domingo, 18 de outubro de 2026

Bom domingo e boas leituras

A estação ferroviária de King’s Cross (no final do século XIX), que para Margaret Schlegel "sempre sugerira o infinito".


"Aqueles dois grandes arcos, sem cor, indiferentes, sustentando no meio um relógio desgracioso, eram portais feitos para alguma aventura eterna, cujo desenlace podia ser próspero, mas certamente não seria expresso na linguagem banal da prosperidade."
 (Howards End, Capítulo II)


 Imagem: Internet Archive.

sábado, 17 de outubro de 2026

E. M. Forster & Surrey

O site do jornal The Telegraph listou as dez aldeias mais bonitas do condado de Surrey, no sudeste da Inglaterra. O ranking foi organizado pela escritora de viagens Kathryn Liston e conta com sugestões de divertimento, hospedagem e curiosidades. Dois vilarejos escolhidos por Kathryn tem ligação com a biografia e a literatura de E. M. Forster. 


9. Abinger Hammer


É impossível não notar Jack, o Ferreiro, o famoso morador da vila. Ele bate as horas com seu martelo no relógio que fica suspenso sobre a A25, rodovia que corta a vila. O relógio, doado em memória do primeiro Lorde Farrer de Abinger Hall, que faleceu em 1899, simboliza o papel que Surrey e a Abinger Hammer Mill, também chamada de Forja de Abinger, desempenharam na indústria do ferro.

No entanto, o principal atrativo aqui é o rio Tillingbourne, com suas águas calmas. Você verá crianças brincando na água com redes de pesca, tentando pegar peixinhos. Para ser sincero, não há muito além de um campo de críquete – você pode até assistir a uma partida no verão – e uma loja/casa de chá que serve sanduíches, bolos e chá em xícaras de porcelana fina.


Jack, o Ferreiro, posicionado na torre do relógio do vilarejo, bate as horas com o seu martelo. | Foto: Alamy Stock Photo.


O vínculo de E. M. Forster com o vilarejo de Abinger Hammer começou ainda na infância e duraria por toda a sua vida. Ele viveu lá com sua mãe por mais de duas décadas, de 1925 a 1946, em West Hackhurst, uma casa projetada pelo seu próprio pai, cujo arrendamento o escritor herdou após o falecimento de sua tia paterna Laura. 


1. Holmbury St. Mary


Vale muito a pena dirigir até esta charmosa vila nas belas colinas de Surrey. Ela é frequentemente apelidada de Pequena Suíça devido à forma como suas casas imponentes estão espalhadas pelas encostas de Holmbury Hill. Algumas casas de fazenda datam do século XVII.

A vila possui os atributos habituais: um parque; a imponente Igreja de St. Mary, com seus sinos, projetada pelo arquiteto vitoriano George Edmund Street; dois pubs; dois cafés; e, claro, vistas fabulosas. Você estará em boa companhia, pois caminhantes, ciclistas e praticantes de mountain bike vêm em massa para explorar as trilhas e caminhos de Holmbury, Leith e Pitch Hills.


Holmbury St. Mary também é conhecida como Pequena Suíça. | Foto: Alamy Stock Photo.


Aldeia vizinha a Abinger Hammer, Holmbury St. Mary teria inspirado Forster na criação da Summer Street, em A Room with a View. É lá que fica localizada a casa dos Honeychurches, Windy Corner, nos arredores da cidade de Tunbridge Wells (hoje Royal Tunbridge Wells). 

Apesar do The Telegraph ser a fonte original, foi através do site SurreyLive que tive conhecimento desse conteúdo. Joseph Bickle, que repercutiu o ranking no SurreyLive, faz referência a E. M. Forster quando comenta sobre Holmbury St. Mary e foi isso que me atraiu à sua matéria.

Uma nova vista em Portugal


Ainda neste mês, a editora Clube do Autor vai lançar uma nova edição de Um Quarto com Vista em Portugal. É o primeiro livro de E. M. Forster a entrar para o catálogo da editora. 

