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domingo, 14 de novembro de 2021

Bom domingo e bons filmes



📀 Viva a mídia física! 📀

domingo, 31 de outubro de 2021

Entrevista com James Ivory

Foto: Jude Edginton/Contour.


A jornalista Hadley Freeman, do The Guardian, está fazendo uma série de entrevistas com personalidades que estão se aproximando dos 100 anos de idade e James Ivory, com 93, teve uma conversa bastante honesta e instigante com ela.

Entre os assuntos abordados na entrevista estão as suas ocupações atuais, seu relacionamento de 44 anos com Ismail Merchant e seu novo livro Solid Ivory, que será publicado na próxima terça-feira pela Corsair. Essa obra reúne memórias mais focadas em sua vida e relacionamentos pessoais do que em sua carreira de cineasta e os filmes que realizou. 

Destaco aqui um trecho da entrevista sobre a recepção crítica aos seus filmes, com menção especial a Maurice (1987):

"Os filmes Merchant Ivory tiveram um sucesso fenomenal, especialmente a partir dos anos 1980 com as adaptações de E. M. Forster, ganhando sete Oscars entre eles; O próprio Ivory foi indicado três vezes antes de vencer em 2018. [...]

E, no entanto, permanece um certo desprezo em torno dos filmes de Merchant Ivory, uma atitude de que eles são 'apenas' dramas de época. Pergunto a Ivory se ele sente que não recebe o respeito que outro diretor de sucesso semelhante teria. 'Um pouco. Sim. Irritava-me muito quando os críticos de cinema  ingleses reduziam [os filmes] aos interiores, à cultura. Quando Maurice foi lançado, não havia um único crítico inglês que o elogiasse de todo o coração, embora todos fossem gays. É chocante relembrar'".

A publicação também traz breves depoimentos elogiosos de Helena Bonham Carter e Samuel West sobre o diretor. Confira a entrevista completa no link abaixo e, se você já admirava James Ivory, saiba que muito provavelmente vai admirar ainda mais esse grande profissional do cinema. 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Top 10 Merchant Ivory

O blog Anglophenia, do site BBC America, publicou essa semana um ranking dos dez melhores filmes da Merchant Ivory Productions. A intenção era marcar o aniversário de James Ivory, mas houve um pequeno equívoco, visto que o diretor comemorou seus 93 anos em 07 de junho (data do falecimento de E. M. Forster) e não em 07 de julho.

O ranking elaborado por Nick Levine traz os três filmes baseados em obras de Forster. A Room with a View (1985) é descrito como o filme que fez a reputação da Merchant Ivory ser ampliada e Howards End (1992) como a mais bem realizada entre as três adaptações. Coloco aqui o texto referente a Maurice (1987), que traz uma curiosidade sobre o relacionamento de Ismail Merchant e James Ivory. 



    5. Maurice (1987)


A segunda adaptação de E. M. Forster pela Merchant Ivory  narra o amor queer em uma época em que a homossexualidade na Inglaterra era ilegal. James Wilby estrela como o personagem-título, um estudante de Cambridge que percebe que é gay quando o arrojado colega estudante Clive Durham (Hugh Grant) confessa seu amor por ele. É um estudo comovente do desejo reprimido, que se torna especialmente comovente pelo conhecimento de que Ivory e Merchant eram extremamente discretos sobre seu próprio relacionamento romântico pelo bem da família conservadora deste último.

domingo, 25 de abril de 2021

E. M. Forster no Oscar

A genial Emma Thompson ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Howards End (1992). | Foto: Getty Images.

A 93ª cerimônia do Oscar acontece neste domingo em Los Angeles, Califórnia. Diferentemente do que tenho feito nos últimos anos, neste não me dediquei à uma maratona de filmes indicados, tendo assistido somente alguns da categoria principal. Faltou ânimo. 

Mas este post rápido é só para lembrar que já tivemos aqui no blog uma série de posts sobre os filmes baseados em obras de E. M. Forster que foram indicados ao prêmio mais importante do cinema mundial. No total, foram 29 nomeações, com oito vitórias. 

