Mostrando postagens com marcador Notas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Notas. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de outubro de 2026

Boa semana e boas leituras

Há 114 anos, em 25 de outubro de 1912, E. M. Forster chegava à cidade de Aligarh, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. Era a sua tão sonhada primeira viagem à então colônia britânica. 

No dia 07 daquele mês, em Nápoles, Itália, ele havia embarcado no navio SS City of Birmingham rumo à Bombaim (hoje oficialmente Mumbai), encontrando o amigo Robert 'Bob Trevy' Trevelyan a bordo. Outro amigo, Goldsworthy Lowes Dickinson, juntou-se ao grupo quatro dias depois, em Port Said, no Egito. No dia 22, após desembarcar em Bombaim, o escritor hospedou-se brevemente no Apollo Hotel.


O Apollo Hotel no final do século XIX. O edifício existe até hoje, agora conhecido como Metro House. | Foto: Alamy. 


A partida rumo a Aligarh e à fronteira norte da Índia aconteceu logo no dia seguinte, passando no caminho pelo impressionante Forte de Agra. Em Aligarh, E. M. Forster reencontrou Syed Ross Masood, seu amigo e paixão platônica, que sempre o incentivou a visitar e escrever um livro sobre a a Índia. Nos cinco dias em que permaneceu naquela cidade, Forster pode ter presenciado cenas como esta da fotografia a seguir, registrada seis anos antes.


Meninos saindo da escola após as aulas em Aligarh, 1906. | Foto: AMU Campus.


No dia 30 de outubro, os amigos viajariam para Delhi, com o Forte Vermelho e a Grande Mesquita no roteiro turístico. 

Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.

domingo, 18 de outubro de 2026

Bom domingo e boas leituras

A estação ferroviária de King’s Cross (no final do século XIX), que para Margaret Schlegel "sempre sugerira o infinito".


"Aqueles dois grandes arcos, sem cor, indiferentes, sustentando no meio um relógio desgracioso, eram portais feitos para alguma aventura eterna, cujo desenlace podia ser próspero, mas certamente não seria expresso na linguagem banal da prosperidade."
 (Howards End, Capítulo II)


 Imagem: Internet Archive.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Atualizações


Nesta retomada do blog, fiz algumas mudanças e atualizações. Confira logo abaixo: 

- Traduções - a página foi reformulada e agora conta com imagens das capas das edições dos livros, de minha coleção pessoal;

- Livros inéditos em PT-BR - todos os links dos posts especiais sobre os livros de E. M. Forster que nunca foram traduzidos para o português brasileiro agora estão reunidos nesta página. Até o momento, cinco obras já foram temas de especiais;

- A Passage to India (1965) - adicionadas mais duas imagens desta adaptação para TV e um anúncio de meia página da revista TV Guide sobre a exibição do episódio na série NET Playhouse, nos Estados Unidos;

- The Machine Stops (1966) - adicionado vídeo do episódio completo, em parte única, com melhor qualidade de imagem que o disponível anteriormente;

- The Obelisk (1977) - adicionado o vídeo do episódio completo, além de uma imagem da adaptação, que aparentemente é a única oficial disponível. 




- Pinturas & Ilustrações - adicionadas duas pinturas: uma por Edmund Nelson (1949) e outra por Jim Buckingham, sobrinho de Bob Buckingham (ano desconhecido);

- Pelo olhar de Edward Leigh - substituída uma fotografia de E. M. Forster em sua sala de estar no King's College, Cambridge, em 1949, por uma imagem em melhor qualidade;

- Registros Variados - adicionada fotografia registrada em 24 de agosto de 1967, em Red House, Great Glemham, e substituída fotografia do escritor em seus aposentos no King's College por outra de melhor qualidade. 


P.S.: As próximas atualizações terão lugar cativo na barra lateral, com o propósito de sempre informar os acréscimos feitos esporadicamente ao blog. 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Howards End faz 111 anos

Hoje, 18 de outubro de 2021, a publicação de Howards End completa 111 anos. Este ano, uma releitura me levou de volta à velha, pequena, e inteiramente encantadora casa de campo dos Wilcoxes - não nos esqueçamos dos tijolos vermelhos. A visita foi imensamente mais fascinante que da primeira vez e me deixou com vontade de retornar em breve.