Atualmente em pré-venda, a nova edição será lançada em 27 de outubro e faz parte da coleção Os Livros da Minha Vida. Infelizmente, o nome do tradutor ou tradutora não consta na página do livro no site da Clube do Autor e minhas pesquisas foram infrutíferas a esse respeito. Caso obtenha essa informação futuramente, atualizarei o post. De qualquer forma, é possível ler um trecho da tradução do primeiro capítulo no site. 

Com encadernação em brochura, a edição conta com uma bela capa. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Maurice no Egyptian Theatre


Queer, Period terá início na próxima semana, se estendendo até novembro. | Imagem: Site Egyptian Theatre.

Maurice (1987) será um dos filmes exibidos no Egyptian Theatre, em Los Angeles, como parte de sua nova série Queer, Period, uma celebração do drama histórico LGBTQ+ no cinema. O longa de James Ivory, restaurado em 4K, vai abrir a programação na próxima quarta-feira, 21 de outubro. 

Os curadores da série são os cineastas Javier Calvo  e  Javier Ambrossi, diretores de La Bola Negra, que estreia hoje nos cinemas. Queer, Period marca a chegada do novo longa da dupla e se inspira em sua história de liberdade, legado e visibilidade LGBTQ+. 

Até o dia 21 de novembro, os interessados e felizardos poderão assistir ainda Querelle (1982), Orlando (1993), Carol (2015), The Handmaiden (2016) e Portrait of a Lady on Fire (2019). 

Que grande experiência apreciar Maurice em 4k na tela desse palácio do cinema clássico, verdadeiro ícone da Era de Ouro de Hollywood. A maioria de nós fica apenas a suspirar.
 

A suntuosa fachada do Egyptian Theatre, em Los Angeles. | Imagem: Site Egyptian Theatre.


Em tempo: No The Paris Theater, também em Nova York, o Queer, Period começou na semana passada e tem programação até 22 de dezembro. Por lá, Maurice será exibido em 15 de novembro. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A Passage to India, por DeVita

A capa da releitura de A Passage to India e o dramaturgo Doug DeVita. | Imagens: Next Stage Press e Site oficial Doug DeVita.


Semana passada, o dramaturgo nova-iorquino Doug DeVita lançou sua adaptação de A Passage to India em formato de livro. A obra foi publicada pela Next Stage Press, que se define como "uma pequena editora de peças teatrais que, geralmente, são ignoradas pelos grandes grupos editoriais".

A releitura assinada por Doug DeVita tem sido descrita como ousada e provocativa. O texto dá vazão às paixões ocultas, subtexto homoerótico, desejos e tensões emocionais e românticas que ficaram latentes no clássico devido às restrições da época de sua publicação.

O elenco da peça é formado por seis homens e três mulheres, que se movimentam num cenário minimalista durante mais de 90 minutos. Narrada em estilo teatral de contador de histórias, a trama se desenrola em um ritmo frenético e emocionalmente intenso. 

O site ArtsIndependent traz algumas informações que merecem destaque:

"Para DeVita, o impulso de adaptar A Passage to India não nasceu de um exercício acadêmico, mas de uma relação profundamente pessoal, que já dura décadas, com o texto. Ele teve seu primeiro contato com a narrativa no início de 1985, através da adaptação cinematográfica de David Lean, de 1984.

'Fiquei tão impressionado com o filme que assisti a três sessões em um único dia', lembra DeVita. 'No dia seguinte, corri para a Barnes & Noble para comprar o livro e o li inteiro naquela noite.'

[...] 'Por mais abrangente que seja A Passage to India, em sua essência é uma história íntima de três pessoas: Dr. Aziz, Adela Quested e Cyril Fielding, juntamente com Mahmoud Ali, amigo de longa data do Dr. Aziz', observa DeVita. 'Tudo o que fiz foi centrar uma história de amor em seres humanos perdidos que encontram o caminho de volta para si mesmos — suas próprias passagens para a Índia, por assim dizer.'"