Para rever ou ver pela primeira vez, basta clicar nos links abaixo:

Parte I - A Passage to India (1984);

Parte II - A Room with a View (1985);

Parte III - Maurice (1987) e Howards End (1992).

sexta-feira, 23 de abril de 2021

DVD Maurice (1987)

Anteontem, o DVD de Passagem para a Índia (1984), hoje o DVD de Maurice (1987). Adquiri este item novo e lacrado na loja The Originals, que aliás recomendo fortemente. O valor pago foi R$ 19,90 (frete grátis). No momento, o DVD não está mais disponível na página da loja



📀 Características gerais

Trata-se de uma edição simples, com disco único, lançada pela distribuidora Cult Classic. O destaque na capa dado a Hugh Grant (Clive Durham) só pode ser explicado pelo fato do ator ser bem mais conhecido que James Wilby, intérprete do personagem-título. Como podemos ver, o nome de James foi deliberadamente ignorado na capa. 

Tanto a imagem de Hugh Grant quanto a de fundo estão excessivamente escurecidas e quase não é possível visualizar o casal Maurice e Clive em frente à Goblin House (A Casa do Duende). A Cult Classic também lançou o filme com uma capa alternativa que traz Maurice e Alec Scudder (Rupert Graves) em um momento romântico. Do mesmo modo, está longe de ser uma capa realmente atrativa, mas é um pouco menos sofrível.



Na contracapa, como habitual, temos a sinopse, informações especiais, dados de elenco e produção, além das especificações técnicas. Aqui, novamente, as imagens são escuras. 



Dentro, não temos propriamente uma arte interna, mas sim publicidade de outros filmes de temática LGBT comercializados pela Cult Classic. Dos filmes promovidos, assisti somente Meu Querido Companheiro (Longtime Companion, 1989), mas pretendo ver os demais. Obviamente, seria mais interessante uma arte interna com imagem de cena do filme, mas é o que temos. 





Confira logo abaixo uma gravação em vídeo do menu principal do DVD e em seguida imagens dos menus de seleção de cenas, configurações de idiomas, legendas e também de extras. 







Quanto à qualidade de imagem do filme, você também pode conferir com seus próprios olhos no vídeo abaixo, gravado diretamente da mídia. Na mesma compra do DVD de Maurice, também adquiri os DVD's de Em Cada Coração uma Saudade (All Mine to Give, 1957) e Cerimônia Secreta (Secret Ceremony, 1968), igualmente lançados pela Cult Classic, e pude perceber que as mídias lançadas pela distribuidora não apresentam boa qualidade de imagem e deixam bastante a desejar. Uma pena.


📀 Especificações Técnicas

Idioma: Inglês (2.0);
Legendas: Inglês, Português;
Formato de tela: Letterbox 1.66:1 (16:9);
Tempo de duração: 140 minutos;
Colorido - NTSC.

Não recomendado para menos de 12 anos
Tema: Drama;
Contém: Linguagem inapropriada, desvio de conduta.


📀 Material Bônus


Os materiais extras disponíveis são uma galeria de fotos, ficha técnica do filme e de outros lançamentos da Cult Classic













📀 Avaliação


Assim como Passagem para a Índia (1984), Maurice não foi lançado em Blu-ray no Brasil e a única alternativa que nos resta no home vídeo nacional é o DVD. Infelizmente, ele não satisfaz as expectativas, principalmente pela qualidade de imagem que deixa a desejar. Não me incomodo com os materiais bônus mais que modestos, mas pelo menos a qualidade de imagem deveria ser razoável. 

É mais um caso em que manterei o DVD apenas como item de coleção na prateleira, visto que não pretendo assistir o filme por ele. Continuarei optando pelo meu arquivo em 1080p que tenho guardado para quando surge aquela vontade de rever esse soberbo longa de James Ivory. 

terça-feira, 6 de abril de 2021

James Ivory: A Life with Forster


Há muito conectado com E. M. Forster, o cineasta, roteirista e produtor James Ivory vai participar de uma conversa virtual com a jornalista Samira Ahmehpromovida pela Charleston Trust. James Ivory: A Life with Forster vai acontecer no próximo domingo, a partir das 19h (horário local). Além de refletir sobre a importância da obra do escritor em seu próprio trabalho, Ivory vai rememorar sua experiência na adaptação de Maurice (1987) e compartilhar telegramas inéditos que trocou com Forster na década de 1960, quando eles tentaram se encontrar pessoalmente. Além de Maurice, James Ivory dirigiu A Room with a View (1985) e Howards End (1992)

Para participar da conversa online é necessário adquirir um ingresso ao custo de £ 10 que dá acesso a um link de visualização e senha. O vídeo da conversa ficará disponível por mais de um mês, até a meia-noite de 16 de maio. James Ivory: A Life with Forster é um dos três eventos que integram o Charleston Festival Edit

Charleston Trust é uma instituição que administra e preserva a antiga casa dos pintores Vanessa Bell e Duncan Grant, amigos de Forster. A bela propriedade está situada na vila de Firle, condado de East Sussex, Inglaterra. O escritor foi um visitante regular da casa, descrita no site da Charleston Trust como uma "uma obra de arte viva e vibrante"

Abaixo, fotografia de Charleston e o registro de uma das visitas de Forster na década de 1920. A fotografia do escritor foi acrescentada recentemente à página Registros Variados do Álbum de E. M. Forster.


