Maurice (em espanhol e catalão);Pasaje a la India (em espanhol) / Viatge a l’Índia (em catalão);Aspectos de la novela (em espanhol).
Em espanhol
Maurice (em espanhol e catalão);Pasaje a la India (em espanhol) / Viatge a l’Índia (em catalão);Aspectos de la novela (em espanhol).
Em espanhol
O escritor britânico Giles De'Ath (John Hurt) passou tempo demais recluso entre seus livros. Certa vez, trancado para fora de sua própria casa, Giles acha refúgio da chuva em um cinema. Acreditando estar prestes a assistir à adaptação de uma obra literária, ele acaba entrando na sessão de uma comédia infanto-juvenil.Quando estava prestes a se levantar indignado com a baixa qualidade do filme, Giles De'Ath tem uma visão que o prende de volta na poltrona: o rosto de um jovem ator Ronnie Bostock (Jason Priestley). Impressionado com o rapaz, o viúvo Giles decide embarcar em uma jornada para descobrir mais sobre o dono daquela face, nem que se para isso tiver que aprender como usar um videocassete, comprar revistas adolescentes ou embarcar para Long Island.
A cena do protagonista estranhando o que vê e, finalmente, deduzindo que não está assitindo uma história de E. M. Forster sempre me faz sorrir, especialmente pelo tempo que ele leva para chegar a essa conclusão.
Uma romancista chamada Srta. Raby retorna ao vilarejo de Vorta, na Itália, sobre o qual escreveu seu primeiro livro, The Eternal Moment, e se depara com as mudanças acarretadas no local após o sucesso da obra. Suas decepções estão acompanhadas das reminiscências de uma experiência amorosa que ela teve naquele lugar.
A respeito do filme em si, posso dizer que gostei bastante quando assisti anos atrás. A história da fixação do escritor Giles De'Ath - em uma atuação impecável de John Hurt - pelo jovem e bonito ator Ronnie Bostock, prendeu minha atenção do início ao fim, com um humor muito agradável. O enredo, em certa medida, remete à obra A Morte em Veneza, de Thomas Mann.
No post de ontem, destaquei algumas ofertas nada animadoras de livros de E. M. Forster na Estante Virtual, que reúne livreiros e sebos de todo o país. Pelo valor módico de R$ 420,00, você pode adquirir Maurice, a edição de 2006 da editora Globo. Não é tentador? Dispensando a ironia, é um alento lembrar que temos a recente edição da Ercolano, que não costuma ser encontrada por preços considerados muito acessíveis, mas mesmo assim pode ser adquirida por um valor quatro vezes menor.
Sem dúvida, as edições da editora Globo são as mais raras e, por isso, têm os preços mais elevados. Por outro lado, ainda é possível encontrar obras publicadas pela Rocco, como A Mais Longa Jornada, por valores bem razoáveis.
Hoje é a vez de reunir ofertas mais auspiciosas, afinal, elas existem, exigindo apenas um garimpo mais apurado. Além de anúncios da Estante Virtual, também selecionei um do Sebo do Messias, que infelizmente não dispõe de muitas obras do escritor.
Estante Virtual
Sebo do Messias
Em 2025, a editora Ercolano preencheu uma lacuna importante com a publicação de uma nova tradução de Maurice no mercado editorial brasileiro. No entanto, quando falamos do legado literário de E. M. Forster no contexto nacional, muitas lacunas ainda precisam ser remediadas, infelizmente.
Antes de Maurice, no ano passado, o último livro de Forster lançado em nosso país havia sido O Ômnibus Celeste e Outros Contos, tradução de The Celestial Omnibus and Other Stories, em 2019. Quando falamos em romances, que são suas obras mais conhecidas, lá se vão 20 anos. Foi no longínquo ano de 2006 que a editora Globo concluiu a publicação de sua esmerada coleção forsteriana no Brasil, com Um Quarto com Vista, Howards End e Maurice chegando ao mercado.
Art. 41. Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos contados de 1º de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil.Parágrafo único. Aplica-se às obras póstumas o prazo de proteção a que alude o caput deste artigo.
O longo período sem lançamentos, especialmente dos romances, levou à cobrança de valores exorbitantes por livros do escritor. Basta fazer uma pesquisa online para se espantar com os preços altíssimos.
É aquela velha história: o que nos resta é esperar. Neste caso, esperar que mais editoras sigam o exemplo da Ercolano e adquiram os direitos de publicação de obras de Forster no Brasil junto ao espólio legal do escritor. Sim, aquele copyright sempre presente no verso da folha de rosto, na mesma página da ficha catalográfica: The Provost and Scholars of King's College (O Reitor e os Acadêmicos do King's College).
A editora nova-iorquina Union Square & Co., antiga Sterling Publishing, vai lançar uma nova edição de Howards End em 30 de março de 2027. O destaque fica para a capa, uma das mais belas que o romance já recebeu, em minha opinião. Geralmente, as ilustrações ou fotografias nas capas de Howards End não fazem jus à descrição de Forster e ao modo como imagino a casa de campo da família Wilcox, mas esta é uma exceção.
O lançamento integra a coleção Signature Editions e já pode ser comprado na pré-venda no site do Hachette Book Group, grupo editorial detentor da Union Square & Co., e em várias outras lojas online. A obra está disponível também em e-book.
O catálogo da editora tem mais E. M. Forster: A Passage to India, lançado em fevereiro deste ano e A Room with a View, publicado em 2024.
"Fui convidado a escrever um prefácio para esta nova edição da novela de E. M. Forster, de 1909, que de alguma forma prevê o que somos hoje como cultura e sociedade. Há anos que desenvolvemos um filme inspirado na obra de Forster."
Como podemos ver, a capa destaca que se trata da "história que inspirou o grande filme", se adiantando ao lançamento do longa. Como o próprio realizador informa, a produção está em desenvolvimento há anos, sem nenhuma previsão de estreia. Na página de Blackhurst no IMDB constam dois projetos vindouros e The Machine Stops não é um deles. Caso seja realmente lançada, será a primeira adaptação em longa-metragem do conto de Forster.
A adaptação está em processo de desenvolvimento, no mínimo, desde 2020. Em 04 de março daquele ano, pouco antes da declaração oficial de pandemia global de Covid-19, o site Deadline informou que a Witchcraft Motion Picture Company tinha dois projetos de ficção científica ganhando forma: Those Among Us e The Machine Stops. No entanto, nenhum dos dois saiu do papel até o momento.
O filme mais recente de Blackhurst é Dolly (2025), que chegou ao Brasil em maio deste ano com o título "Dolly: A Boneca Maldita".
Vou continuar acompanhando as possíveis novidades sobre esta adaptação, torcendo para que ela não tenha o mesmo destino desta anunciada em 2021 e que nunca viu a luz do dia.
O espetáculo foi idealizado pelo artista de teatro musical e compositor Cody Gerszewski, que também assina a música, letras e libreto. Com escalação de atores da Broadway, foi apresentado exclusivamente para profissionais do setor em 2024 e 2025, em Nova York. Nas duas ocasiões, a produção ficou a cargo de Scott Brusven, enquanto Katie Coleman assumiu a direção musical.
Seguiram-se algumas apresentações em formato concerto, com parte do elenco interpretando números específicos e trechos do musical em eventos em Nova York.
De acordo com o site de Cody Gerszewski, no momento os responsáveis pelo musical estão em busca de produtores, líderes e equipes de direção artística que possam ajudar a criar e aprimorar novas obras. Assim como A Passage to India, de Doug DeVita, sobre a qual falei recentemente, A Room with a View ainda não teve oportunidade de sair em uma série de apresentações por temporada, o que é uma pena.
Elenco:
Kaley Ann Voorhees: Lucy Honeychurch;Sean Seamus Thompson: George Emerson;Matthew Patrick Quinn: Sr. Emerson;Lara Hayhurst: Charlotte Bartlett;Robert Anthony Jones: Sr. Beebe;Ellen Harvey: Eleanor Lavish.Banda:Piano: Drew Wutke;Flauta: Victoria Carchietta;Violino: Adam von Housen;Violoncelo: Sarah Overton.
Em 20 de novembro, o The Morningside Institute, em Nova York, vai promover o seminário The Wish of the Machine: E.M. Forster and Technological Worship (O Desejo da Máquina: E. M. Forster e o Culto Tecnológico, em tradução livre). Os temas abordados serão "os impulsos religiosos dos tecnólogos de hoje e os usos da ficção distópica para discussões racionais sobre inteligência artificial".
O ministrante será Nathaniel Ijams, diretor de Operações do instituto e graduado em História pela Universidade de Columbia.
"A história de Forster prevê muito mais do que o avanço tecnológico. [...] A rede global é uma previsão notável; o alerta da história sobre a dependência dela é o que mantém o livro atual."
"Ao escrever que o homem está sendo 'estrangulado nas vestes que teceu', Forster implica que o domínio genuíno da tecnologia requer a capacidade de viver sem ela."
"Li devagar, sublinhando, desenhando estrelas, rabiscando anotações nas margens. Isso me permitiu perceber como Forster organizava os pontos da trama como peças de dominó bem próximas umas das outras. Agora eu também conseguia ver a importância estratégica do crescendo dramático que leva ao que alguns romancistas chamam de cena de fogos de artifício, que nas mãos de Forster transforma tudo, e que ocorre por volta dos 70% do livro, marcando o fim do longo segundo ato. Depois que percebi esse ponto de virada, ele me vinha à mente sempre que pensava no romance. O livro agora tinha uma forma, que se tornou uma espécie de recurso mnemônico visual, e a cena dos fogos de artifício evocava as cenas que a antecediam e as que a sucediam."
Há 114 anos, em 25 de outubro de 1912, E. M. Forster chegava à cidade de Aligarh, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. Era a sua tão sonhada primeira viagem à então colônia britânica.
Fonte: An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.
É notável a grande quantidade de primeiras edições de livros de E. M. Forster disponíveis para compra na internet. Basta uma pesquisa superficial para encontrar exemplares das primeiras tiragens dos romances, biografias, coleções de contos e ensaios.
Publicada pela Sidgwick & Jackson em 1911, esse exemplar contém apenas algumas manchas nas bordas das páginas e leve desgaste na lombada. É ou não é uma impressionante condição para um livro de mais de um século, que já deve ter passado por tanta coisa?
Pinturas & Ilustrações - Adicionada ilustração por G. S., para o The New York Times Book Review (1923).
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