A peça foi encenada pela primeira vez em 20 de julho deste ano, no Cullum Theatre, que integra o complexo do American Theatre of Actors (ATA), em Nova York (veja convite ao lado). Essa apresentação foi exclusiva para profissionais do setor, como produtores, agentes, diretores de elenco, especialistas da área e representantes da imprensa.  

O elenco contou com Joy Franz (Mrs. Moore) e David Sabella (Mr. McBride), ambos colaboradores de longa data de DeVita, além de Nitin Madan, Chris Ikner, Marie Eléna O'Brien, Anuj Parikh, David L. Carson, Patricia Randell e Benjamin I. Cardona.

Ao que parece, essa apresentação especial em julho não gerou interesse suficiente nos profissionais da indústria teatral – e consequente financiamento – para levar o espetáculo ao grande público. 

Espero estar equivocado a esse respeito e que, em breve, possa noticiar uma temporada da adaptação. De acordo com o site oficial do dramaturgo, a peça está atualmente em fase de desenvolvimento e disponível apenas para leituras exploratórias. É possível ler o primeiro ato completo no site da Next Stage Press. 

O evento de lançamento do livro, na semana passada, em Nova York, teve debate com o público, sessão de autógrafos e gravação ao vivo do podcast The Drama Book Show!, com a participação de Doug DeVita. Tudo aconteceu na livraria The Drama Book Shop. A seguir, confira o episódio do podcast, que conta com um trecho da peça representado ao vivo: 



UPDATE 16/10/2026: A página do podcast The Drama Book Show! no Instagram postou hoje sobre a participação de Doug DeVita. O elenco de A Passage to India também esteve presente. 



Doug Devita e o co-host do podcast, David Rigano.



Os atores Joy Franz e Nitin Madan encenam um trecho da peça para o podcast.  



O dramaturgo e o elenco. Primeira fila, da esquerda para a direita: Joy Franz, Patricia Randell, Doug DeVita, Carole Monferdini, Marie Eléna O'Brien. Segunda fila, da esquerda para a direita: Nitin Madan, Anuj Parikh, David Sabella, Mary Powellson, David Carson, David Mackler.

Fotos: Dan Lane Williams. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

E. M. Forster em ucraniano

As capas de A Room with a View (Кімната з видом) e Maurice (Моріс). | Foto: Osnovy.


Há pouco mais de um ano, a editora Osnovy anunciou a publicação da coleção completa dos romances de E. M. Forster pela primeira vez em ucraniano. Em 2026, um terço do projeto já foi concretizado, com o lançamento das traduções de A Room with a View (Кімната з видом) e Maurice (Моріс). O próximo será Where Angels Fear to Tread (Куди бояться забрідати ангели), o único dos seis romances que até hoje não temos traduzido para o português brasileiro. 

A tradução dos dois livros já publicados é de Iaroslava Strikha, crítica literária e doutora em Estudos Literários pela Universidade de Harvard. Já as belas ilustrações são de Glyn Boyd Hart, o mesmo artista que assina as gravuras dos romances de Forster lançados pela editora independente londrina The Folio Society. 

Com capa dura e sobrecapa, são edições luxuosas. Um trabalho primoroso. Recentemente, a editora divulgou uma imagem da capa e sobrecapa de sua edição de Where Angels Fear to Tread, na qual está trabalhando ativamente, com previsão de entrar em pré-venda nos próximos meses. Veja a seguir:




Abaixo, mais algumas fotos das edições já lançadas.









terça-feira, 13 de outubro de 2026

A longa jornada de uma placa


A placa sobre três dos romances mais famosos do escritor. | Foto: King's College, Cambridge.

E. M. Forster faleceu em 07 de junho de 1970. No dia seguinte, despontou um mistério que seria solucionado somente em 2026, 56 anos depois: que fim levou a placa com o nome do escritor que ficava afixada na porta dos seus aposentos no King's College, em Cambridge? Ela estava parafusada lá havia 24 anos e simplesmente sumiu. 