Charleston e E. M. Forster | Fotos: Grace Towner e Charleston Trust.

domingo, 4 de abril de 2021

Mais filmes para a coleção

Recentemente, adquiri dois DVD's de filmes baseados em obras de E. M. Forster: os excelentes Passagem para a Índia (1984) e Maurice (1987). Estas novas aquisições se juntam aos blu-rays de Uma Janela para o Amor (1985) e Retorno a Howards End (1992) sobre os quais fiz resenhas no mês passado. Em breve, farei posts com detalhes e informações sobre ambos os DVD's recém-adquiridos. 



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Mais uma espiada no Etsy

Já é quase um hábito conferir as novidades no Etsy relacionadas a E. M. Forster e desta vez selecionei mais três itens feitos à mão para dar uma amostra do que está disponível por lá. O primeiro é esta boneca de Margaret Schlegel, cujo figurino é inspirado naquele usado por Emma Thompson no filme de 1992, especificamente durante as cenas da festa de casamento de Evie Wilcox (Jemma Redgrave) e Percy Cahill (Mark Payton). A peça é de porcelana e mede 19 cm de altura. Ano passado postei sobre as bonecas de Helen Schlegel e Lucy Honeychurch à venda nessa mesma loja, a FolkDollsArt. A de Lucy ainda está disponível


O segundo item é um cartão postal inspirado numa das cenas mais lindas de Maurice (1987), em que o protagonista e Clive Durham estão deitados na relva. O gracioso cartão está à venda na loja belga MaartenVandeWiele.


E continuamos com Maurice neste último item: um suéter de cotton com o título do filme de 1987, acompanhando de outras informações da produção, inclusive com o nome de Forster. Há três opções de cores disponíveis. A peça foi desenhada por A Gay Old Time e produzida por The Women's Company & Art of Where.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Sobre Maurice (1987)


Desde o último dia 18 de janeiro, está em pré-venda o livro Do texto ao filme: a temática queer na literatura e no cinema, que contém um artigo que analisa a adaptação de Maurice de 1987, dirigida por James Ivory. Intitulado A importância de ser Wilde: memória literária e cultural na adaptação de Maurice, o texto é assinado por José Ailson Lemos de Souza, Doutor em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e traça uma ligação da obra com a condenação do grande escritor Oscar Wilde em 1895. Confira um trecho: 

"Em 2018, James Ivory recebeu um Oscar pelo roteiro adaptado de Me Chame pelo seu Nome (2017), adaptado do romance de André Aciman (2007) e dirigido por Luca Guadagnino. Influente diretor, consolidado em décadas anteriores através da companhia Merchant Ivory, James Ivory havia também assinado o roteiro e dirigido Maurice (1987), adaptação do romance homônimo de E. M. Forster (1913/1971). Além do envolvimento de Ivory, essas adaptações têm em comum a grande repercussão cultural provocada principalmente pela projeção, para grandes públicos, de narrativas centradas no despertar amoroso homossexual.

[...] Maurice se passa em Londres da primeira década do século XX, perscruta o pardadigma grego, e, curiosamente, o descarta, por focar evidente sua obsolescência diante de um contexto histórico que legalmene instrumentaliza a homofobia, criminalizando práticas sexuais desviantes da heterrosexualidade."


O artigo sobre Maurice integra uma coletânea de artigos assinados por professores e pesquisadores acerca de adaptações cinematográficas de obras literárias com temática queer. Eles analisam os filmes à luz de teorias de gênero, da adaptação, da intermidialidade e da psicanálise. A organização ficou a cargo do Prof. Dr. Fábio Figueiredo Camargo, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e de Luciene Guimarães, doutoranda no programa de Littérature et arts de la scène et de l’écran, pela Université Laval, no Canadá. 

