domingo, 8 de novembro de 2026

Cecil Vyse Sugere [II]


O nosso segundo apanhado de notícias e conteúdos relacionados a E. M. Forster acaba de chegar. A Room with a View e Maurice dominam as novidades dessa vez. Vamos às sugestões do janota Vyse. 





O Clube do Livro Querido Clássico 2027 vai ler Um Quarto com Vista no mês de janeiro. A lista de obras escolhidas para o próximo ano foi divulgada pela criadora do clube, Mia Sodré, no final de outubro. Boa leitura a todos os participantes!



A atriz Nathalie Morris, que interpreta Lucy Honeychurch na nova adaptação australiana de A Room with a View para os palcos, concedeu uma entrevista para a edição de novembro da Vogue Austrália. A conversa com Nina Miyashita, editora de conteúdo digital, aconteceu durante os ensaios, no início de setembro, um mês antes da estreia do espetáculo.


Nathalie Morris (Lucy Honeychurch) e Kate Atkinson (Srta. Lavish e Sra. Honeychurch) durante os ensaios. | Foto: Brett Boardman/Belvoir.

"Morris destaca que a temática queer também pulsa sob a superfície de A Room with a View, em seus temas codificados de desejo proibido e rebeldia social. 'Mesmo sendo uma história de amor entre um jovem e uma jovem, de repente, tudo fez sentido para mim', compartilha Morris. 'Eu pude entender aquele sentimento com o qual [Forster] lutava — a tristeza de nunca ter conseguido fazer o que Lucy faz e viver honestamente, mas de ter criado personagens que conseguiam.'"

A Room with a View fica em cartaz até hoje no Belvoir St. Theatre, em Sydney. Sua próxima parada será no Melbourne Theatre Company, de 14 de novembro a 19 de dezembro. 





O site da revista Out, voltada ao público LGBT+, publicou uma longa e estimulante lista com 32 dramas gays de época que levam o espectador de volta no tempo, "sem o incômodo de, você sabe, ter que viver no passado". Maurice (1987), claro, é um deles. 

My Policeman (2022) também faz parte da lista. O filme é baseado no livro homônimo de Bethan Roberts, que se inspirou no triângulo amoroso vivido por E. M. Forster, o policial Bob Buckingham e sua esposa May para escrever a obra. Há ainda duas cinebiografias de amigos de Forster: Christopher and His Kind (2011), baseado na autobiografia homônima do escritor Christopher Isherwood, e Benediction (2021), sobre a vida do poeta Siegfried Sassoon. 





O site da revista Southern Living listou 11 livros essenciais para ler antes dos 75 anos. A Room with a View é o primeiro citado:

"A Room with a View é um romance encantador, uma pequena preciosidade. A escrita de Forster é como uma lufada de ar fresco. Seus personagens são retratos vívidos de uma época passada, mas sua mensagem de ternura e conexão transcende o passado."

A apreciação acima é de Kathleen Wylie, da Little Professor Bookshop em Homewood, Alabama, que ajudou a repórter Kait Hanson na organização da lista. A equipe da livraria Book People, em Austin, Texas, também colaborou com o conteúdo da Southern Living.




Uma ilustração da própria Sam Park acompanha o artigo. 


Sam Park, a editora de design e quadrinhos do site Harvard Independent, publicou um artigo cativante intitulado "Os livros me tornaram gay - A literatura que me transformou em lésbica". Ela conta como a leitura de Maurice a afetou:

"Este romance me levou a questionar meus próprios valores e a considerar que tipo de sacrifícios eu estaria disposta a fazer. A dificuldade de ser queer é que não existe uma escolha fácil sobre que tipo de vida levar."



Baseada em A Passage to India, a peça teatral Passage, de Christopher Chen, tem se mostrado bastante longeva. 

Falei sobre ela aqui no blog pela primeira vez em 2018 e até os dias atuais o espetáculo continua recebendo novas montagens e sendo apresentado nos palcos dos Estados Unidos. Desta vez, está sendo produzido pela Divisão de Teatro da Universidade do Missouri-Kansas City (UMKC). A direção é de Yetunde Felix-Ukwu. 

A nova montagem estreia em 18 de novembro e terá quatro apresentações no total, até o dia 21, no The Arts Asylum. A página do UMKC Theatre no Instagram publicou fotos dos ensaios alguns dias atrás.