Bem, a explicação não é extraordinária, mas não deixa de ser interessante. No início deste ano, a placa com o nome "Mr Forster" foi devolvida à instituição por um ex-aluno, agora um septuagenário, que prefere não ser identificado. A resolução do enigma aconteceu durante um encontro de egressos da faculdade. Vejamos o relato em suas próprias palavras:

"Quando eu estava na escola secundária, um dos poucos textos em inglês que eu gostava de ler era o conto The Machine Stops, de E. M. Forster. Quando entrei para o King's College, descobri que o Sr. Forster residia lá e comprei um exemplar de sua coletânea de contos. Certa tarde, o abordei enquanto ele estava sentado no Webb's Court e pedi que autografasse o livro, o que ele fez com a maior cortesia. O livro continua sendo um tesouro para mim. 


Após meus exames finais, no início de junho de 1970, passei uma noite - ou várias - no bar da faculdade com amigos. 'Afogando as mágoas' talvez descreva bem o clima. Mencionamos que o Sr. Forster tinha acabado de falecer e, de forma um tanto irracional, surgiu um plano para preservar a placa da porta do quarto dele para a posteridade. Para ser completamente honesto, não tenho certeza se essa era a nossa maior preocupação. Como num passe de mágica, uma chave de fenda adequada apareceu e a placa da porta foi removida.


Depois da formatura, voltei para casa e levei comigo, para minha surpresa, a placa da porta do quarto do Sr. Forster. Nos 55 anos seguintes, ela ficou guardada em várias caixas etiquetadas como 'Lembranças', foi transferida de casa em casa e raramente viu a luz do dia. Finalmente, tendo a oportunidade de revisitar a faculdade, consegui encontrar e devolver a placa, orgulhoso por tê-la preservado por tanto tempo e grato por ela ter sido aceita sem questionamentos."


Ao site The Observer, a professora Nicolette Zeeman, curadora das coleções do King's College, disse que a faculdade ficou "encantada – e um tanto animada" por tê-la de volta. "É muito comovente que ele a tenha guardado por todos esses anos."

Segundo ela, Forster se sentia em casa no King’s College, que tem “uma longa tradição de tolerância à homossexualidade, que remonta ao século XIX”. Embora a homossexualidade fosse ilegal na época, outros membros do corpo docente eram abertamente gays. “Assim como foi para Alan Turing, a faculdade era um lugar onde as pessoas gays se sentiam confortáveis ​​e acolhidas – tenho certeza de que esse é um dos motivos pelos quais Forster veio para cá." 

Zeeman destacou ainda que ele não dava aulas, preferindo “estar em seus aposentos e na comunidade acadêmica” e que o escritor “tinha um quarto com vista”.


Forster, fotografado por Edward Leigh, observa a vista pela janela de sua sala no King's. | Foto: King's College Archive Centre.

Os antigos aposentos de Forster, de três cômodos, agora formam a Suíte de Pós-Graduação, que oferece um espaço de convivência e estudo para estudantes. Uma cornija, projetada por seu pai, ainda circunda uma lareira revestida de azulejos verdes, e uma estante de livros que outrora lhe pertenceu fica do lado oposto. 

Após a devolução da placa, a União de Estudantes de Pós-Graduação da KCGU votou para renomear os aposentos como "E. M. Forster Suite" e assim foi feito no aniversário de morte do escritor. Àquela altura, o plano, de acordo com Nicolette Zeeman, era exibi-la em algum lugar perto da porta, provavelmente afixada na parede. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto recente do local. 

"Nada é completamente seguro, mas acho que é um risco que vale a pena correr”. Concordo com ela e nos resta torcer para que a placa continue lá por muitos anos. 


Em seus aposentos no King's College, Forster posa em frente à lareira, cuja moldura foi projetada por seu pai. | Foto: Alamy.