A lista inclui filmes de diversos países e culturas, dirigidos por Jean Genet, Todd Haynes, Duncan Tucker, Rob Epstein, Jeffrey Friedman, Carolina Jabor, José Antônio Garcia, Ang Lee e John Trengove. A pré-venda segue até o dia 1° de março, no site da editora O Sexo da Palavra

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Atores e atrizes recorrentes X

A atriz do post de hoje participou de dois filmes baseados em obras de E. M. Forster num período de três anos. No final dos anos 90, ela abandonou a carreira de atriz e posteriormente se tornou uma bem-sucedida escritora.

Kitty Aldridge

A primeira participação se resume à uma única cena. Em A Room with a View (1985), a atriz aparece nos últimos minutos como a "nova Lucy", na ocasião em que George Emerson (Julian Sands) e Lucy Honeychurch (Helena Bonham Carter) estão de volta à Pensão Bertolini, em Florença. Acompanhada de uma senhora (Matyelock Gibbs) semelhante à Charlotte Bartlett (Maggie Smith) durante o jantar, a jovem demonstra sua frustração por não ter sido acomodada num quarto com vista, referência direta ao início do romance quando Lucy e Charlotte passaram pela mesma situação naquele mesmo local. Ao escutar o lamento da moça, George não se faz de rogado e afirma "We have a view" (Nós temos uma vista), segurando a mão de sua amada. 





Em Maurice (1987), a atriz interpretou uma homônima: Kitty Hall, uma das duas irmãs do protagonista. Nenhuma delas possui muito espaço no filme, mas Kitty aparece menos ainda que Ada (Helena Michell). Para a senhora Hall (Billie Whitelaw), Kitty tinha o "mesmo cérebro" de Maurice, deixando claro que ambos tinham modos de pensar e agir semelhantes. Quando comparada à Ada, Kitty é descrita como aquela de "qualificações ainda mais escassas. Era menos simplória, bonita e rica do que a irmã". Já para o doutor Barry (Denholm Elliott), "havia sinais de coragem nela".

Kitty (de vestido preto) ao lado de sua irmã Ada. 


Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

                              Atores e atrizes recorrentes II - James Wilby;
                              Atores e atrizes recorrentes III - Rupert Graves;
                              Atores e atrizes recorrentes IV - Simon Callow;
                              Atores e atrizes recorrentes V- Denholm Elliott;
                              Atores e atrizes recorrentes VI - Mark Tandy;
                              Atores e atrizes recorrentes VII - Judy Davis;
                              Atores e atrizes recorrentes VIII - Patrick Godfrey;
                              Atores e atrizes recorrentes IX - Mark Payton.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Atores e atrizes recorrentes IX

O ator de hoje não possui um longo currículo como Patrick Godfrey, do post anterior, mas sua breve carreira no cinema conta com participações em duas das mais conhecidas adaptações de obras de E. M. Forster.

Mark Payton
 
Em Maurice (1987), Mark Payton interpretou Arthur Chapman, amigo do personagem-título. No capítulo V do livro, é explicitado que ambos eram amigos desde os tempos do colégio Sunnington e que Maurice escolheu a faculdade patrocinada por Chapman e outros amigos, em Cambridge. Descrito como alguém que se irrita com facilidade, Chapmam não simpatiza com Risley (Mark Tandy) e posteriormente acaba ficando noivo de Ada (Helena Michell), irmã de Maurice. O protagonista, que temia a possibilidade de Ada se casar com seu amado Clive, fica aliviado com o compromisso da irmã com seu velho companheiro. Era uma oportunidade para acabar com a odiosa rivalidade entre os irmãos e comportar-se com dignidade. 


Existe uma cena deletada do filme em que Chapman participa de uma noite de diversão e jogos na casa dos Hall. De mãos dadas em alguns momentos, Chapman e Ada demonstram o seu envolvimento romântico. Porém, no filme propriamente dito, ficamos sabendo repentinamente do seu noivado durante uma tensa conversa entre Ada e Maurice. 


Em Howards End (1992), Mark Payton é Percy Cahill, noivo de Evie Wilcox (Jemma Redgrave). Tio de Dolly (Susie Lindeman), a esposa de Charles Wilcox (James Wilby), Cahill aparece pela primeira vez no filme durante um almoço no restaurante Simpson’s, no Strand, no qual também estão presentes sua noiva Evie, Margaret Schlegel (Emma Thompson) e Henry Wilcox (Anthony Hopkins).


