quarta-feira, 14 de outubro de 2026

E. M. Forster em ucraniano

As capas de A Room with a View (Кімната з видом) e Maurice (Моріс). | Foto: Osnovy.


Há pouco mais de um ano, a editora Osnovy anunciou a publicação da coleção completa dos romances de E. M. Forster pela primeira vez em ucraniano. Em 2026, um terço do projeto já foi concretizado, com o lançamento das traduções de A Room with a View (Кімната з видом) e Maurice (Моріс). O próximo será Where Angels Fear to Tread (Куди бояться забрідати ангели), o único dos seis romances que até hoje não temos traduzido para o português brasileiro. 

A tradução dos dois livros já publicados é de Iaroslava Strikha, crítica literária e doutora em Estudos Literários pela Universidade de Harvard. Já as belas ilustrações são de Glyn Boyd Hart, o mesmo artista que assina as gravuras dos romances de Forster lançados pela editora independente londrina The Folio Society. 

Com capa dura e sobrecapa, são edições luxuosas. Um trabalho primoroso. Recentemente, a editora divulgou uma imagem da capa e sobrecapa de sua edição de Where Angels Fear to Tread, na qual está trabalhando ativamente, com previsão de entrar em pré-venda nos próximos meses. Veja a seguir:




Abaixo, mais algumas fotos das edições já lançadas.









terça-feira, 13 de outubro de 2026

A longa jornada de uma placa


A placa sobre três dos romances mais famosos do escritor. | Foto: King's College, Cambridge.

E. M. Forster faleceu em 07 de junho de 1970. No dia seguinte, despontou um mistério que seria solucionado somente em 2026, 56 anos depois: que fim levou a placa com o nome do escritor que ficava afixada na porta dos seus aposentos no King's College, em Cambridge? Ela estava parafusada lá havia 24 anos e simplesmente sumiu. 

Bem, a explicação não é extraordinária, mas não deixa de ser interessante. No início deste ano, a placa com o nome "Mr Forster" foi devolvida à instituição por um ex-aluno, agora um septuagenário, que prefere não ser identificado. A resolução do enigma aconteceu durante um encontro de egressos da faculdade. Vejamos o relato em suas próprias palavras:

"Quando eu estava na escola secundária, um dos poucos textos em inglês que eu gostava de ler era o conto The Machine Stops, de E.M. Forster. Quando entrei para o King's College, descobri que o Sr. Forster residia lá e comprei um exemplar de sua coletânea de contos. Certa tarde, o abordei enquanto ele estava sentado no Webb's Court e pedi que autografasse o livro, o que ele fez com a maior cortesia. O livro continua sendo um tesouro para mim. 


Após meus exames finais, no início de junho de 1970, passei uma noite - ou várias - no bar da faculdade com amigos. 'Afogando as mágoas' talvez descreva bem o clima. Mencionamos que o Sr. Forster tinha acabado de falecer e, de forma um tanto irracional, surgiu um plano para preservar a placa da porta do quarto dele para a posteridade. Para ser completamente honesto, não tenho certeza se essa era a nossa maior preocupação. Como num passe de mágica, uma chave de fenda adequada apareceu e a placa da porta foi removida.


Depois da formatura, voltei para casa e levei comigo, para minha surpresa, a placa da porta do quarto do Sr. Forster. Nos 55 anos seguintes, ela ficou guardada em várias caixas etiquetadas como 'Lembranças', foi transferida de casa em casa e raramente viu a luz do dia. Finalmente, tendo a oportunidade de revisitar a faculdade, consegui encontrar e devolver a placa, orgulhoso por tê-la preservado por tanto tempo e grato por ela ter sido aceita sem questionamentos."


Ao site The Observer, a professora Nicolette Zeeman, curadora das coleções do King's College, disse que a faculdade ficou "encantada – e um tanto animada" por tê-la de volta. "É muito comovente que ele a tenha guardado por todos esses anos."

Segundo ela, Forster se sentia em casa no King’s College, que tem “uma longa tradição de tolerância à homossexualidade, que remonta ao século XIX”. Embora a homossexualidade fosse ilegal na época, outros membros do corpo docente eram abertamente gays. “Assim como foi para Alan Turing, a faculdade era um lugar onde as pessoas gays se sentiam confortáveis ​​e acolhidas – tenho certeza de que esse é um dos motivos pelos quais Forster veio para cá." 