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Minissérie A Passage to India

Em meados de 2025, foi anunciado que a BBC e a Working Title Television estão desenvolvendo uma adaptação de A Passage to India em formato de minissérie com cinco episódios. Uma novidade muito promissora, já que o romance até hoje recebeu apenas duas  adaptações: uma de baixo orçamento em 1965 para TV, como episódio da série BBC Play of the Month, e o excelente longa de David Lean, em 1984. Uma minissérie, provavelmente com cerca de cinco horas de duração, garante tempo de tela suficiente para desenvolver a trama e os personagens com mais profundidade. 

O anúncio foi feito durante um painel do SXSW Londres, pela executiva da Working Title, Surian Fletcher-Jones. Ela revelou ainda que a adaptação e a direção da minissérie estão a cargo do canadense, com ascendência indiana, Richie Mehta, e que a série limitada será coproduzida por Nisha Parti, da Parti Productions.


Richie Mehta vai adaptar e dirigir a minissérie A Passage to India, da BBC. | Foto: Amazon India.

Por meio das palavras de Fletcher Jones, já podemos ter uma ideia de que a minissérie seguirá um caminho distinto das adaptações anteriores. Segundo a executiva, a produção vai dar uma nova perspectiva ao romance, a partir do ponto de vista indiano. Trata-se de uma releitura completa do romance, enaltecido por ela como "uma obra belíssima".


"Ele [Mehta] está escrevendo e dirigindo tudo. Tem sido uma jornada de desenvolvimento incrível, pois o projeto o fortaleceu. Não estamos fazendo uma versão de A Passage to India. Estamos fazendo a versão de A Passage to India de Richie Mehta e ajudando-o a ter a confiança necessária para ir o mais longe possível com essa história e incorporar seu próprio ponto de vista. É uma forma de resgatar a história colonial.”


Consultando a página do cineasta Richie Mehta no IMDB, constatei que ainda não conheço nenhum de seus trabalhos, mas que suas produções parecem ter uma íntima ligação com a Índia, o que já é um bom sinal. Uma de suas realizações mais premiadas foi a série Delhi Crime (2019–2022). 

Após o anúncio no ano passado, não foram divulgadas novas informações sobre o desenvolvimento da produção. Estranhamente, A Passage to India não consta entre os próximos trabalhos de Richie Mehta em sua página no IMDB. Aguardemos os próximos passos, torcendo para que o projeto não tenha sido engavetado. 


Leituras recomendadas:


domingo, 11 de outubro de 2026

The Obelisk (1977) no YouTube

Rosemary Martin (Hilda) e Peter Sallis (Ernest) posam durante intervalo das filmagens. 

Nesses anos de blog, já aprendi que as adaptações de obras de E. M. Forster indisponíveis na internet podem aparecer a qualquer momento neste vasto universo online e que sempre há alguém com esses arquivos que, inesperadamente, resolve compartilhar com o mundo. Isso já aconteceu com A Passage to India (1965) e The Machine Stops (1966). E agora é a vez de The Obelisk (1977), adaptação televisiva do conto homônimo, publicado na coletânea póstuma The Life to Come and Other Stories (1972).

Trata-se do quarto episódio da primeira temporada da série Premiere (1977–1980), exibido pela primeira vez em 13 de outubro de 1977, na BBC. Com direção de Giles Foster e adaptação de Pauline Macaulay, o episódio tem 30 minutos de duração e foi disponibilizado pelo canal Tingytec no YouTube. O protagonismo fica a cargo dos atores Rosemary Martin e Peter Sallis, dois nomes com extensas carreiras na TV britânica. Ambos aparecem na foto acima, tirada nos bastidores das filmagens. Anteriormente não tínhamos nenhuma foto ou vídeo desta adaptação e agora temos os dois. 

Confira o episódio completo, sem legendas em português:


Em tempo: O conto The Obelisk possui tradução para o português de Portugal. 

sábado, 10 de outubro de 2026

A Room with a View na Austrália


Nathalie Morris interpreta Lucy Honeychurch na nova adaptação de A Room with a View. | Imagem (detalhe): Daniel Boud.