No livro, seu cunhado Charles não parece aprovar muito o matrimônio e considera Cahill muito velho para Evie. Para ele, seu pai nunca teria sonhado em se casar com Margaret se Evie continuasse solteira cuidando dele e responsabiliza sua esposa Dolly por ter bancado a casamenteira. Também na obra, Percy Cahill é citado como uma das poucas pessoas presentes no discretíssimo casamento de Margaret e Henry, porém no filme ele não está presente em tal cena. 

Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

                              Atores e atrizes recorrentes II - James Wilby;
                              Atores e atrizes recorrentes III - Rupert Graves;
                              Atores e atrizes recorrentes IV - Simon Callow;
                              Atores e atrizes recorrentes V- Denholm Elliott;
                              Atores e atrizes recorrentes VI - Mark Tandy;
                              Atores e atrizes recorrentes VII - Judy Davis;
                              Atores e atrizes recorrentes VIII - Patrick Godfrey.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Atores e atrizes recorrentes VIII

Em 2018, publiquei uma série de sete posts sobre os atores e atrizes recorrentes em filmes baseados em obras de E. M. Forster. Comecei com a recordista Helena Bonham Carter, que participou de quatro produções, e encerrei com Judy Davis, que esteve em duas. Recentemente, enquanto produzia o vídeo com o antes e depois do elenco de Maurice (1987), percebi que pelos menos três atores ficaram de fora da lista e por isso estou retomando esta série, que ficará em aberto caso identifique mais algum exemplo de ator ou atriz recorrente em adaptações forsterianas. Desta vez, os três atores destacados são intérpretes de personagens secundários. 

Comecemos com um ator que, num período de três anos, esteve em duas destas adaptações. 

Patrick Godfrey 


Dono de extenso currículo no cinema, este consagrado ator esteve em A Room with a View no ano de 1985. Godfrey deu vida ao reverendo Cuthbert Eager, um ingês residente em Florença. Tradicionalista, rude e austero, o capelão aparece pela primeira vez dando uma palestra na igreja de Santa Croce, onde é interrompido pelo Sr. Emerson (Denholm Elliott). Posteriormente, o detestável reverendo perpetua o falso boato de que o Sr. Emerson assassinou a esposa, porém isto não é mostrado no filme. 

É durante uma excursão pelos arredores de Florença, organizada por Mr. Eager, que acontecem duas cenas de destaque, presentes tanto no livro quanto no filme. Na primeira, o clérigo se mostra um genuíno estraga-prazeres ao arruinar a diversão de Faetonte (Luca Rossi) e Perséfone (Isabella Celani) na carruagem rumo às colinas. Na segunda cena, George Emerson (Julian Sands) rouba um beijo de Lucy Honeychurch (Helena Bonham Carter) pela primeira vez. 



Em 1987, Patrick Godfrey interpretou Simcox na adaptação de Maurice. Mordomo de Pendersleigh (Penge no livro), a casa dos Durham, Simcox adquire maior relevância no filme, visto que é retratado como um empregado que claramente suspeita da verdadeira natureza do relacionamento de Clive e Maurice. No livro, ele é um simples criado que atende Maurice durante sua estada em Penge. No capítulo 40, após receber uma carta de Scudder, Maurice chega a imaginar que o guarda-caças e o mordomo são aliados numa tentativa de incriminá-lo ou chantageá-lo, mas não passa disso. No filme, é Simcox que, com um olhar de surpresa e reprovação, vê Maurice e Clive abraçados enquanto passa de bicicleta em frente à Goblin House (A Casa do Duende). 


É curioso notar que, em ambos os filmes, os personagens de Patrick Godfrey podem ser considerados inimigos do amor. Enquanto em A Room with a View, isso é simbolizado pelo momento em que Mr. Eager efetivamente atrapalha um momento de troca de carícias entre Faetonte e Perséfone, em Maurice, o seu personagem não tem a autoridade para confrontar o patrão e o protagonista, mas mesmo assim provoca apreensão e inquietude com sua postura maliciosa em relação ao casal. 

Imagens: Capturas de tela do acervo do blog.

                              Atores e atrizes recorrentes II - James Wilby;
                              Atores e atrizes recorrentes III - Rupert Graves;
                              Atores e atrizes recorrentes IV - Simon Callow;
                              Atores e atrizes recorrentes V- Denholm Elliott;
                              Atores e atrizes recorrentes VI - Mark Tandy;
                              Atores e atrizes recorrentes VII - Judy Davis.