Zeeman destacou ainda que ele não dava aulas, preferindo “estar em seus aposentos e na comunidade acadêmica” e que o escritor “tinha um quarto com vista”.


Forster, fotografado por Edward Leigh, observa a vista pela janela de sua sala no King's. | Foto: King's College Archive Centre.

Os antigos aposentos de Forster, de três cômodos, agora formam a Suíte de Pós-Graduação, que oferece um espaço de convivência e estudo para estudantes. Uma cornija, projetada por seu pai, ainda circunda uma lareira revestida de azulejos verdes, e uma estante de livros que outrora lhe pertenceu fica do lado oposto. 

Após a devolução da placa, a União de Estudantes de Pós-Graduação da KCGU votou para renomear os aposentos como "E. M. Forster Suite" e assim foi feito no aniversário de morte do escritor. Àquela altura, o plano, de acordo com Nicolette Zeeman, era exibi-la em algum lugar perto da porta, provavelmente afixada na parede. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto recente do local. 

"Nada é completamente seguro, mas acho que é um risco que vale a pena correr”. Concordo com ela e nos resta torcer para que a placa continue lá por muitos anos. 


Em seus aposentos no King's College, Forster posa em frente à lareira, cuja moldura foi projetada por seu pai. | Foto: Alamy.


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Minissérie A Passage to India

Em meados de 2025, foi anunciado que a BBC e a Working Title Television estão desenvolvendo uma adaptação de A Passage to India em formato de minissérie com cinco episódios. Uma novidade muito promissora, já que o romance até hoje recebeu apenas duas  adaptações: uma de baixo orçamento em 1965 para TV, como episódio da série BBC Play of the Month, e o excelente longa de David Lean, em 1984. Uma minissérie, provavelmente com cerca de cinco horas de duração, garante tempo de tela suficiente para desenvolver a trama e os personagens com mais profundidade. 

O anúncio foi feito durante um painel do SXSW Londres, pela executiva da Working Title, Surian Fletcher-Jones. Ela revelou ainda que a adaptação e a direção da minissérie estão a cargo do canadense, com ascendência indiana, Richie Mehta, e que a série limitada será coproduzida por Nisha Parti, da Parti Productions.


Richie Mehta vai adaptar e dirigir a minissérie A Passage to India, da BBC. | Foto: Amazon India.

Por meio das palavras de Fletcher Jones, já podemos ter uma ideia de que a minissérie seguirá um caminho distinto das adaptações anteriores. Segundo a executiva, a produção vai dar uma nova perspectiva ao romance, a partir do ponto de vista indiano. Trata-se de uma releitura completa do romance, enaltecido por ela como "uma obra belíssima".


"Ele [Mehta] está escrevendo e dirigindo tudo. Tem sido uma jornada de desenvolvimento incrível, pois o projeto o fortaleceu. Não estamos fazendo uma versão de A Passage to India. Estamos fazendo a versão de A Passage to India de Richie Mehta e ajudando-o a ter a confiança necessária para ir o mais longe possível com essa história e incorporar seu próprio ponto de vista. É uma forma de resgatar a história colonial.”


Consultando a página do cineasta Richie Mehta no IMDB, constatei que ainda não conheço nenhum de seus trabalhos, mas que suas produções parecem ter uma íntima ligação com a Índia, o que já é um bom sinal. Uma de suas realizações mais premiadas foi a série Delhi Crime (2019–2022). 

Após o anúncio no ano passado, não foram divulgadas novas informações sobre o desenvolvimento da produção. Estranhamente, A Passage to India não consta entre os próximos trabalhos de Richie Mehta em sua página no IMDB. Aguardemos os próximos passos, torcendo para que o projeto não tenha sido engavetado. 


Leituras recomendadas:


domingo, 11 de outubro de 2026

The Obelisk (1977) no YouTube

Rosemary Martin (Hilda) e Peter Sallis (Ernest) posam durante intervalo das filmagens. 

Nesses anos de blog, já aprendi que as adaptações de obras de E. M. Forster indisponíveis na internet podem aparecer a qualquer momento neste vasto universo online e que sempre há alguém com esses arquivos que, inesperadamente, resolve compartilhar com o mundo. Isso já aconteceu com A Passage to India (1965) e The Machine Stops (1966). E agora é a vez de The Obelisk (1977), adaptação televisiva do conto homônimo, publicado na coletânea póstuma The Life to Come and Other Stories (1972).