Detentora do título de revista literária mais antiga dos Estados Unidos, a The Yale Review publicou em seu site o ensaio crítico The Novels of Virginia Woolf, de autoria de E. M. Forster. Através da análise dos romances The Voyage Out, Night and Day, Jacob's Room e Mrs. Dalloway, o escritor analisa a trajetória literária de Woolf e sua transição de estilo. 

Originalmente publicado há mais de 100 anos, em 01 abril de 1926 na revista The New Criterion, de T. S. Eliot, o texto foi a base de uma palestra proferida como Rede Lecture na Senate House, Universidade de Cambridge, em 29 de maio de 1941, dois meses após a morte de Woolf.


Aproveite e leia também The Novels of E. M. Forster, por Virginia Woolf, traduzido e publicado por este blog. 



A página no Instagram do musical A Room with a View postou um vídeo dos bastidores da gravação do single Florence, que será lançado oficialmente em 04 de dezembro. A canção tem produção de Zack Berger, Scott M. Brusven, Samuel J. Olson e Ron & Anne Jacobs. Já é possível adquiri-la na pré-venda aqui.

Confira nosso post sobre essa produção norte-americana: A Room with a View, o musical.

 



 


Assim como no primeiro apanhado, finalizo com a imagem de um filme que assisti recentemente. Dessa vez, They Came from Beyond Space (1967), que no Brasil recebeu pelo menos três títulos diferentes: Eles Vieram do Espaço Exterior, A Morte Vem do Espaço e Intrusos de Outro Mundo. Obra da lendária Amicus Productions, o elenco do filme conta com Zia Mohyeddin, ator paquistanês-britânico que interpretou o Dr. Aziz na peça A Passage to India de 1960, no West End de Londres, e reprisou o papel no episódio da série BBC Play of the Month em 1965, dois anos antes de atuar em They Came from Beyond Space.


Zia Mohyeddin (Farge) em primeiro plano. Ao seu lado, Jennifer Jayne (Lee Mason) e Robert Hutton (Dr. Curtis Temple) em cena de  They Came from Beyond Space (1967). | Imagem: captura de tela do blog. 


Farge, o personagem de Zia, só aparece por volta de uma hora de filme - o longa tem 85 minutos - porém é o mais carismático de todos. O longa dirigido por Freddie Francis é bem mediano, facilmente esquecível, com poucos momentos realmente empolgantes. 

Zia Mohyeddin faleceu em 2023, aos 91 anos. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Forster e a 2ª Guerra Mundial


Amanhã, o Dorking Museum, no condado de Surrey, vai promover uma exposição pop-up que tem E. M. Forster como um dos seus personagens de destaque. Refugee Voices from World War II: Cultural Crossroads in Dorking (em tradução livre, Vozes de Refugiados da Segunda Guerra Mundial: Encruzilhadas Culturais em Dorking) enfoca o conjunto de ações solidárias dos habitantes do Surrey em relação aos refugiados do conflito, especialmente os oriundos da Alemanha nazista e outros países da Europa Central a partir de 1938.

Durante todo o dia, os visitantes poderão conhecer as histórias de pessoas que foram obrigadas a deixar seus lares e também daqueles que as acolheram e ajudaram a encontrar abrigo no condado. Curadores, historiadores e professores estarão presentes para conversar com o público e refletir sobre os esforços humanitários de pessoas comuns que moldaram a posição da cidade de Dorking diante de uma realidade tão sombria. A mostra integra o Being Human Festival 2026, da Universidade de Surrey, que acontece de 05 a 14 de novembro. 

Se na Primeira Guerra Mundial, E. M Forster atuou como pesquisador da Cruz Vermelha, entrevistando soldados feridos para obter informações sobre combatentes desaparecidos, na Segunda Grande Guerra sua cooperação se deu de outra forma. Em 1939, já um sexagenário, o escritor ajudou a fundar e liderar o Dorking and District Refugee Committee (Comitê de Refugiados de Dorking), que permaneceu ativo durante 11 anos, de 1938 a 1949. Forster foi o vice-presidente da comissão, enquanto o compositor Ralph Vaughan Williams, seu amigo e vizinho, ocupou a função de presidente. Antes do conflito, ambos haviam trabalhado nas peças teatrais históricas Abinger Pageant (1934) e England’s Pleasant Land (1938).


Ao centro, E. M. Forster e o compositor Ralph Vaughan Williams discutindo o Abinger Pageant em 1934, cinco anos antes da eclosão da guerra. | Foto: E. M. Forster: A Life, de P. N. Furbank, Harcourt Brace Jovanovich, 1977-1978. 