O trecho abaixo segue o grande mal entendido entre tia Juley Munt e Charles Wilcox no carro a caminho de Howards End. Uma breve agitação na frente da casa envolve ambos, Helen Schlegel e Paul Wilcox, até que uma poética personagem surge:

"Ficaram em silêncio. Era a sra. Wilcox. Aproximou-se exatamente da maneira como a carta de Helen a descrevera, deslizando sem fazer ruído pelo gramado, e havia até um punhado de feno em suas mãos. Parecia pertencer não à gente jovem e seus carros, mas à casa, e à árvore que a ensombrecia. Podia-se perceber que venerava o passado, e que a sabedoria instintiva que apenas o passado pode conceder descera sobre ela — aquela sabedoria à qual damos o desajeitado nome de aristocracia. Berço, talvez não tivesse. Mas seguramente se importava com seus ancestrais e deixava que a ajudassem. Quando viu Charles furioso, Paul assustado e a sra. Munt às lágrimas, escutou a voz dos ancestrais: 'Separe estes seres humanos que vão se ferir muito, uns aos outros. O resto pode esperar'."  (Capítulo III, tradução de Cássio de Arantes Leite, editora Globo, 2006).

domingo, 17 de outubro de 2021

Bom domingo e boas leituras

Vista da cidade de San Gimignano, na Itália. | Foto: Bettmann/Getty Images.

Em 25 de junho de 1902, E. M. Forster e sua mãe, Lily, visitaram San Gimignano, pequena cidade italiana na província de Siena, na Toscana. Com suas imponentes torres de pedra e arquitetura medieval românica e gótica, a cidade inspirou a Monteriano de Where Angels Fear to Tread (1905), o primeiro romance publicado do escritor. Em carta ao professor Edward Joseph Dent, Forster a descreveu como "particularmente charmosa". 

A visita à Cidade das Belas Torres, como também é conhecida, não durou muito. No dia seguinte, ambos já estavam em excursão à cidade etrusca de Volterra e em seguida para Pisa. 

A adaptação Where Angels Fear to Tread (1991) teve o cuidado de utilizar como locação a cidade real que inspirou o escritor e o resultado não poderia ser melhor.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

51 anos da morte de E. M. Forster

Foto: King's College Archive Centre, Cambridge.


Neste 07 de junho de 2021, a morte de E. M. Forster completa 51 anos. A fotografia acima é uma das últimas do escritor e foi tirada por Mark Lancaster em 14 de março de 1970, nos aposentos de Forster no King's College, em Cambridge. Ele está acompanhado do escritor 
Christopher Isherwood (1904-1986). 

Pouco tempo depois da morte do estimado amigo, Isherwood declarou (a partir de 26:40):


            
"Quando se está em contato com alguém como esse homem extraordinário, um dos modos de se perceber isso é o fato de você se sentir incapaz dos sentimentos mais mesquinhos que às vezes tem em relação a outras pessoas. Inveja, despeito... Morgan tinha todo tipo de amigos, todo tipo de relações profundas, com várias pessoas. Mas tenho absoluta certeza que sua amizade nos incluía a todos. E jamais sentimos que algo era tirado de um para ser dado a outro. Quando eu o vi, há alguns dias, parece naturalmente, ele estava externamente bastante decrépito, não conseguia andar bem, estava dobrado, mas parecia basicamente o mesmo, era basicamente o mesmo. E aceitava, curiosa e maravilhosamente, o que estava acontecendo. Não havia 'phatos', nada. Ele disse: 'Tomara que eu desligue rápido. Quando eu desligar'. E acrescentou: 'Sabe, às vezes, eu me sinto vazio, como se meu poder criativo tivesse chegado ao fim. Mas não me importo'. E eu disse a ele: 'Sabe, Morgan, 25 anos atrás, você me disse uma vez: Quando ficar mais velho, espero não ficar deprimido. Depois, você refletiu um pouco e respondeu a você mesmo: 'Não. Acho que não ficarei'. E não ficou." 

pela BBC em 14 de julho de 1970. Apresentado por James Mossman).

domingo, 30 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras

A Praça e a Basílica de São Pedro. | Foto: Luigi Villari (Livro Italian Life in town and Country).


Tendo partido com sua mãe para a Itália em outubro de 1901, E. M. Forster passou por cidades como Milão e Florença antes de chegar à Roma quase no final daquele ano. Na capital italiana, dois imprevistos aconteceram num curto intervalo de tempo: por volta de 24 de janeiro de 1902, ele torceu o tornozelo na Pensione Hayden, perto da Fontana di Trevi, onde estava hospedado e, em 02 de fevereiro, quebrou o braço direito ao cair nos degraus da Basílica de São Pedro. A recuperação estendeu-se ao longo do mês e ele teve que usar a mão esquerda para conseguir escrever um pouco. 