Em 2022, a dramaturga e roteirista australiana Grace Chapple estava visitando Florença enquanto escutava o audiolivro de A Room with a View e acompanhava a protagonista Lucy Honeychurch fazendo o mesmo pelas ruas da cidade italiana. Chapple logo percebeu que, além de uma história em torno de um triângulo amoroso, se tratava também de um romance sobre amadurecimento. 

Ano passado, ainda deslumbrada com o potencial teatral da obra, ela decidiu adaptá-la para os palcos. A estreia aconteceu há exatamente uma semana, no Belvoir St. Theatre, em Sydney, onde seguirá em cartaz até 01 de novembro. (UPDATE 13/10/2026: devido ao sucesso com público e crítica, a peça agora ficará em cartaz até 08 de novembro).

O espetáculo tem direção de Hannan Goodwin e é protagonizado por Nathalie Morris (Lucy Honeychurch) e Luke Wilshire (George Emerson). Apesar dos figurinos remeterem ao início do século XX, a peça é uma reinvenção contemporânea, com um cenário que pode ser considerado minimalista. A história é contada em primeira e terceira pessoa, com vários personagens assumindo o papel de narrador. 


Cena de A Room with a View, a adaptação australiana. | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


Nas críticas que li, as descrições de duas cenas específicas me chamaram atenção:

"A peça começa com Lucy (Nathalie Morris) e sua prima Charlotte (Hayley McElhinney), que a acompanha, abrindo a janela do quarto de hotel em Florença – para descobrir que, na verdade, não há a vista prometida. Sabemos disso porque um cartaz de papelão é exibido do lado de fora da janela, anunciando "Sem Vista". Isso arranca uma risada imediata da plateia e prepara o terreno para a produção estratégica e inteligente da diretora Hannah Goodwin, que tanto encena a ação quanto a comenta." [...]


[...] "Esta adaptação também inclui, de forma proativa, histórias de amor que Forster não pôde (mas claramente desejava). O público demonstra um deleite palpável quando o reprimido Reverendo Beebe (o sempre excepcional Tom Conroy) e o irmão de Lucy, Freddy (Tomáš Kantor, em um dos vários personagens devastadoramente charmosos que ele cria), se beijam." (Laura Gunters, do The Conversation)


Mr. Beebe (Tom Conroy) e Freddy (Tomáš Kantor). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


A peça se estende por 2 horas e 50 minutos, com intervalo de 20 minutos, e contém cenas de nudez explícita. Até conseguimos imaginar quais são as tais cenas, não é mesmo? 

Depois de Sydney, o espetáculo seguirá para o Southbank Theatre, em Melbourne, de 14 de novembro a 19 de dezembro, e posteriormente para o Black Swan Theatre, em Perth, de 05 a 14 de março.

As avaliações da crítica especializada tem saído aos poucos e a recepção não poderia ser mais calorosa: 


Como diz o The Guardian, "até mesmo a frequentemente enfadonha Charlotte (Hayley McElhinney) recebe um momento de graça." | Foto: Brett Boardman/Belvoir.


"O elenco está profundamente presente, aberto e excelente. Como a peça é escrita, dirigida e interpretada com tanto cuidado, acreditamos - verdadeiramente acreditamos - nessas personagens."
Cassie Tongue, The Guardian.

"A adaptação respeitou o dilema de E. M. Forster como homem gay, restaurando-o com esmero, elevando-o e fazendo-lhe referência com elegância."
Robyn Roelandts, Sydney Arts Guide.

"Com romance, muito humor e um roteiro instigante, A Room with a View proporciona uma noite encantadora no teatro."
Natasha Ciesielski, Bacchus at the Theatre. 


Cecil Vyse (Charles Wu) e Lucy Honeychurch (Nathalie Morris). | Foto: Brett Boardman/Belvoir.

Antes de encerrar o post, confira um vídeo em que a dramaturga Grace Chapple e a diretora Hannan Goodwin falam sobre o que as atraiu no livro de Forster: