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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Cecil Vyse Sugere [I]

Em A Room with a View (1985), Daniel Day-Lewis deu vida a Cecil Vyse.


Durante minhas pesquisas diárias sobre notícias e conteúdos relacionados a E. M. Forster sempre encontro novidades até certo ponto interessantes, mas não o suficiente para motivar um post avulso. Por isso, imaginei que seria uma boa ideia fazer posts ocasionais reunindo essas notas e informações breves. Espero que seja útil.

O nome da nova seção é Cecil Vyse Sugere simplesmente porque queria personalizá-la com uma figura forsteriana e deixar a coisa um pouco mais espirituosa. O esnobe Cecil não é nenhum grande exemplo, mas é uma figura bem singular em A Room with a View e, de certa forma, tem uma tímida redenção ou modificação positiva na sua despedida.  

Vamos, então, às sugestões do Sr. Vyse.


Em 20 de novembro, o The Morningside Institute, em Nova York, vai promover o seminário The Wish of the Machine: E.M. Forster and Technological Worship (O Desejo da Máquina: E. M. Forster e o Culto Tecnológico, em tradução livre). Os temas abordados serão "os impulsos religiosos dos tecnólogos de hoje e os usos da ficção distópica para discussões racionais sobre inteligência artificial".

O ministrante será Nathaniel Ijams, diretor de Operações do instituto e graduado em História pela Universidade de Columbia.

The Morningside Institute é uma organização sem fins lucrativos independente fundada em 2017, que promove debates sobre humanidades, artes e filosofia para estudantes universitários e recém-formados.




Falando em The Machine Stops, o conto distópico tem lugar garantido em duas listas publicadas nos últimos dias: 


"A história de Forster prevê muito mais do que o avanço tecnológico. [...] A rede global é uma previsão notável; o alerta da história sobre a dependência dela é o que mantém o livro atual."


"Ao escrever que o homem está sendo 'estrangulado nas vestes que teceu', Forster implica que o domínio genuíno da tecnologia requer a capacidade de viver sem ela."



No site da tradicional revista The American Scholar, a escritora Bonnie Friedman publicou um ensaio sobre uma mudança pessoal em relação à literatura: a capacidade de recordar do que leu mesmo após bastante tempo. Ela cita Howards End para exemplificar o momento de virada:

"Li devagar, sublinhando, desenhando estrelas, rabiscando anotações nas margens. Isso me permitiu perceber como Forster organizava os pontos da trama como peças de dominó bem próximas umas das outras. Agora eu também conseguia ver a importância estratégica do crescendo dramático que leva ao que alguns romancistas chamam de cena de fogos de artifício, que nas mãos de Forster transforma tudo, e que ocorre por volta dos 70% do livro, marcando o fim do longo segundo ato. Depois que percebi esse ponto de virada, ele me vinha à mente sempre que pensava no romance. O livro agora tinha uma forma, que se tornou uma espécie de recurso mnemônico visual, e a cena dos fogos de artifício evocava as cenas que a antecediam e as que a sucediam."

Vale a pena ler o ensaio completo: It’s All in Your Head, por Bonnie Friedman.




Inspirado pela recém-estreada adaptação de Sense and Sensibility, de Jane Austen, o site Comic Basics listou 15 filmes semelhantes ao longa. Entre eles, estão A Room with a View (1985) e Howards End (1992).







Pelo menos dois clubes de leitura internacionais estão lendo E. M. Forster. 

O primeiro é em Sirmione, uma pequena comuna italiana da região da Lombardia. E vejam só, o livro escolhido é The Machine Stops. O Sirmione Book Club English, como o próprio nome diz, dedica-se a obras em língua inglesa. A discussão do livro de Forster será em 12 de novembro, na Sirmione Public Library, quando a próxima leitura já será anunciada. 




O segundo é o Queer Book Club Houston, no Texas. Neste caso, haverá uma exibição limitada de Maurice (1987) no River Oaks Theatre em 01 de novembro, às 15h. Depois do filme, os membros do clube vão discutir o romance, às 18h, na Brazos Bookstore, a livraria independente mais antiga de Houston. 






Continuam saindo excelentes reviews da peça A Room with a View, em cartaz no Belvoir St. Theatre, em Sydney, sobre a qual falei dias atrás por aqui. Confira mais algumas: 




Para encerrar, uma imagem do filme A Handful of Dust (1988), baseado em obra de Evelyn Waugh, que assisti meses atrás. No Brasil, o longa recebeu o título Um Punhado de Pó. O elenco conta com quatro atores e atrizes que já atuaram em adaptações forsterianas: James Wilby (Maurice, 1987; Howards End, 1992), Rupert Graves (A Room with a View, 1985; Maurice, 1987; Where Angels Fear to Tread, 1991), Judi Dench (A Room with a View, 1985) e Alec Guinness (A Passage to India, 1984).


 Rupert Graves (John Beaver) e James Wilby (Tony Last) em cena de A Handful of Dust, lançado menos de um ano depois de Maurice (1987). | Foto: IMDB.


O filme de Charles Sturridge, que também dirigiu Where Angels Fear to Tread (1991), é excelente, com exceção do desfecho desesperador de Tony Last, personagem de James Wilby. Todavia, esse final é fiel à obra de Waugh, conforme minha pesquisa posterior.