológico, em tradução livre). Os temas abordados serão "os impulsos religiosos dos tecnólogos de hoje e os usos da ficção distópica para discussões racionais sobre inteligência artificial".

O ministrante será Nathaniel Ijams, diretor de Operações do instituto e graduado em História pela Universidade de Columbia.

The Morningside Institute é uma organização sem fins lucrativos independente fundada em 2017, que promove debates sobre humanidades, artes e filosofia para estudantes universitários e recém-formados.




Falando em The Machine Stops, o conto distópico tem lugar garantido em duas listas publicadas nos últimos dias: 


"A história de Forster prevê muito mais do que o avanço tecnológico. [...] A rede global é uma previsão notável; o alerta da história sobre a dependência dela é o que mantém o livro atual."


"Ao escrever que o homem está sendo 'estrangulado nas vestes que teceu', Forster implica que o domínio genuíno da tecnologia requer a capacidade de viver sem ela."



No site da tradicional revista The American Scholar, a escritora Bonnie Friedman publicou um ensaio sobre uma mudança pessoal em relação à literatura: a capacidade de recordar do que leu mesmo após bastante tempo. Ela cita Howards End para exemplificar o momento de virada:

"Li devagar, sublinhando, desenhando estrelas, rabiscando anotações nas margens. Isso me permitiu perceber como Forster organizava os pontos da trama como peças de dominó bem próximas umas das outras. Agora eu também conseguia ver a importância estratégica do crescendo dramático que leva ao que alguns romancistas chamam de cena de fogos de artifício, que nas mãos de Forster transforma tudo, e que ocorre por volta dos 70% do livro, marcando o fim do longo segundo ato. Depois que percebi esse ponto de virada, ele me vinha à mente sempre que pensava no romance. O livro agora tinha uma forma, que se tornou uma espécie de recurso mnemônico visual, e a cena dos fogos de artifício evocava as cenas que a antecediam e as que a sucediam."

Vale a pena ler o ensaio completo: It’s All in Your Head, por Bonnie Friedman.




Inspirado pela recém-estreada adaptação de Sense and Sensibility, de Jane Austen, o site Comic Basics listou 15 filmes semelhantes ao longa. Entre eles, estão A Room with a View (1985) e Howards End (1992).







Pelo menos dois clubes de leitura internacionais estão lendo E. M. Forster. 

O primeiro é em Sirmione, uma pequena comuna italiana da região da Lombardia. E vejam só, o livro escolhido é The Machine Stops. O Sirmione Book Club English, como o próprio nome diz, dedica-se a obras em língua inglesa. A discussão do livro de Forster será em 12 de novembro, na Sirmione Public Library, quando a próxima leitura já será anunciada. 




O segundo é o Queer Book Club Houston, no Texas. Neste caso, haverá uma exibição limitada de Maurice (1987) no River Oaks Theatre em 01 de novembro, às 15h. Depois do filme, os membros do clube vão discutir o romance, às 18h, na Brazos Bookstore, a livraria independente mais antiga de Houston. 






Continuam saindo excelentes reviews da peça A Room with a View, em cartaz no Belvoir St. Theatre, em Sydney, sobre a qual falei dias atrás por aqui. Confira mais algumas: 




Para encerrar, uma imagem do filme A Handful of Dust (1988), baseado em obra de Evelyn Waugh, que assisti meses atrás. No Brasil, o longa recebeu o título Um Punhado de Pó. O elenco conta com quatro atores e atrizes que já atuaram em adaptações forsterianas: James Wilby (Maurice, 1987; Howards End, 1992), Rupert Graves (A Room with a View, 1985; Maurice, 1987; Where Angels Fear to Tread, 1991), Judi Dench (A Room with a View, 1985) e Alec Guinness (A Passage to India, 1984).


 Rupert Graves (John Beaver) e James Wilby (Tony Last) em cena de A Handful of Dust, lançado menos de um ano depois de Maurice (1987). | Foto: IMDB.


O filme de Charles Sturridge, que também dirigiu Where Angels Fear to Tread (1991), é excelente, com exceção do desfecho desesperador de Tony Last, personagem de James Wilby. Todavia, esse final é fiel à obra de Waugh, conforme minha pesquisa posterior.  

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A Passage to India, por DeVita

A capa da releitura de A Passage to India e o dramaturgo Doug DeVita. | Imagens: Next Stage Press e Site oficial Doug DeVita.


Semana passada, o dramaturgo nova-iorquino Doug DeVita lançou sua adaptação de A Passage to India em formato de livro. A obra foi publicada pela Next Stage Press, que se define como "uma pequena editora de peças teatrais que, geralmente, são ignoradas pelos grandes grupos editoriais".

