domingo, 18 de outubro de 2026
Bom domingo e boas leituras
sábado, 17 de outubro de 2026
E. M. Forster & Surrey
9. Abinger HammerÉ impossível não notar Jack, o Ferreiro, o famoso morador da vila. Ele bate as horas com seu martelo no relógio que fica suspenso sobre a A25, rodovia que corta a vila. O relógio, doado em memória do primeiro Lorde Farrer de Abinger Hall, que faleceu em 1899, simboliza o papel que Surrey e a Abinger Hammer Mill, também chamada de Forja de Abinger, desempenharam na indústria do ferro.No entanto, o principal atrativo aqui é o rio Tillingbourne, com suas águas calmas. Você verá crianças brincando na água com redes de pesca, tentando pegar peixinhos. Para ser sincero, não há muito além de um campo de críquete – você pode até assistir a uma partida no verão – e uma loja/casa de chá que serve sanduíches, bolos e chá em xícaras de porcelana fina.
1. Holmbury St. MaryVale muito a pena dirigir até esta charmosa vila nas belas colinas de Surrey. Ela é frequentemente apelidada de Pequena Suíça devido à forma como suas casas imponentes estão espalhadas pelas encostas de Holmbury Hill. Algumas casas de fazenda datam do século XVII.A vila possui os atributos habituais: um parque; a imponente Igreja de St. Mary, com seus sinos, projetada pelo arquiteto vitoriano George Edmund Street; dois pubs; dois cafés; e, claro, vistas fabulosas. Você estará em boa companhia, pois caminhantes, ciclistas e praticantes de mountain bike vêm em massa para explorar as trilhas e caminhos de Holmbury, Leith e Pitch Hills.
Apesar do The Telegraph ser a fonte original, foi através do site SurreyLive que tive conhecimento desse conteúdo. Joseph Bickle, que repercutiu o ranking no SurreyLive, faz referência a E. M. Forster quando comenta sobre Holmbury St. Mary e foi isso que me atraiu à sua matéria.
Uma nova vista em Portugal
Ainda neste mês, a editora Clube do Autor vai lançar uma nova edição de Um Quarto com Vista em Portugal. É o primeiro livro de E. M. Forster a entrar para o catálogo da editora.
Atualmente em pré-venda, a nova edição será lançada em 27 de outubro e faz parte da coleção Os Livros da Minha Vida. Infelizmente, o nome do tradutor ou tradutora não consta na página do livro no site da Clube do Autor e minhas pesquisas foram infrutíferas a esse respeito. Caso obtenha essa informação futuramente, atualizarei o post. De qualquer forma, é possível ler um trecho da tradução do primeiro capítulo no site.
Com encadernação em brochura, a edição conta com uma bela capa.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Maurice no Egyptian Theatre
Maurice (1987) será um dos filmes exibidos no Egyptian Theatre, em Los Angeles, como parte de sua nova série Queer, Period, uma celebração do drama histórico LGBTQ+ no cinema. O longa de James Ivory, restaurado em 4K, vai abrir a programação na próxima quarta-feira, 21 de outubro.
Os curadores da série são os cineastas Javier Calvo e Javier Ambrossi, diretores de La Bola Negra, que estreia hoje nos cinemas. Queer, Period marca a chegada do novo longa da dupla e se inspira em sua história de liberdade, legado e visibilidade LGBTQ+.
Até o dia 21 de novembro, os interessados e felizardos poderão assistir ainda Querelle (1982), Orlando (1993), Carol (2015), The Handmaiden (2016) e Portrait of a Lady on Fire (2019).
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
A Passage to India, por DeVita
A releitura assinada por Doug DeVita tem sido descrita como ousada e provocativa. O texto dá vazão às paixões ocultas, subtexto homoerótico, desejos e tensões emocionais e românticas que ficaram latentes no clássico devido às restrições da época de sua publicação.
"Para DeVita, o impulso de adaptar A Passage to India não nasceu de um exercício acadêmico, mas de uma relação profundamente pessoal, que já dura décadas, com o texto. Ele teve seu primeiro contato com a narrativa no início de 1985, através da adaptação cinematográfica de David Lean, de 1984.'Fiquei tão impressionado com o filme que assisti a três sessões em um único dia', lembra DeVita. 'No dia seguinte, corri para a Barnes & Noble para comprar o livro e o li inteiro naquela noite.'[...] 'Por mais abrangente que seja A Passage to India, em sua essência é uma história íntima de três pessoas: Dr. Aziz, Adela Quested e Cyril Fielding, juntamente com Mahmoud Ali, amigo de longa data do Dr. Aziz', observa DeVita. 'Tudo o que fiz foi centrar uma história de amor em seres humanos perdidos que encontram o caminho de volta para si mesmos — suas próprias passagens para a Índia, por assim dizer.'"