Trata-se do quarto episódio da primeira temporada da série Premiere (1977–1980), exibido pela primeira vez em 13 de outubro de 1977, na BBC. Com direção de Giles Foster e adaptação de Pauline Macaulay, o episódio tem 30 minutos de duração e foi disponibilizado pelo canal Tingytec no YouTube. O protagonismo fica a cargo dos atores Rosemary Martin e Peter Sallis, dois nomes com extensas carreiras na TV britânica. Ambos aparecem na foto acima, tirada nos bastidores das filmagens. Anteriormente não tínhamos nenhuma foto ou vídeo desta adaptação e agora temos os dois. 

Confira o episódio completo, sem legendas em português:


Em tempo: O conto The Obelisk possui tradução para o português de Portugal. 

sábado, 10 de outubro de 2026

A Room with a View na Austrália


Nathalie Morris interpreta Lucy Honeychurch na nova adaptação de A Room with a View. | Imagem (detalhe): Daniel Boud.

Em 2022, a dramaturga e roteirista australiana Grace Chapple estava visitando Florença enquanto escutava o audiolivro de A Room with a View e acompanhava a protagonista Lucy Honeychurch fazendo o mesmo pelas ruas da cidade italiana. Chapple logo percebeu que, além de uma história em torno de um triângulo amoroso, se tratava também de um romance sobre amadurecimento. 

Ano passado, ainda deslumbrada com o potencial teatral da obra, ela decidiu adaptá-la para os palcos. A estreia aconteceu há exatamente uma semana, no Belvoir St. Theatre, em Sydney, onde seguirá em cartaz até 01 de novembro. (UPDATE 13/10/2026: devido ao sucesso com público e crítica, a peça agora ficará em cartaz até 08 de novembro).

O espetáculo tem direção de Hannan Goodwin e é protagonizado por Nathalie Morris (Lucy Honeychurch) e Luke Wilshire (George Emerson). Apesar dos figurinos remeterem ao início do século XX, a peça é uma reinvenção contemporânea, com um cenário que pode ser considerado minimalista. A história é contada em primeira e terceira pessoa, com vários personagens assumindo o papel de narrador. 


Cena de A Room with a View, a adaptação australiana. | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


Nas críticas que li, as descrições de duas cenas específicas me chamaram atenção:

"A peça começa com Lucy (Nathalie Morris) e sua prima Charlotte (Hayley McElhinney), que a acompanha, abrindo a janela do quarto de hotel em Florença – para descobrir que, na verdade, não há a vista prometida. Sabemos disso porque um cartaz de papelão é exibido do lado de fora da janela, anunciando "Sem Vista". Isso arranca uma risada imediata da plateia e prepara o terreno para a produção estratégica e inteligente da diretora Hannah Goodwin, que tanto encena a ação quanto a comenta." [...]


[...] "Esta adaptação também inclui, de forma proativa, histórias de amor que Forster não pôde (mas claramente desejava). O público demonstra um deleite palpável quando o reprimido Reverendo Beebe (o sempre excepcional Tom Conroy) e o irmão de Lucy, Freddy (Tomáš Kantor, em um dos vários personagens devastadoramente charmosos que ele cria), se beijam." (Laura Gunters, do The Conversation)


Mr. Beebe (Tom Conroy) e Freddy (Tomáš Kantor). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


A peça se estende por 2 horas e 50 minutos, com intervalo de 20 minutos, e contém cenas de nudez explícita. Até conseguimos imaginar quais são as tais cenas, não é mesmo? 

Depois de Sydney, o espetáculo seguirá para o Southbank Theatre, em Melbourne, de 14 de novembro a 19 de dezembro, e posteriormente para o Black Swan Theatre, em Perth, de 05 a 14 de março.

As avaliações da crítica especializada tem saído aos poucos e a recepção não poderia ser mais calorosa: 


Como diz o The Guardian, "até mesmo a frequentemente enfadonha Charlotte (Hayley McElhinney) recebe um momento de graça." | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


"O elenco está profundamente presente, aberto e excelente. Como a peça é escrita, dirigida e interpretada com tanto cuidado, acreditamos - verdadeiramente acreditamos - nessas personagens."
Cassie Tongue, The Guardian.