A releitura assinada por Doug DeVita tem sido descrita como ousada e provocativa. O texto dá vazão às paixões ocultas, subtexto homoerótico, desejos e tensões emocionais e românticas que ficaram latentes no clássico devido às restrições da época de sua publicação.

O elenco da peça é formado por seis homens e três mulheres, que se movimentam num cenário minimalista durante mais de 90 minutos. Narrada em estilo teatral de contador de histórias, a trama se desenrola em um ritmo frenético e emocionalmente intenso. 

O site ArtsIndependent traz algumas informações que merecem destaque:

"Para DeVita, o impulso de adaptar A Passage to India não nasceu de um exercício acadêmico, mas de uma relação profundamente pessoal, que já dura décadas, com o texto. Ele teve seu primeiro contato com a narrativa no início de 1985, através da adaptação cinematográfica de David Lean, de 1984.

'Fiquei tão impressionado com o filme que assisti a três sessões em um único dia', lembra DeVita. 'No dia seguinte, corri para a Barnes & Noble para comprar o livro e o li inteiro naquela noite.'

[...] 'Por mais abrangente que seja A Passage to India, em sua essência é uma história íntima de três pessoas: Dr. Aziz, Adela Quested e Cyril Fielding, juntamente com Mahmoud Ali, amigo de longa data do Dr. Aziz', observa DeVita. 'Tudo o que fiz foi centrar uma história de amor em seres humanos perdidos que encontram o caminho de volta para si mesmos — suas próprias passagens para a Índia, por assim dizer.'"

A peça foi encenada pela primeira vez em 20 de julho deste ano, no Cullum Theatre, que integra o complexo do American Theatre of Actors (ATA), em Nova York (veja convite ao lado). Essa apresentação foi exclusiva para profissionais do setor, como produtores, agentes, diretores de elenco, especialistas da área e representantes da imprensa.  

O elenco contou com Joy Franz (Mrs. Moore) e David Sabella (Mr. McBride), ambos colaboradores de longa data de DeVita, além de Nitin Madan, Chris Ikner, Marie Eléna O'Brien, Anuj Parikh, David L. Carson, Patricia Randell e Benjamin I. Cardona.

Ao que parece, essa apresentação especial em julho não gerou interesse suficiente nos profissionais da indústria teatral – e consequente financiamento – para levar o espetáculo ao grande público. 

Espero estar equivocado a esse respeito e que, em breve, possa noticiar uma temporada da adaptação. De acordo com o site oficial do dramaturgo, a peça está atualmente em fase de desenvolvimento e disponível apenas para leituras exploratórias. É possível ler o primeiro ato completo no site da Next Stage Press. 

O evento de lançamento do livro, na semana passada, em Nova York, teve debate com o público, sessão de autógrafos e gravação ao vivo do podcast The Drama Book Show!, com a participação de Doug DeVita. Tudo aconteceu na livraria The Drama Book Shop. A seguir, confira o episódio do podcast, que conta com um trecho da peça representado ao vivo: 



UPDATE 16/10/2026: A página do podcast The Drama Book Show! no Instagram postou hoje sobre a participação de Doug DeVita. O elenco de A Passage to India também esteve presente. 



Doug Devita e o co-host do podcast, David Rigano.



Os atores Joy Franz e Nitin Madan encenam um trecho da peça para o podcast.  



O dramaturgo e o elenco. Primeira fila, da esquerda para a direita: Joy Franz, Patricia Randell, Doug DeVita, Carole Monferdini, Marie Eléna O'Brien. Segunda fila, da esquerda para a direita: Nitin Madan, Anuj Parikh, David Sabella, Mary Powellson, David Carson, David Mackler.

Fotos: Dan Lane Williams. 

sábado, 10 de outubro de 2026

A Room with a View na Austrália


Nathalie Morris interpreta Lucy Honeychurch na nova adaptação de A Room with a View. | Imagem (detalhe): Daniel Boud.

Em 2022, a dramaturga e roteirista australiana Grace Chapple estava visitando Florença enquanto escutava o audiolivro de A Room with a View e acompanhava a protagonista Lucy Honeychurch fazendo o mesmo pelas ruas da cidade italiana. Chapple logo percebeu que, além de uma história em torno de um triângulo amoroso, se tratava também de um romance sobre amadurecimento. 

Ano passado, ainda deslumbrada com o potencial teatral da obra, ela decidiu adaptá-la para os palcos. A estreia aconteceu há exatamente uma semana, no Belvoir St. Theatre, em Sydney, onde seguirá em cartaz até 01 de novembro. (UPDATE 13/10/2026: devido ao sucesso com público e crítica, a peça agora ficará em cartaz até 08 de novembro).