Tais incidentes, somados às ansiedades de sua mãe e ao temor de deixá-la sem seu amparo, puseram fim aos planos de uma viagem para a Grécia e Turquia. Após a exaustiva passagem por Roma, "incluindo o rei, o Papa e o Coliseu ao luar" (carta para E. J. Dent, de 20 de março), mãe e filho partiram para Nápoles em meados de março.


Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.

domingo, 9 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras


Em 03 de outubro de 1901, E. M. Forster e sua mãe partiram da cidade de Dover, na Inglaterra, para uma temporada de um ano na Itália. No dia 11 daquele mesmo mês, eles chegaram a Cadenabbia, uma pequena comunidade na Lombardia, província de Como. 

O Hotel Belle Ile, à margem do Lago Como, foi sua primeira parada. O plano inicial era se hospedar por apenas uma noite, mas a estada acabou se prolongando por dez dias. Será que a magnífica vista foi o motivo da mudança de planos? Na cartão-postal acima, um registro do hotel em 1910. 


Imagem: Ebay. 

domingo, 2 de maio de 2021

Boa semana e boas leituras


Acton House, na vila de Felton, condado de Northumberland, Inglaterra. Foi a casa de William Howley Forster (1855-1910), o tio Willie, irmão mais novo do pai de E. M. Forster. Morgan fez várias visitas à casa do tio entre o final da década de 1890 e o ano de 1905, principalmente durante os verões. 

A bela Acton House foi o modelo para Cadover, a casa da Sra. Emily Failing, tia paterna do protagonista Rickie Elliot em The Longest Journey. Descrita com detalhes no início do capítulo 11, a propriedade fictícia está situada no condado de Wiltshire. Já o próprio tio Willie foi a inspiração para a Sra. Failing, nas palavras de Forster em entrevista à revista The Paris Review, publicada em 1953. 

Felizmente, muitas das características originais de Acton House ainda estão intactas, como portas, abóbadas, lareiras e janelas guilhotina.

Imagem: Stephen Richards via Geography.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Obituário - Margaret Ashby

A historiadora e co-fundadora da associação Friends of Forster Country, Margaret Ashby, faleceu na última segunda-feira, 08 de março de 2021, aos 80 anos. Habitante de Stevenage, no Hertfordshire, desde que era um bebê, Margaret lançou vários livros sobre a história local, incluindo Forster Country (1991). 

Em 1989, juntamente com o geólogo aposentado, John Hepworth, fundou a associação The Friends of Forster Country,  cujo propósito é preservar a área verde ao norte da cidade de Stevenage. É lá que está situada Rooksnest, a casa da infância de E. M. Forster.

Após a morte de Epworth, tornou-se patrona da associação e continuou atuando nos assuntos mais relevantes. Em seu site oficial, a entidade lamentou que Margaret tenha partido num momento em que o Forster Country está mais ameaçado do que nunca pelo avanço imobiliário. 

The Comet: Tributes pour in for campaigner and historian Margaret Ashby.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Bom domingo e boas leituras


Em 1898, seu segundo ano no King's College, Cambridge, E. M. Forster morou no Edifício Bodley. Ele ocupava os aposentos W7, situados no canto superior esquerdo da segunda escada da direita. A bela vista dava para The Backs (os fundos das faculdades) e o rio Cam. Na fotografia acima, o edifício está muito semelhante àquele em que Forster viveu durante sua graduação.

Nessa época, ele participava do Cambridge University Musical Club e da Classical Society, integrando-se mais ativamente à vida universitária.
 

Imagem: King's College, Cambridge.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz ano novo

Desejo aos leitores e leitoras do E. M. Forster Brasil um 2021 de boas notícias, saúde e serenidade. Neste apagar das luzes de um ano difícil, faço como E. M. Forster na dedicatória de Maurice: dedico este post derradeiro de 2020 a um ano mais feliz.

domingo, 25 de outubro de 2020

Bom domingo e boa semana


The Grange, uma pequena escola em Stevenage, no Hertfordshire, que E. M. Forster frequentou por um breve período durante a primavera de 1893, após deixar Kent House. Sua passagem pela escola foi infeliz, marcada por bullying, medo e lágrimas. O futuro escritor tinha por volta de 14 anos. 

Seis anos antes, iniciando sua educação formal, o pequeno Forster havia tido aulas particulares com Augustus Hervey, um esnobe mestre irlandês da The Grange. Atualmente, o local é ocupado por apartamentos privados. 