"A adaptação respeitou o dilema de E. M. Forster como homem gay, restaurando-o com esmero, elevando-o e fazendo-lhe referência com elegância."
Robyn Roelandts, Sydney Arts Guide.

"Com romance, muito humor e um roteiro instigante, A Room with a View proporciona uma noite encantadora no teatro."
Natasha Ciesielski, Bacchus at the Theatre. 


Cecil Vyse (Charles Wu) e Lucy Honeychurch (Nathalie Morris). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.

Antes de encerrar o post, confira um vídeo em que a dramaturga Grace Chapple e a diretora Hannan Goodwin falam sobre o que as atraiu no livro de Forster:






A Passage to India em Blu-ray


Em 2027, teremos mais um filme baseado em obra de E. M. Forster no formato Blu-ray no Brasil. Se em 2021, lamentei o fato de não termos A Passage to India (1984) em alta definição por aqui, em breve essa lacuna será preenchida. O último longa dirigido por David Lean será lançado em Blu-ray pela Versátil Home Vídeo em janeiro de 2027 em uma edição conjunta com Desencanto (Brief Encounter, 1945), do mesmo realizador. O lançamento dessa edição limitada está programado para o ano que vem, mas a pré-venda está aberta desde 02 de junho de 2026, conforme anunciado em live no canal da Versátil no Youtube.

O lançamento integra a coleção Mestres do Cinema e vai reunir as duas obras-primas de David Lean em um disco Blu-ray de dupla camada (BD-50), numa caixa com luva reforçada. A edição conta ainda um DVD com mais de três horas de vídeos extras, incluindo entrevistas e documentários sobre os filmes e o diretor, sendo que os conteúdos especiais sobre Passagem para a Índia tem 100 minutos de duração. Quatro cards e um livreto com três ensaios sobre os filmes completam os materiais extras da edição.



Em seu site oficial, a Versátil Home Vídeo trabalha com a venda dos produtos por lote. O primeiro lote do blu-ray está com um desconto de R$ 80,00, custando R$ 169,90. O valor vai aumentando progressivamente e o preço final (quarto e último lote) será de R$ 249,90. Mês passado, garanti o meu no primeiro lote, já que, mesmo com desconto, o valor não é barato e ainda há o custo do frete a ser adicionado. 

O início das entregas está programado para a primeira quinzena de janeiro de 2027, porém, como consumidor de longa data da Versátil, tenho conhecimento por experiência própria de que, nos últimos tempos, esses prazos acabam sendo estendidos, chegando a meses de atraso em relação à data inicial. Conforme adverte a própria empresa, os discos são feitos no exterior e, portanto, podem sofrer alterações na data de entrega. Mesmo com atrasos, nunca deixei de receber um produto adquirido no site da Versátil. 

Confira o trecho da live em que se anuncia a abertura da pré-venda do Blu-ray de Passagem para a Índia e Desencanto, a partir de 01:20:59. 


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Forster, Rothenstein e £ 16.000

O esboço preliminar original de um retrato de E. M. Forster pintado por Sir William Rothenstein (1872-1945) está à venda no Artsy por £ 16.000. A peça única pertence ao acervo da galeria londrina Piano Nobile, parceira do Artsy.


Imagem: Artsy.


Em sanguínea, com realces em branco sobre papel cinza, o retrato é pequeno, medindo 19 cm × 12,5 cm. No canto inferior direito, veem-se as iniciais do artista, precedidas pela inscrição "1st sketch" (1º esboço). É possível fazer uma oferta pela peça na página do Artsy, que traz várias informações valiosas:


Este desenho é um estudo fiel e perspicaz da vida do romancista E.M. Forster. A aparência do escritor era notável por suas pálpebras pesadas, bigode ralo e olhos penetrantes, características estas que foram vividamente registradas na ilustração de Rothenstein. Fotografias da época mostram que ele mantinha a cabeça ligeiramente curvada, inclinada para a frente ou para um lado, e isso é sensivelmente registrado na representação da cabeça por Rothenstein. [...]


As cartas de Forster para Rothenstein oferecem uma visão sobre a natureza do relacionamento entre eles. Mantiveram uma relação amigável por mais de trinta anos, incentivada por amigos em comum, como o anfitrião da alta sociedade e cientista amador Sylvester Herringham, que promoveu uma reunião em que os dois, aparentemente, se conheceram em 1912. Ambos conheciam a cidade indiana de Benares, e Rothenstein pôde apresentar Forster a um faquir que lá vivia. Parece que foi Rothenstein quem sugeriu a Forster a ideia de um retrato.