O espetáculo tem direção de Hannan Goodwin e é protagonizado por Nathalie Morris (Lucy Honeychurch) e Luke Wilshire (George Emerson). Apesar dos figurinos remeterem ao início do século XX, a peça tem elementos de reinvenção contemporânea, com um cenário que pode ser considerado minimalista. A história é contada em primeira e terceira pessoa, com vários personagens assumindo o papel de narrador. 


Cena de A Room with a View, a adaptação australiana. | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


Nas críticas que li, as descrições de duas cenas específicas me chamaram atenção:

"A peça começa com Lucy (Nathalie Morris) e sua prima Charlotte (Hayley McElhinney), que a acompanha, abrindo a janela do quarto de hotel em Florença – para descobrir que, na verdade, não há a vista prometida. Sabemos disso porque um cartaz de papelão é exibido do lado de fora da janela, anunciando "Sem Vista". Isso arranca uma risada imediata da plateia e prepara o terreno para a produção estratégica e inteligente da diretora Hannah Goodwin, que tanto encena a ação quanto a comenta." [...]


[...] "Esta adaptação também inclui, de forma proativa, histórias de amor que Forster não pôde (mas claramente desejava). O público demonstra um deleite palpável quando o reprimido Reverendo Beebe (o sempre excepcional Tom Conroy) e o irmão de Lucy, Freddy (Tomáš Kantor, em um dos vários personagens devastadoramente charmosos que ele cria), se beijam." (Laura Gunters, do The Conversation)


Mr. Beebe (Tom Conroy) e Freddy (Tomáš Kantor). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


A peça se estende por 2 horas e 50 minutos, com intervalo de 20 minutos, e contém cenas de nudez explícita. Até conseguimos imaginar quais são as tais cenas, não é mesmo? 

Depois de Sydney, o espetáculo seguirá para o Southbank Theatre, em Melbourne, de 14 de novembro a 19 de dezembro, e posteriormente para o Black Swan Theatre, em Perth, de 05 a 14 de março.

As avaliações da crítica especializada tem saído aos poucos e a recepção não poderia ser mais calorosa: 


Como diz o The Guardian, "até mesmo a frequentemente enfadonha Charlotte (Hayley McElhinney) recebe um momento de graça." | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


"O elenco está profundamente presente, aberto e excelente. Como a peça é escrita, dirigida e interpretada com tanto cuidado, acreditamos - verdadeiramente acreditamos - nessas personagens."
Cassie Tongue, The Guardian.

"A adaptação respeitou o dilema de E. M. Forster como homem gay, restaurando-o com esmero, elevando-o e fazendo-lhe referência com elegância."
Robyn Roelandts, Sydney Arts Guide.

"Com romance, muito humor e um roteiro instigante, A Room with a View proporciona uma noite encantadora no teatro."
Natasha Ciesielski, Bacchus at the Theatre. 


Cecil Vyse (Charles Wu) e Lucy Honeychurch (Nathalie Morris). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.

Antes de encerrar o post, confira um vídeo em que a dramaturga Grace Chapple e a diretora Hannan Goodwin falam sobre o que as atraiu no livro de Forster:






quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Peça Maurice em Porto Alegre


A peça Maurice, sobre a qual já falei algumas vezes aqui no blog, terá única apresentação neste sábado (10) no Teatro do CHC Santa Casa, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O espetáculo é uma produção da Cia. de Teatro Sala 3.

Após a sessão, haverá um bate-papo com o diretor Altair de Sousa e o elenco, encabeçado por Andreane Lima (Maurice Hall), que também assina a dramaturgia, e Esley Zambel (Clive Durham). Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.

Combinando recursos do teatro, literatura e cinema, a montagem já recebeu prêmios em diferentes festivais nas categorias de espetáculo, direção, cenário, iluminação, figurino e atuação. A adaptação já foi apresentada no Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa (FENATA), no Goiânia em Cena, no Festival Nacional de Teatro de Limeira, no FIT Bahia e na Mostra Nacional de Teatro de Anápolis.


"Maurice", da Cia. de Teatro Sala 3 

Direção: Altair de Sousa;
Dramaturgia: Andreane Lima;
Data: 10 de outubro (sábado);
Horário: A partir das 19h30;
Local: Teatro do CHC Santa Casa, Avenida Independência, 75, Porto Alegre (RS);
Duração: 60 minutos;
Classificação indicativa: 18 anos.



Leituras recomendadas:

domingo, 3 de outubro de 2021

The Inheritance, a minissérie?

O jornalista Brent Lang, do site da revista Variety, entrevistou o dramaturgo Matthew Lopez menos de 48 horas após sua histórica vitória no Tony Awards no último domingo. Na conversa, Lopez fala sobre ser o primeiro latino a vencer a categoria de Melhor Peça, o vindouro remake do filme The Bodyguard (1992) que ele está concebendo e uma possível minissérie de The Inheritance. 