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
E. M. Forster em ucraniano
terça-feira, 13 de outubro de 2026
A longa jornada de uma placa
E. M. Forster faleceu em 07 de junho de 1970. No dia seguinte, despontou um mistério que seria solucionado somente em 2026, 56 anos depois: que fim levou a placa com o nome do escritor que ficava afixada na porta dos seus aposentos no King's College, em Cambridge? Ela estava parafusada lá havia 24 anos e simplesmente sumiu.
"Quando eu estava na escola secundária, um dos poucos textos em inglês que eu gostava de ler era o conto The Machine Stops, de E. M. Forster. Quando entrei para o King's College, descobri que o Sr. Forster residia lá e comprei um exemplar de sua coletânea de contos. Certa tarde, o abordei enquanto ele estava sentado no Webb's Court e pedi que autografasse o livro, o que ele fez com a maior cortesia. O livro continua sendo um tesouro para mim.
Após meus exames finais, no início de junho de 1970, passei uma noite - ou várias - no bar da faculdade com amigos. 'Afogando as mágoas' talvez descreva bem o clima. Mencionamos que o Sr. Forster tinha acabado de falecer e, de forma um tanto irracional, surgiu um plano para preservar a placa da porta do quarto dele para a posteridade. Para ser completamente honesto, não tenho certeza se essa era a nossa maior preocupação. Como num passe de mágica, uma chave de fenda adequada apareceu e a placa da porta foi removida.
Depois da formatura, voltei para casa e levei comigo, para minha surpresa, a placa da porta do quarto do Sr. Forster. Nos 55 anos seguintes, ela ficou guardada em várias caixas etiquetadas como 'Lembranças', foi transferida de casa em casa e raramente viu a luz do dia. Finalmente, tendo a oportunidade de revisitar a faculdade, consegui encontrar e devolver a placa, orgulhoso por tê-la preservado por tanto tempo e grato por ela ter sido aceita sem questionamentos."
Segundo ela, Forster se sentia em casa no King’s College, que tem “uma longa tradição de tolerância à homossexualidade, que remonta ao século XIX”. Embora a homossexualidade fosse ilegal na época, outros membros do corpo docente eram abertamente gays. “Assim como foi para Alan Turing, a faculdade era um lugar onde as pessoas gays se sentiam confortáveis e acolhidas – tenho certeza de que esse é um dos motivos pelos quais Forster veio para cá."
Zeeman destacou ainda que ele não dava aulas, preferindo “estar em seus aposentos e na comunidade acadêmica” e que o escritor “tinha um quarto com vista”.
Os antigos aposentos de Forster, de três cômodos, agora formam a Suíte de Pós-Graduação, que oferece um espaço de convivência e estudo para estudantes. Uma cornija, projetada por seu pai, ainda circunda uma lareira revestida de azulejos verdes, e uma estante de livros que outrora lhe pertenceu fica do lado oposto.
Após a devolução da placa, a União de Estudantes de Pós-Graduação da KCGU votou para renomear os aposentos como "E. M. Forster Suite" e assim foi feito no aniversário de morte do escritor. Àquela altura, o plano, de acordo com Nicolette Zeeman, era exibi-la em algum lugar perto da porta, provavelmente afixada na parede. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto recente do local.
"Nada é completamente seguro, mas acho que é um risco que vale a pena correr”. Concordo com ela e nos resta torcer para que a placa continue lá por muitos anos.
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Minissérie A Passage to India
Em meados de 2025, foi anunciado que a BBC e a Working Title Television estão desenvolvendo uma adaptação de A Passage to India em formato de minissérie com cinco episódios. Uma novidade muito promissora, já que o romance até hoje recebeu apenas duas adaptações: uma de baixo orçamento em 1965 para TV, como episódio da série BBC Play of the Month, e o excelente longa de David Lean, em 1984. Uma minissérie, provavelmente com cerca de cinco horas de duração, garante tempo de tela suficiente para desenvolver a trama e os personagens com mais profundidade.
O anúncio foi feito durante um painel do SXSW Londres, pela executiva da Working Title, Surian Fletcher-Jones. Ela revelou ainda que a adaptação e a direção da minissérie estão a cargo do canadense, com ascendência indiana, Richie Mehta, e que a série limitada será coproduzida por Nisha Parti, da Parti Productions.
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| Richie Mehta vai adaptar e dirigir a minissérie A Passage to India, da BBC. | Foto: Amazon India. |
Por meio das palavras de Fletcher Jones, já podemos ter uma ideia de que a minissérie seguirá um caminho distinto das adaptações anteriores. Segundo a executiva, a produção vai dar uma nova perspectiva ao romance, a partir do ponto de vista indiano. Trata-se de uma releitura completa do romance, enaltecido por ela como "uma obra belíssima".
"Ele [Mehta] está escrevendo e dirigindo tudo. Tem sido uma jornada de desenvolvimento incrível, pois o projeto o fortaleceu. Não estamos fazendo uma versão de A Passage to India. Estamos fazendo a versão de A Passage to India de Richie Mehta e ajudando-o a ter a confiança necessária para ir o mais longe possível com essa história e incorporar seu próprio ponto de vista. É uma forma de resgatar a história colonial.”
Consultando a página do cineasta Richie Mehta no IMDB, constatei que ainda não conheço nenhum de seus trabalhos, mas que suas produções parecem ter uma íntima ligação com a Índia, o que já é um bom sinal. Uma de suas realizações mais premiadas foi a série Delhi Crime (2019–2022).
Leituras recomendadas:
domingo, 11 de outubro de 2026
The Obelisk (1977) no YouTube
Trata-se do quarto episódio da primeira temporada da série Premiere (1977–1980), exibido pela primeira vez em 13 de outubro de 1977, na BBC. Com direção de Giles Foster e adaptação de Pauline Macaulay, o episódio tem 30 minutos de duração e foi disponibilizado pelo canal Tingytec no YouTube. O protagonismo fica a cargo dos atores Rosemary Martin e Peter Sallis, dois nomes com extensas carreiras na TV britânica. Ambos aparecem na foto acima, tirada nos bastidores das filmagens. Anteriormente não tínhamos nenhuma foto ou vídeo desta adaptação e agora temos os dois.
Em tempo: O conto The Obelisk possui tradução para o português de Portugal.
sábado, 10 de outubro de 2026
A Room with a View na Austrália
Em 2022, a dramaturga e roteirista australiana Grace Chapple estava visitando Florença enquanto escutava o audiolivro de A Room with a View e acompanhava a protagonista Lucy Honeychurch fazendo o mesmo pelas ruas da cidade italiana. Chapple logo percebeu que, além de uma história em torno de um triângulo amoroso, se tratava também de um romance sobre amadurecimento.
Ano passado, ainda deslumbrada com o potencial teatral da obra, ela decidiu adaptá-la para os palcos. A estreia aconteceu há exatamente uma semana, no Belvoir St. Theatre, em Sydney, onde seguirá em cartaz até 01 de novembro. (UPDATE 13/10/2026: devido ao sucesso com público e crítica, a peça agora ficará em cartaz até 08 de novembro).
O espetáculo tem direção de Hannan Goodwin e é protagonizado por Nathalie Morris (Lucy Honeychurch) e Luke Wilshire (George Emerson). Apesar dos figurinos remeterem ao início do século XX, a peça é uma reinvenção contemporânea, com um cenário que pode ser considerado minimalista. A história é contada em primeira e terceira pessoa, com vários personagens assumindo o papel de narrador.
"A peça começa com Lucy (Nathalie Morris) e sua prima Charlotte (Hayley McElhinney), que a acompanha, abrindo a janela do quarto de hotel em Florença – para descobrir que, na verdade, não há a vista prometida. Sabemos disso porque um cartaz de papelão é exibido do lado de fora da janela, anunciando "Sem Vista". Isso arranca uma risada imediata da plateia e prepara o terreno para a produção estratégica e inteligente da diretora Hannah Goodwin, que tanto encena a ação quanto a comenta." [...][...] "Esta adaptação também inclui, de forma proativa, histórias de amor que Forster não pôde (mas claramente desejava). O público demonstra um deleite palpável quando o reprimido Reverendo Beebe (o sempre excepcional Tom Conroy) e o irmão de Lucy, Freddy (Tomáš Kantor, em um dos vários personagens devastadoramente charmosos que ele cria), se beijam." (Laura Gunters, do The Conversation)
Depois de Sydney, o espetáculo seguirá para o Southbank Theatre, em Melbourne, de 14 de novembro a 19 de dezembro, e posteriormente para o Black Swan Theatre, em Perth, de 05 a 14 de março.
- Página de A Room with a View no site do Belvoir St. Theatre, com todas as informações sobre o espetáculo;
- The Guardian: Crítica de A Room with a View - esta adaptação imperdível é radiante e absolutamente romântica;
- The Conversation: A nova adaptação teatral de A Room with a View é uma alegria cintilante e irresistível;
- Sydney Arts Guide: A Room with a View no Teatro Belvoir Street: Dando uma nova vida a um romance clássico;
- Bacchus at the Theatre: A Room with a View (Belvoir St. Theatre) | Crítica.















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