Os voluntários do Comitê de Refugiados de Dorking encontravam moradia (em propriedades locais como Fairhaven em Holmbury St. Mary, Burchett House e Clarendon House), trabalho, vagas em escolas, empréstimos e assistência médica para os refugiados - adultos e crianças - que chegavam à cidade. O trabalho do escritor nesse contexto delicado é destacado na exposição do Dorking Museum. A página da instituição no Instagram postou uma prévia dos conteúdos aos quais os visitantes terão acesso e um dos painéis traz referência a E. M. Forster: 



E. M. Forster (1879-1970) é mais conhecido como autor de romances como A Room with a View (1908), Howards End (1910) e A Passage to India (1924). Algumas de suas obras literárias foram inspiradas pelos períodos de sua vida que passou em Surrey, particularmente as peças teatrais que escreveu em parceria com Ralph Vaughan Williams, retratando a vida rural de Surrey e protestando contra as forças da mudança e da industrialização. Forster era um humanista e objetor de consciência que usou sua posição como locutor da BBC para comunicar a importância da tolerância e da conexão cultural durante períodos difíceis em seu país. Embora seu nome apareça intermitentemente nas atas do Comitê de Refugiados de Dorking, seu trabalho para o Comitê – especialmente em relação àqueles ameaçados de internação – revela a importância que a causa tinha para ele.


E. M. Forster nos arquivos do Comitê de Refugiados de Dorking 

Há muitos anos, o Dorking Museum mantém em seus arquivos uma coleção de documentos que registram as ações do comitê, como cartas, fotografias, atas de reuniões, ordens de pagamentos e questionários para tribunais. Até pouco tempo, esses registros existiam apenas em papel, mas este ano foram digitalizados por meio de uma parceria com a Universidade de Surrey. 

Desde 24 de setembro, o público em geral pode acessá-los pelo site Dorking Refugee Archive, que organiza o trabalho do comitê em cinco temas: Solidariedade, Cuidado com os refugiados, Crianças, Os anos do pós-guerra e As pessoas envolvidas. O material também está sendo disponibilizado para escolas locais, pesquisadores e grupos comunitários, acompanhado de recursos educacionais.

Refugiados tchecos da região dos Sudetos em um momento descontraído em Dorking. | Foto: Dorking Musem.


Cartas e documentos assinados por E. M. Forster fazem parte desses arquivos de grande valor histórico. Um dos casos que teve envolvimento direto do escritor foi o de Erika Schmidt-Landry, uma ex-jornalista alemã, mãe de três filhos. Seu marido foi internado na Ilha de Man ainda no início do conflito em 1939 e Erika receava ter o mesmo destino. 

Assim que a guerra foi declarada, cidadãos alemães e tchecos passaram a ser aprisionados em campos de internação como "enemy aliens" (estrangeiros inimigos). Diante desse cenário, o Comitê de Refugiados de Dorking os ajudava a apresentar pedidos aos tribunais do Ministério do Interior para garantir sua liberdade, além de prepará-los para enfrentar as audiências nas quais teriam que provar que não representavam uma ameaça e que poderiam ser úteis às suas comunidades. 

Forster e Vaughan  Williams intervieram diretamente em defesa de Erika perante as autoridades governamentais quando ela se viu obrigada a colocar os seus filhos pequenos num orfanato. O apoio do comitê foi crucial para que ela continuasse em liberdade. Ambos também se voluntariaram para assistir às audiências e recursos nos tribunais em casos semelhantes, além de solicitar a libertação de músicos, pensadores e acadêmicos judeus internados. O editor Victor Gollancz, amigo de Forster, foi um dos que colaboraram com a causa de alguns internados.


Holly House, em Rose Hill, local das reuniões do Comitê de Refugiados de Dorking. | Foto: Dorking Refugee Archive.

Para Forster, não bastava fornecer comida e teto aos refugiados. Suas cartas evidenciam que o apoio humanitário deveria seguir um modelo de assistência integrada, garantindo cuidados médicos, educação que resguardasse as crenças religiosas individuais e a doação de instrumentos musicais para auxiliar no processo de recuperação do trauma da guerra. Como presidente do National Council for Civil Liberties (Conselho Nacional de Liberdades Civis), atual Liberty, ele atuou fortemente em defesa dos direitos civis, utilizando essa plataforma para conscientizar sobre a importância de combater a censura e a discriminação contra refugiados que buscavam proteção no Reino Unido. 