Em 1922, Forster respondeu: "Gostaria muito de ser desenhado por você, e também de vê-lo novamente". Nessa ocasião, porém, surgiram complicações e as sessões foram adiadas – principalmente devido à indisponibilidade de Forster, que morava em Surrey e passava relativamente pouco tempo em Londres. Ele escreveu novamente no verão seguinte para encorajar Rothenstein: "Posso pedir que você me desenhe nesta sexta-feira? Qualquer lugar, qualquer hora. Seria um prazer enorme para mim". Provavelmente foi nessa ocasião, em julho de 1923, que este desenho de Forster foi feito. Parece que Rothenstein perguntou sobre a possibilidade de fazer outro retrato dele no ano seguinte, mas Forster respondeu: "Gostaria muito de poder posar para você novamente, já que você sugeriu, mas receio que, da forma como as coisas estão agora, isso não seja possível."


Como indica a inscrição no canto inferior direito, este desenho foi o "primeiro esboço" preliminar que precedeu um desenho de apresentação maior, de meio corpo. Essa ilustração agora está exposta no hall do King's College, em Cambridge. [...] O desenho do King's College é amplamente conhecido: foi publicado no Illustrated London News em 11 de outubro e no The Graphic em 8 de novembro de 1924, foi reproduzido como uma litografia em edição limitada e, posteriormente, usado na capa de uma seleção de cartas de Forster. Em contraste, este desenho sanguíneo da cabeça de Forster nunca foi exibido ou ilustrado e permaneceu na posse do artista até sua morte. 


[...] Escrevendo no segundo volume de suas memórias, em 1932, ele recordou o início da década de 1920 como um período especialmente prolífico em sua carreira no que diz respeito a desenhos de retratos.


"Após oito anos dedicados principalmente à pintura de paisagens, fiquei grato pelo fluxo de modelos que consentiram em ser desenhados ou pintados. Para o Winchester College, desenhei HAL Fisher e Lorde Grey; desenhos de Dean Inge e E. M. Forster foram adquiridos para o King's College, Cambridge. [...]


[...] Este desenho de E.M. Forster está de acordo com as práticas habituais de Rothenstein. Foi feito com os mesmos materiais – giz vermelho sobre papel cinza – que o estudo de Rothenstein para um retrato do artista Barnett Freedman, por exemplo. [...]


Como já mencionado, trata-se de um esboço preliminar que deu origem a um desenho maior, de meio corpo, atualmente exposto no hall do King's College, em Cambridge, e que você confere a seguir. 


O retrato de meio corpo, originado do esboço preliminar. | Imagem: Fine Art America. 


Citado no texto da página do Artsy, o livro com cartas selecionadas de Forster que utiliza o retrato acima na capa é o primeiro de dois volumes publicados pela editora Collins na primeira metade dos anos 80 e editados por Mary Lago e P. N. Furbank. Já o esboço preliminar foi utilizado na capa de uma das edições de E. M. Forster: A Life, biografia autorizada escrita por P. N. Furbank, publicada pela Abacus também nos anos 80.


Uma carta para Miss Emily

Uma carta original de E. M. Forster está à venda no site Memorabilia UK, especializado no comércio de materiais autografados por personalidades variadas. 

A pequena carta manuscrita e assinada em papel timbrado do King's College, Cambridge, mede 18 x 11 cm e seu estado de conservação é descrito como bom, com condição geral de 8,5/10. O valor cobrado é de £350,00, mas os interessados podem fazer uma oferta justa para consideração do site.

A página do item traz somente a transcrição da mensagem da correspondência, sem precisar a data e o destinatário. Analisando mais detidamente, acredito que a data seja 14 de março (March 14th), escrita ao lado do timbre do King's College, porém sem ano especificado. Já o nome da destinatária parece ser Miss Emily. Não consegui decifrar o sobrenome. 

A tradução da mensagem é a seguinte:


"Agradeço sua gentil carta. Demorei para respondê-la até que meus planos estivessem definidos. Infelizmente, eles não se concretizaram da melhor forma. Nesse fim de semana, estarei com a amiga que me ajuda com a correspondência, e não poderei ter o prazer de jantar com você. Gostaria de saber se você teria disponibilidade para trabalhar comigo no domingo (dia 20), de preferência à tarde. Ficaria muito grato se pudesse. Atenciosamente, E. M. Forster."