"Você vai transformar “The Inheritance” em uma minissérie?

Como a peça é baseada em material pré-existente [Nota do editor: a peça é uma adaptação livre de 'Howards End' de E. M. Forster], há várias pessoas na mesa. O engraçado é que eu não possuo 'The Inheritance' por completo. Eu divido isso legalmente com a propriedade Forster. 'Howard’s End' ainda está protegido por direitos autorais no Reino Unido, mas não nos Estados Unidos. Tanto pelo fato de nossa estreia em Londres quanto por querermos fazer a produção em outras partes do mundo, procuramos inicialmente para a propriedade de Forster porque sabíamos que precisávamos da bênção deles. Eles têm sido ótimos parceiros. [Diretor] Stephen Daldry e eu estamos tentando descobrir o que queremos fazer a seguir com a peça."

Como vimos, aparentemente ainda não há algo concreto sobre essa produção para a TV. De qualquer forma, seria uma excelente novidade uma minissérie baseada nesta peça tão elogiada e premiada. Pelas mãos dos mesmos envolvidos no espetáculo teatral, seguramente o resultado seria ótimo. Aguardemos. 

Em tempo: Na entrevista, Matthew Lopez lembra que The Inheritance será apresentada em Los Angeles no próximo ano, na temporada 2022/2023 do Geffen Playhouse. Desta vez, a direção será de Mike Donahue. 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Uma nova passagem

O elenco de Passage. | Foto: Oakland University News.


Depois da noite de premiação do Tony Awards, continuamos falando de teatro por aqui. Aos poucos, as apresentações presenciais começam a retornar e dessa vez o espetáculo vai acontecer na Universidade de Oakland, no estado de Michigan, Estados Unidos. 

A School of Music, Theatre and Dance vai apresentar Passage, adaptação assinada pelo dramaturgo Christopher Chen. A peça que não é bem uma novidade aqui no blog, visto que já falei sobre ela em 2018. A diferença é que agora se trata de uma nova montagem, dirigida por Brandon A. Wright. A nova Passage vai manter a característica peculiar de nomear Índia e Inglaterra como País X e País Y e identificar os personagens apenas por letras do alfabeto. 

"Passado no fictício 'País X', Passage envolve o público em um debate ideológico sobre a natureza precária das fronteiras políticas e as divisões sociais que surgem em tempos de conflito. Inspirada por A Passage to India, de E. M. Forster, a peça convida o público a questionar seus próprios preconceitos de identidade e seu subsequente impacto nas relações profissionais e pessoais." (Oakland University News).

Passage terá oito apresentações em outubro, no Varner Studio Theatre, no campus da Universidade de Oakland.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

4 Tonys para The Inheritance


Quase um ano depois do anúncio dos indicados, o 74º Tony Awards aconteceu neste domingo no Winter Garden Theatre, na Broadway, e premiou atores, atrizes e espetáculos da temporada de 2019/2020. The Inheritance, inspirada em Howards End, era a segunda peça de teatro com mais nomeações da noite, com onze no total. Levou quatro estatuetas para casa:

Melhor Peça 

O dramaturgo Matthew Lopez fez história ao se tornar o primeiro latino a vencer a categoria. Em seu discurso de agradecimento, ele citou E. M. Forster como uma inspiração para ter se tornado escritor (a partir de 0:30).

 


Melhor Direção em uma Peça - Stephen Daldry 



Melhor Ator em uma Peça - Andrew Burnap (Toby Darling)


Melhor Atriz Coadjuvante em uma Peça - Lois Smith (Margaret)

A atriz de 90 anos se tornou a pessoa mais velha a ganhar um Tony de atuação. No discurso de agradecimento, ela cita Howards End como o seu livro favorito desde "quando consegue se lembrar" e destaca a relevância da mensagem da epígrafe Only Connect naquela noite em todos estão celebrando a importância e o propósito do teatro. 



Levando em consideração todas as produções, The Inheritance foi a terceira mais premiada da noite, atrás de Moulin Rouge, que faturou dez troféus, e Christmas Carol, com cinco (todas nas categorias técnicas).

As demais indicações de The Inheritance foram:

Melhor Ator Coadjuvante em uma Peça - John Benjamin Hickey e Paul Hilton;

Melhor Material Original (Música e/ou Letras) Escrito para o Teatro - Paul Englishby;

Melhor Cenografia de uma Peça - Bob Crowley;

Melhor Figurino de uma Peça - Bob Crowley;

Melhor Desenho de Luz de uma Peça - Jon Clark;

Melhor Design de Som de uma Peça - Paul Arditti e Christopher Reid.


Confira a lista completa de vencedores: 74º Tony Awards Winners.



Leituras recomendadas: