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domingo, 17 de outubro de 2021

Bom domingo e boas leituras

Vista da cidade de San Gimignano, na Itália. | Foto: Bettmann/Getty Images.

Em 25 de junho de 1902, E. M. Forster e sua mãe, Lily, visitaram San Gimignano, pequena cidade italiana na província de Siena, na Toscana. Com suas imponentes torres de pedra e arquitetura medieval românica e gótica, a cidade inspirou a Monteriano de Where Angels Fear to Tread (1905), o primeiro romance publicado do escritor. Em carta ao professor Edward Joseph Dent, Forster a descreveu como "particularmente charmosa"

A visita à Cidade das Belas Torres, como também é conhecida, não durou muito. No dia seguinte, ambos já estavam em excursão à cidade etrusca de Volterra e em seguida para Pisa. 

A adaptação Where Angels Fear to Tread (1991) teve o cuidado de utilizar como locação a cidade real que inspirou o escritor e o resultado não poderia ser melhor.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Where Angels Fear to Tread (1991)

... 30 anos de um filme pouco lembrado ...



Em 21 de junho de 1991, há exatos 30 anos, foi lançada a única adaptação cinematográfica do primeiro livro de E. M. Forster: Where Angels Fear to Tread. Assim como a obra literária, o filme não é muito conhecido, apesar de ser uma adaptação praticamente perfeita. 

No elenco, nomes já familiares aos longas forsterianos, como Helena Bonham Carter (Caroline Abbott), Rupert Graves (Philip Herriton) e Judy Davis (Harriet Herriton). Helen Mirren (Lilia Herriton) e Giovanni Guidelli (Gino Carella) também abrilhantam a produção dirigida por Charles Sturridge.

Confira minhas impressões sobre Where Angels Fear to Tread (1991).

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Where Angels Fear to Tread (1991)

Divulgação da prèmiere mundial, com presença da princesa Diana.
Where Angels Fear to Tread, um dos romances menos celebrados de E. M. Forster, foi agraciado com uma adaptação fidedigna e elogiável em 1991. Desta vez não foi fruto da maestria de James Ivory, responsável pelas adaptações mais conhecidas da obra de Forster, como A Room with a View (1985), Maurice (1987) e Howards End (1992), mas sim do diretor Charles Sturridge, que dez anos antes havia dirigido a excelente minissérie Brideshead Revisited

A maior qualidade do longa - que no Brasil recebeu o título de Por Onde os Anjos Não Passam - é a fidelidade do roteiro à obra original, que não se resume apenas à espinha dorsal da história, mas contempla vários detalhes que fazem a diferença no resultado final. 

Como grande apreciador de adaptações fiéis às obras literárias foi impossível não estimar imensamente esta digna produção. Where Angels Fear to Tread, o livro, não contém um enredo muito movimentado e o roteiro do filme reflete essa particularidade, não tendo trilhado o caminho de invencionices para acrescentar fatos alheios à obra original. Muitos podem achá-lo morno e tedioso, mas como adaptação é simplesmente impecável.

O elenco traz nomes já familiares às adaptações forsterianas, como Helena Bonham Carter, Rupert Graves e Judy Davis. Os dois primeiros já haviam nos brindado com atuações em A Room with a View e Maurice, enquanto a última esteve em A Passage to India (1984). O trio é um dos maiores trunfos do filme e os demais nomes do elenco, como Helen Mirren, também estão irrepreensíveis na película. A representação de Caroline Abbott (Helena Bonham Carter) é flagrantemente coerente com a personagem do livro: 

"[...] quieta, monótona [...] não havia nada em sua aparência ou maneiras que sugerisse o fogo da juventude." (capítulo II)

  Além disso, a evolução de sua personagem é desenvolvida de forma eficiente. 



Mirren dá vida a uma Lilia Herriton de idade um pouco mais avançada que a do romance. A atriz já tinha 46 anos quando interpretou a viúva de 33 anos, porém esse detalhe não faz diferença significativa na representação da personagem, que é uma das mais fascinantes. Já Rupert Graves estava em idade compatível com a do personagem do livro, mas o mesmo não se pode dizer acerca da sua beleza.

"[Philip Herriton] tinha uma testa bonita e um bom nariz grande [...] Mas abaixo do nariz e dos olhos tudo era confusão, e aquelas pessoas que acreditavam que o destino reside na boca e no queixo balançavam a cabeça quando olhavam para ele." (capítulo V)

Graves não compartilha de tal aparência com Philip, mas isso não é nenhum problema. Diferentemente do que acontece nas adaptações forsterianas em que havia já participado, nesta o ator tem bastante tempo de tela. Ele desfruta da oportunidade com sabedoria, visto que sua atuação como o contraditório filho da família Herriton é um dos grandes destaques do filme. 




A Harriet Herriton de Judy Davis é tão ou até mais irritante e histérica quanto a criação de Forster, também provocando algumas risadas em  momentos pontuais. A cena em que a personagem retira um quadro de uma santa que decorava seu quarto no Hotel Stella d'Italia e o observa com reprovação, escondendo-o em seguida embaixo da cama, é bastante simbólica de sua personalidade intransigente. Com seu olhar expressivo, o ator italiano Giovanni Guidelli entrega uma atuação totalmente condizente com o Gino Carella do livro, despertando impressões paradoxais no espectador: péssimo marido, bom pai, agressivo, honesto, amoroso... Gino concentra tudo isso e pode ser considerado um personagem marcado pela incógnita. 




Um detalhe da caracterização que pode parecer desimportante, mas que me incomodou, foi o estilo de penteado escolhido para as personagens Caroline Abbott (Helena Bonham Carter) e Harriet Herriton (Judy Davis), que envelheceu as atrizes de forma demasiada. Felizmente Lilia (Helen Mirren) não padece desse infortúnio. Os figurinos não são tão luxuosos quanto os de A Room with a View (1985), por exemplo, mas não deixam a desejar, contribuindo para a eficiente reconstituição histórica. 

Falando em reconstituição histórica, as locações não poderiam ser mais acertadas. A fictícia Monteriano ganhou vida fora das páginas do romance através da pequena cidade medieval de San Gimignano, na província de Siena, na Toscana. E não poderia ser diferente, já que E. M. Forster se inspirou nesta cidade situada no cume de uma colina para compor a sua Monteriano. No início dos anos 90, com suas torres remanescentes - assim como no romance - e arquitetura preservada, a cidade continuava remetendo totalmente à aura do livro. 




Assisti Where Angels Fear to Tread pela primeira vez em 2018, antes de ler o livro, e já gostei bastante do filme. Após a leitura, revisitei-o e constatei a fidelidade à história original, o que me fez apreciá-lo ainda mais. Ao ler a obra, as representações dos personagens e cenários do filme já estavam incutidos em minha mente, mas tenho certeza que se tivesse assistido ao filme somente após a leitura, as imagens criadas no meu consciente se encaixariam perfeitamente àquelas apresentadas pelo filme. Para finalizar, apenas posso dizer que a adaptação menos prestigiada de um romance de Forster merece ser mais conhecida, pois é um filme respeitoso à obra do escritor e tentou, ao máximo, fazer jus à sua criação. 

Imagens: Capturas de tela do acervo do blog. 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Trilha de Where Angels Fear to Tread

Em fevereiro, mês em que retomei as atividades do blog, disponibilizei a trilha sonora de Where Angels Fear to Tread (1991) em nosso canal no YouTube. Infelizmente, o site deletou uma das 15 músicas originalmente upadas. Tratava-se de um excerto da ópera Lucia Di Lammermoor: The Mad Scene, do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797–1848).

Todas as demais músicas que continuam disponíveis foram concebidas por Rachel Portman, compositora inglesa dona de extenso currículo. As 14 peças foram executadas pela The Hungarian Film & Television Orchestra, sob condução do maestro David Snell. A trilha sonora desta adaptação foi lançada em 17 de março de 1992 pela gravadora Virgin RecordsAprecie a soundtrack de Where Angels Fear to Tread na lista de reprodução abaixo:

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Atores e atrizes recorrentes VII

Para fechar com chave de ouro a nossa série de posts sobre elenco recorrente nas adaptações forsterianas, nada melhor que falar sobre uma grande atriz que esteve presente em dois filmes baseados em obras do escritor. Com duas personagens profundamente diferentes, diga-se de passagem.
Judy Davis

Coube à atriz australiana interpretar a personagem mais controversa de A Passage to India (1984). Adela Quested é uma inglesa que viaja ao país asiático para encontrar seu noivo. Lá, ela deseja conhecer a "Índia real", porém, uma acusação causa uma reviravolta surpreendente no romance, ressaltando ainda mais os conflitos internos da personagem. Judy Davis está espetacular no papel e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 1985



Como descrever Harriet Herriton, a personagem de Judy Davis em Where Angels Fear to Tread (1991)? Altamente irritante e histérica, Harriet tem verdadeira obsessão por proteger o nome da família. É na tentativa de fazer isso, que ela comete um erro que culmina em tragédia. Chocante! A versatilidade de Judy Davis pode ser mais uma vez comprovada ao se comparar Adela e Harriet. 



Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

                              Atores e atrizes recorrentes II - James Wilby;
                              Atores e atrizes recorrentes III - Rupert Graves;
                              Atores e atrizes recorrentes IV - Simon Callow;
                              Atores e atrizes recorrentes V- Denholm Elliott;
                              Atores e atrizes recorrentes VI - Mark Tandy.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Atores e atrizes recorrentes III

No post de hoje da nossa série, o ator destacado teve uma trajetória interessante nas adaptações das obras de Forster para o cinema. Começou com um papel modesto e foi ascendendo até conseguir um personagem de grande relevância para o enredo do filme. 
Rupert Graves

A primeira experiência de Rupert Graves numa adaptação forsteriana foi como Freddy Honeychurch, em A Room with a View (1985). Adorável, despretensioso e divertido, Freddy é um rapaz de bom coração que está aproveitando a juventude. O personagem não possui grande destaque no filme, mas isso não impediu Rupert de entregar uma atuação cativante.



No filme seguinte, o ator conquistou um personagem de maior importância para a história. Na verdade, de valor imprescindível para o desfecho do protagonista. Em Maurice (1987), Graves interpretou o guarda-caças Alec Scudder, que se apaixona por Maurice e é correspondido por este. Scudder é um personagem forte, corajoso e claro, com falhas humanas. Rupert encaixou-se perfeitamente no papel. 



Em Where Angels Fear to Tread (1991), o ator interpretou Philip Herriton, que pode ser considerado seu papel com mais tempo de tela. O homem da família Herriton vai da Inglaterra à Itália em missões ingratas. Marcado por contradições, falha miseravelmente. É uma pena que o filme tenha passado quase despercebido, inclusive com uma recepção crítica de morna para negativa. 



Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

                              Atores e atrizes recorrentes II - James Wilby.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Atores e atrizes recorrentes I

Quem já assistiu a todos os filmes baseados em obras de E. M. Forster - ou pelo menos a maioria deles - deve ter reparado em algo curioso: a recorrência de determinados atores e atrizes em seus elencos. Há quem aprecie e quem não aprecie esta repetição de intérpretes e talvez seja possível afirmar que existem pontos negativos e positivos nessas escolhas de cast. Ao mesmo tempo que é interessante variar os nomes e conferir um frescor ao elenco, também é simpática a ideia de contar com atores e atrizes de talento inquestionável que já são "a cara" das adaptações forsterianas. 

De fato, alguns deles tiveram suas carreiras marcadas por essas participações recorrentes. Como é o caso de Helena Bonham Carter, que atuou em nada menos que quatro filmes. Três deles foram dirigidos por James Ivory, o que mostra que a atriz britânica era sempre lembrada pelo diretor e sua equipe de casting. Terá sido mais um caso de panelinha no mundo do cinema? Se foi, então pode ser condiderada uma panelinha agradável que rendeu maravilhosos frutos.

A nova série de posts do blog vai destacar esses atores e atrizes recorrentes em adaptações cinematográficas dos livros de Forster. E é claro que começamos com a recordista em participações.

Helena Bonham Carter

A Room with a View (1985) foi o pontapé inicial. Numa interpretação sublime, ela dá vida à protagonista Lucy Honeychurch, uma personagem que passa por uma crise de identidade no romance. Bonham Carter cativa como a jovem inexperiente que vê sua visão convencional do mundo desmoronar e tenta conciliar seus sentimentos com as expectativas dos familiares e da sociedade. Este foi o segundo filme da carreira de Helena e o responsável por revelar a atriz ao mundo. Ela tinha apenas 19 anos. 



Helena fez uma rápida participação não creditada em Maurice (1987), como uma das senhoritas que assistem ao jogo de críquete. Em apenas 17 segundos, ela aparece questionando a escalação de Alec Scudder (Rupert Graves) para a partida. Um pouco arrogante esta senhorita sem nome.



Em Where Angels Fear to Tread (1991), a atriz é Caroline Abbott. Com exceção da rápida participação em Maurice, esta atuação é a menos lembrada, até porque o filme também não obteve grande repercussão. Caroline é uma personagem que vai crescendo progressivamente ao longo do filme. Sem grandes atrativos, é inicialmente apresentada como uma jovem bondosa, calma e sem o fogo da juventude. Porém, com os acontecimentos da trama, a moça de Sawston se torna mais aberta e emocionalmente madura, mostrando-se disposta a correr riscos. 



Sua última participação num filme baseado em obra de Forster foi em Howards End (1992). Mais uma vez ela se destaca por sua atuação, desta vez como Helen Schlegel. A irmã de Margaret é inteligente, auto-indulgente, liberal e idealista. Em entrevista para o site Entertainment Weekly em 2016, a atriz declarou: "Adorei o filme. Howards End é meu romance favorito de Forster. Então foi um privilégio e um bônus estar no filme - eu ainda estava sendo paga para lê-lo."



Por fim, creio que seria ótimo rever Helena Bonham Carter numa futura adaptação da obra de Forster. Próxima semana, a série de posts continua e será com um ator marcante das adaptações. Inclusive, muito provavelmente você nunca percebeu que ele faz uma brevíssima aparição em A Room with a View (1985). Até lá!

Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Where Angels Fear to Tread - 1991

Where Angels Fear to Tread / 1991 / UK;
Lançado em 21 de junho de 1991 (UK);
Produzido por Sovereign Pictures, London Weekend Television (LWT) e Stagescreen Productions;
Direção de  Charles Sturridge;
Adaptação de Tim Sullivan, Derek Granger e Charles Sturridge.
116 minutos de duração.

Elenco:
Caroline Abbott: Helena Bonham Carter;
Philip Herriton: Rupert Graves;
Harriet Herriton: Judy Davis;
Lilia Herriton: Helen Mirren;
Mrs. Herriton: Barbara Jefford;
Gino Carella: Giovanni Guidelli.
Elenco completo e mais informações no IMDB.

Confira um post com considerações sobre esta produção: Where Angels Fear to Tread (1991).

Assista ao filme completo no player abaixo, sem legendas em português.


vídeo por Femme Fatales.