Nos dias atuais, o comitê fundado por Forster e Vaughan Williams é uma inspiração para o grupo Dorking Refugee Support (Apoio a Refugiados em Dorking), que dá suporte àqueles que foram deslocados pela guerra e pela opressão.

Logo abaixo você vê um dos vários questionários para tribunais, com o nome de E. M. Forster na lista de integrantes do Comitê Geral.



Leituras recomendadas:

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Capas dos livros de E. M. Forster


A Editorial Navona, ou simplesmente Navona, é uma editora independente com sede em Barcelona, Espanha. Em seu vasto catálogo, encontramos três obras de E. M. Forster, duas delas disponíveis em espanhol e em catalão:

Maurice (em espanhol e catalão);
Pasaje a la India (em espanhol) / Viatge a l’Índia (em catalão);
Aspectos de la novela (em espanhol).

Nesse grupo, Aspectos de la novela é uma exceção em dois aspectos: é o único a fazer parte da coleção Serie P e o único publicado em 2024. Todos os outros livros integram a coleção Serie R e foram lançados em 2022. 

As edições trazem os nomes dos tradutores nas capas, o que é sempre louvável. As mais belas, no meu ponto de vista, são as de Pasaje a la India e Aspectos de la novela. Clique em cada capa para acessar a página correspondente no site da editora e conferir mais informações.

Em espanhol





Em catalão


  

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

E. M. Forster em Long Island

No Brasil, o filme Love and Death on Long Island (1997) recebeu o título simplificado de Amor & Morte. 


No início de 2023, adquiri para minha coleção de filmes com temática LGBT+ o DVD de Amor & Morte (Love and Death on Long Island, 1997). Ao comprar esse filme, que eu jamais tinha assistido, não imaginava que um nome muito familiar seria citado logo nos seus primeiros minutos. Antes de prosseguirmos, confira um trecho e a sinopse desse longa britânico-canadense, dirigido por Richard Kwietniowski e baseado no romance de Gilbert Adair. 



O escritor britânico Giles De'Ath (John Hurt) passou tempo demais recluso entre seus livros. Certa vez, trancado para fora de sua própria casa, Giles acha refúgio da chuva em um cinema. Acreditando estar prestes a assistir à adaptação de uma obra literária, ele acaba entrando na sessão de uma comédia infanto-juvenil. 

Quando estava prestes a se levantar indignado com a baixa qualidade do filme, Giles De'Ath tem uma visão que o prende de volta na poltrona: o rosto de um jovem ator Ronnie Bostock (Jason Priestley). Impressionado com o rapaz, o viúvo Giles decide embarcar em uma jornada para descobrir mais sobre o dono daquela face, nem que se para isso tiver que aprender como usar um videocassete, comprar revistas adolescentes ou embarcar para Long Island. 


Sim, a tal adaptação de uma obra literária citada na sinopse é Eternal Moment, de E. M. Forster. Logicamente, se trata de um filme fictício, visto que esse conto jamais foi adaptado para o cinema. The Eternal Moment é uma das seis narrativas curtas publicadas em The Eternal Moment and Other Stories, a segunda coletânea do escritor, editada em 1928 e que já ganhou post especial aqui no blog. 

A cena do protagonista estranhando o que vê e, finalmente, deduzindo que não está assitindo uma história de E. M. Forster sempre me faz sorrir, especialmente pelo tempo que ele leva para chegar a essa conclusão. 

É interessante notar como a produção se preocupou em aproximar o cartaz de cinema da identidade visual característica das adaptações das obras de Forster. 




A paisagem montanhosa e a torre ao fundo me remeteram especialmente a Where Angels Fear to Tread (1991) e à Itália, claro, já que a história do conto se passa nesse país tão importante no legado literário do escritor.

Uma romancista chamada Srta. Raby retorna ao vilarejo de Vorta, na Itália, sobre o qual escreveu seu primeiro livro, The Eternal Moment, e se depara com as mudanças acarretadas no local após o sucesso da obra. Suas decepções estão acompanhadas das reminiscências de uma experiência amorosa que ela teve naquele lugar. 


No cartaz do filme fictício, vemos três nomes do elenco principal: Judi Maynard, Jonathan David e Maureen Bennett. É bem possível que existam referências implícitas na escolha de tais nomes, mas não consegui captá-las. 