O Memorabilia UK é um revendedor registrado no Universal Autograph Collectors Club e membro do Collector Approved.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Peça Maurice em Porto Alegre


A peça Maurice, sobre a qual já falei algumas vezes aqui no blog, terá única apresentação neste sábado (10) no Teatro do CHC Santa Casa, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O espetáculo é uma produção da Cia. de Teatro Sala 3.

Após a sessão, haverá um bate-papo com o diretor Altair de Sousa e o elenco, encabeçado por Andreane Lima (Maurice Hall), que também assina a dramaturgia, e Esley Zambel (Clive Durham). Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.

Combinando recursos do teatro, literatura e cinema, a montagem já recebeu prêmios em diferentes festivais nas categorias de espetáculo, direção, cenário, iluminação, figurino e atuação. A adaptação já foi apresentada no Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa (FENATA), no Goiânia em Cena, no Festival Nacional de Teatro de Limeira, no FIT Bahia e na Mostra Nacional de Teatro de Anápolis.


"Maurice", da Cia. de Teatro Sala 3 

Direção: Altair de Sousa;
Dramaturgia: Andreane Lima;
Data: 10 de outubro (sábado);
Horário: A partir das 19h30;
Local: Teatro do CHC Santa Casa, Avenida Independência, 75, Porto Alegre (RS);
Duração: 60 minutos;
Classificação indicativa: 18 anos.



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Memorabília inédita em Londres

Jim Buckingham ao lado de uma de suas pinturas na exposição. | Foto: Facebook Bloomsbury Festival. 


Jim Buckingham conheceu E. M. Forster quando ainda era criança. Sobrinho de Bob Buckingham, o policial com quem o escritor manteve um longo relacionamento de quatro décadas, Jim, agora um senhor de mais de 80 anos, é um dos curadores da exposição E. M. Forster’s Legacy of Connection: Unseen Memorabilia, que reúne um acervo inédito de recordações do seu "tio Morgan".  

Aberta ao público desde 01 de outubro, em Londres, a mostra concentra uma coleção de objetos pessoais, cartas e fotografias de Forster nunca antes vista. Jim também expõe suas próprias pinturas pela primeira vez, incluindo retratos do próprio Forster, que incentivou o seu dom para pintar, de Bob e outros membros da família, além de uma série de obras com o tema da ancestralidade.


E. M. Forster retratado por Jim Buckingham. | Foto: Site Bloomsbury Festival.


Além de um novo vislumbre da vida privada e do legado do escritor, a exposição também oferece novas perspectivas sobre a sua relação com a família Buckingham e a história da classe trabalhadora do distrito de Bloomsbury. A situação em que a família de Jim, composta por seis pessoas, morava em dois cômodos perto de King's Cross, foi mencionada por Forster em seu livro de ensaios Two Cheers for Democracy. 

O evento de lançamento, em 29 de  setembro, contou com palestras e uma sessão de perguntas e respostas. A professora, escritora, pesquisadora e especialista na obra de Forster, Claire Monk, abordou a recepção contemporânea da obra do escritor e a influência da história social de Bloomsbury na vida dele e da família Buckingham. Já o professor Daniel Monk, que assina o primeiro estudo sobre o testamento de Forster, explorou a forma como o documento desafiou convenções e redefiniu os conceitos de amizade e família em relação ao apoio que ofereceu aos Buckingham. 

   


Como parte do Bloomsbury Festival, que está completando 20 anos, a exposição acontece no Camden Archives and Local Studies Centre, na Holborn Library até 31 de outubro. Além de Jim, Lucy Goodison e o Bloomsbury Festival assinam a curadoria da mostra. A entrada é gratuita. Pelo que pude compreender, a mostra seguirá de forma independente até meados de dezembro, porém, não encontrei informações se permanecerá no mesmo local. 

Fiquei curiosíssimo, especialmente, em relação às fotografias inéditas de Forster. Por uma das imagens de divulgação nas redes sociais do festival, é possível ter um breve vislumbre delas, o que aguçou ainda mais a curiosidade. Achei intrigante que a divulgação do evento trate o relacionamento de Forster e Bob como "amizade", quando sabemos que foi um vínculo amoroso intenso e duradouro. 


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