Fontes: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape e Gay Outdoor Club;

domingo, 27 de setembro de 2020

Boa semana e boas leituras


Kent House, a escola preparatória na cidade de Eastbourne, Sussex, que E. M. Forster frequentou de 1890 até a primavera de 1893 (dos 11 aos 14 anos). Atualmente, um hotel funciona no edifício. 

domingo, 13 de setembro de 2020

Bom domingo e boa semana


La Rue de La Poste (A Rua dos Correios), em Alexandria, Egito, em 1917. 

Naquele ano, E. M. Forster estava na cidade fundada por Alexandre, o Grande. Era a Primeira Guerra Mundial e o escritor começou a publicar artigos e ensaios em jornais egípcios. Anos mais tarde, esses trabalhos fariam parte do segundo livro de Forster sobre Alexandria. Retorne ao blog ainda esta semana e confira um especial em dois posts sobre esta obra singular. 

Imagem: Delcampe.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Esse não é E. M. Forster

Durante minhas pesquisas para a criação do álbum de E. M. Forster me deparei com algumas curiosidades nos sites de bancos de imagens. Nos sites Getty Images e Agefotostock, me chamou atenção o retrato de um imponente cavalheiro com uma barba generosa, pintado em 1875 por Henry Tanworth Wells (1828-1903). O nome dele? Edward Morgan Forster, célebre escritor inglês. Mas como assim?



É claro que se trata de um equívoco de ambos os sites. Este não é E. M. Forster e não foi difícil descobrir a identidade do retratado, que tem um nome semelhante ao do escritor: William Edward Forster (1818-1886). Ele foi um industrial, filantropo e político do Partido Liberal inglês. Um compatriota do escritor que morreu quando E. M. Forster tinha apenas seis anos. Fica a curiosidade.


Imagem: National Portrait Gallery. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O Álbum de E. M. Forster



Durante toda sua vida, E. M. Forster foi registrado pelas lentes dos mais variados fotógrafos. Felizmente, temos acesso a fascinantes fotografias do escritor desde a mais tenra idade até poucos anos antes de sua morte. 

Tentei reunir o máximo dessas fotografias de forma categorizada e intitulei a coleção como O Álbum de E. M. Forster. São mais de 230 registros do escritor em diferentes momentos de sua vida, com familiares, amigos e amores, suas viagens, participações em eventos, além de pinturas e ilustrações de artistas que ele inspirou. 

A pesquisa incluiu, é claro, os dados a respeito de cada imagem, como data, local e nome do(a) fotógrafo(a) ou artista. Obtive tais informações sobre a maioria delas, mas algumas ficaram sem uma ou outra destas referências básicas porque não estão disponíveis nas fontes e em outros sites. 

Confira essa galeria feita com muito empenho e carinho: O Álbum de E. M. Forster. 

sábado, 25 de julho de 2020

Bom fim de semana



Uma visão do King's College, Cambridge, em 1898. Esse era o segundo ano da gradução de E. M. Forster na faculdade. O período de graduação do escritor se estendeu de 1897 a 1901.

Imagem: Autor desconhecido - The Print Collector/Heritage Images via Getty Images. 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

A máquina chegou


Em mãos! Minha edição de A Máquina Parou, publicada por Itaú Cultural e editora Iluminuras, chegou ontem. Já comecei a reler o conto, desta vez na tradução de Teixeira Coelho. Anteriormente, havia apreciado a história pela tradução de Celso R. Braida. 

Estou mais uma vez admirado do potencial premonitório e da atualidade da obra, que no contexto da pandemia tem ganhado cada vez mais repercussão nos meios de comunicação. 

terça-feira, 7 de julho de 2020

O melhor filme de época

O site Insider listou os 50 melhores filmes de época de todos os tempos, classificados de acordo com as pontuações dos críticos do Rotten Tomatoes. O primeiro lugar ficou com o irretocável A Room with a View (1985), dirigido por James Ivory. O filme tem simplesmente 100% de aprovação dos críticos do site agregador. Mais que merecido, não é mesmo? 

Confira um trecho do que Claudia Willen, autora da publicação, destacou sobre o filme:
"O repórter do The New York Times, Vincent Canby, chamou o filme de 'férias fora do tempo. É uma jornada para outra dimensão, pois viaja dos cenários perigosamente sedutores de Florença, com seus odores desagradáveis e glórias renascentistas, até as paisagens mais serenas da Inglaterra, onde guerras não declaradas são travadas sobre xícaras de chá'".
Na lista, A Room with a View está acompanhado, é claro, de filmes excelentes, como Pride and Prejudice (2005) e 12 Years a Slave (2013).