John Hurt (Giles De'Ath), Jason Priestley (Ronnie Bostock) e Fiona Loewi (Audrey) em cena do filme. | Foto: Fabian Cevallos.

A respeito do filme em si, posso dizer que gostei bastante quando assisti anos atrás. A história da fixação do escritor Giles De'Ath - em uma atuação impecável de John Hurt - pelo jovem e bonito ator Ronnie Bostock, prendeu minha atenção do início ao fim, com um humor muito agradável. O enredo, em certa medida, remete à obra A Morte em Veneza, de Thomas Mann.

O filme completo está disponível no YouTube:


sábado, 31 de outubro de 2026

Ofertas de edições PT-BR

No post de ontem, destaquei algumas ofertas nada animadoras de livros de E. M. Forster na Estante Virtual, que reúne livreiros e sebos de todo o país. Pelo valor módico de R$ 420,00, você pode adquirir Maurice, a edição de 2006 da editora Globo. Não é tentador? Dispensando a ironia, é um alento lembrar que temos a recente edição da Ercolano, que não costuma ser encontrada por preços considerados muito acessíveis, mas mesmo assim pode ser adquirida por um valor quatro vezes menor. 

Sem dúvida, as edições da editora Globo são as mais raras e, por isso, têm os preços mais elevados. Por outro lado, ainda é possível encontrar obras publicadas pela Rocco, como A Mais Longa Jornada, por valores bem razoáveis. 

Hoje é a vez de reunir ofertas mais auspiciosas, afinal, elas existem, exigindo apenas um garimpo mais apurado. Além de anúncios da Estante Virtual, também selecionei um do Sebo do Messias, que infelizmente não dispõe de muitas obras do escritor. 

Clique na imagem para ser redirecionado ao anúncio correspondente.

Estante Virtual







Sebo do Messias

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Forster custa caro no Brasil

Em 2025, a editora Ercolano preencheu uma lacuna importante com a publicação de uma nova tradução de Maurice no mercado editorial brasileiro. No entanto, quando falamos do legado literário de E. M. Forster no contexto nacional, muitas lacunas ainda precisam ser remediadas, infelizmente. 

Antes de Maurice, no ano passado, o último livro de Forster lançado em nosso país havia sido O Ômnibus Celeste e Outros Contos, tradução de The Celestial Omnibus and Other Stories, em 2019. Quando falamos em romances, que são suas obras mais conhecidas, lá se vão 20 anos. Foi no longínquo ano de 2006 que a editora Globo concluiu a publicação de sua esmerada coleção forsteriana no Brasil, com Um Quarto com Vista, Howards End e Maurice chegando ao mercado. 

Toda a obra de Forster entrará em domínio público no Brasil somente daqui a 14 anos, em 1º de janeiro de 2041, quando o falecimento do escritor completará 70 anos, contados a partir de 01 de janeiro de 1971. A Lei 9.610/98, que trata dos direitos autorais no país, é bem clara: 

Art. 41. Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de 1º de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil.

Parágrafo único. Aplica-se às obras póstumas o prazo de proteção a que alude o caput deste artigo.

E. M. Forster não é muito conhecido no nosso país, isso é evidente. Quando os direitos de exploração econômica de sua obra expirarem daqui a 14 anos não se espera uma explosão de lançamentos de seus livros por aqui, como acontece com escritores e escritoras que gozam de um público leitor muito maior. Contudo, somente o fato de traduções de seus livros poderem ser editadas livremente, sem necessidade de autorização ou pagamento aos herdeiros, já seria um passo gigantesco para o aparecimento de novas edições. Isso também poderia motivar a publicação de obras ainda inéditas em português brasileiro, como o seu primeiro romance, Where Angels Fear to Tread.

O longo período sem lançamentos, especialmente dos romances, levou à cobrança de valores exorbitantes por livros do escritor. Basta fazer uma pesquisa online para se espantar com os preços altíssimos. 

É aquela velha história: o que nos resta é esperar. Neste caso, esperar que mais editoras sigam o exemplo da Ercolano e adquiram os direitos de publicação de obras de Forster no Brasil junto ao espólio legal do escritor. Sim, aquele copyright sempre presente no verso da folha de rosto, na mesma página da ficha catalográfica: The Provost and Scholars of King's College (O Reitor e os Acadêmicos do King's College). 

Enquanto isso, só podemos lastimar casos como estes a seguir, retirados de ofertas na Estante Virtual. Clique em cada imagem para acessar o anúncio correspondente.