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domingo, 14 de março de 2021

Goldsworthy L. Dickinson VII

A recepção crítica


primeira biografia escrita por Forster recebeu avaliações positivas calorosas, tanto da crítica especializada quanto de seus amigos. Comecemos com algumas apreciações daqueles considerados autoridades no assunto:

"Para mim, este é o melhor livro de Forster. O que mais poderia ser dito sobre ele?" - H. M. Tomlinson no News Chronicle.

“Um livro encantador: um livro que poucos homens de letras poderiam ter escrito, e que muitos homens vão querer ler” - Desmond MacCarthy no Sunday Times.

"O Sr. Forster fez o que eu pensava ser impossível, fez isso com penetrante simpatia, com a contenção que o próprio Goldie tanto valorizava, com uma intimidade encantadora, e sem uma única nota dissonante" - Lord Ponsonby no The Listener.

"Uma refinada biografia do brilhante publicista, poeta, humanista e perspicaz professor do King's College, Cambridge" - Percy Hutchison no The New York Times, 10 de junho de 1934. 


Miniatura da crítica de Percy Hutchison publicada no The New York Times em 10 de junho de 1934. 
Imagem: The New York Times Archives.


Outros críticos também não pouparam elogios: David Garnett na New Statesman, J. A. Hobson no Philosophy, F. L. Lucas na Cambridge Review e no Observer, Kingsley Martin no Political Quarterly e J. T. Sheppard no Spectator. W. H. Auden, que avaliou o livro em 1934 para o Scrutiny, também o considerou o melhor de Forster e no prefácio de Goldsworthy Lowes Dickinson and Related Writings, publicado quase 40 anos depois, revela que ao reler a obra percebeu que era ainda melhor do que ele lembrava. 

As avaliações negativas foram poucas. No Criterion, Montgomery Belgion publicou um famoso ataque ao escritor intitulado The Diabolism of E. M. Forster, em que deprecia a obra e afirma que Dickinson figura nela como “um homem com alguma confusão mental". Hugh Kingsmill, na English Review, considerou que Forster não chegou nem perto de revelar as virtudes do biografado:

“Se Lowes Dickinson foi realmente o melhor homem que já viveu, o Sr. Forster deve ser o pior de todos os biógrafos, pois das qualidades sublimes implícitas no elogio da Sra. Newman, o Sr. Forster não nos deu nenhuma pista." 


Refrescando a memória, a citada Sra. Newman, camareira de Dickinson, havia afirmado que ele foi "o melhor homem que já existiu", conforme mencionado no post E. M. Forster & Goldie.

Henry Stephens Salt. | Foto: Site Henry S. Salt.
No Vegetarian News, Henry Stephens Salt, considerado
o "pai dos direitos dos animais", citado por Forster no capítulo 08, The World of Matter (1884-1887), centrou sua crítica negativa em torno de uma observação de Dickinson sobre um abatedouro de gado em Chicago, presente no capítulo 14, The Truce (1926-1932). A referência a ele próprio também não o agradou: 

"O Sr. Forster me dedica uma dúzia de linhas que mostram com que incrível descuido essas memórias foram compiladas. Sou descrito, de maneira bastante incorreta, como tendo sido 'um mestre rebelde em Eton'; em seguida, assim como o Sr. Cox (que estava mais para meu subordinado) como um ímã para os “excêntricos”; e a impressão geral transmitida é que o domínio doméstico dos Cox, com seu povo agrícola de Kent, o estava desbastando junto com o meu. Essa história bastante enganosa é tirada, eu entendo, das 'lembranças não publicadas' de Dickinson, que, arrisco pensar, seria melhor que permanecessem inéditas." 


Forster acreditava que seus amigos mais jovens, como J. R. Ackerley, achariam seu livro antiquado, mas sustentou seus planos pois não queria "estar atualizado às custas de outras pessoas". Seu círculo de amigos, na absoluta maioria, apreciou profundamente a biografia. Um dos admiradores mais fervorosos foi Christopher Isherwood, que elogiou a obra em carta remetida diretamente das Ilhas Canárias, datada de 24 de agosto de 1934: 

"Eu estou perdido em admiração por sua pontaria no livro G. L. D., li quatro ou cinco vezes, e gosto cada vez mais."


Siegfried Sassoon foi ainda mais veemente em sua exaltação à obra, em carta para Forster de 17 de julho de 1934:

"Ninguém mais poderia ter feito isso, e o mundo será um lugar melhor quando, digamos, 5.000 pessoas atenciosas o tiverem lido. Isso apenas me fez ficar silenciosamente grato que 'Goldie' existiu e foi 'perpetuado' por E. M. F., cuja existência também torna um gra... mas estou ficando insuportável."


Na introdução de Goldsworthy Lowes Dickinson and Related Writings, Oliver Stallybrass garante:

"Em termos gerais, aqueles (a grande maioria) que amavam Dickinson, amaram a biografia de Forster, enquanto aqueles que se irritaram com ele, ficaram irritados também com o livro que o retratou com tanta simpatia."



Capas




Semana G. L. D.


Fontes de pesquisa da série de posts:
Letters between Forster and Isherwood on Homosexuality and Literature (2008), editado por Richard E. Zeikowitz;
A Great Unrecorded History: A New Life of E. M. Forster (2010), de Wendy Moffat;
The Cambridge Companion to E. M. Forster (2007), editado por David Bradshaw;
The Pink Plaque Guide to London (1986), de Michael Elliman e Frederick Roll;
E. M. Forster - Critical Assessments Volume IV (1998), editado por J. H. Stape;
E. M. Forster - Interviews and Recollections (1993), editado por J. H. Stape;
A Reading of E. M. Forster (1979), de Glen Cavaliero;
E. M. Forster - A Literary Life (1995), de Mary Lago;
E. M. Forster: A Life (1977-1978), de P. N. Furbank;
An E. M. Forster Chronology (1993), de J. H. Stape.

sábado, 13 de março de 2021

Goldsworthy L. Dickinson VI

 A Controvérsia ou Em Defesa de E. M. Forster


"Não tentei excluir fatos sobre ele com os quais não simpatizasse ou que pudessem diminuir sua reputação. Fazer isso seria prestar-lhe um péssimo elogio, pois não se importava em nada com sua reputação, nem se deslumbrava com a reputação dos outros. Ele admirava uma biografia não quando tratava do assunto com um espírito reverente, mas quando o tornava vivo." (trecho do prefácio do autor)

 

afirmação de Forster de que não suprimira fatos sobre Dickinson com os quais não simpatizava dificilmente pode ser questionada. Mas quando se fala em reputação, uma crítica recorrente à biografia pode ser trazida à baila. Aqueles eram tempos em que a sociedade considerava - e grande parte, irracionalmente, considera até hoje - a homossexualidade um demérito, uma nódoa. Ao não versar abertamente sobre a orientação sexual do amigo, o escritor excluiu um fato que diminuiria a reputação do biografado perante a maior parte do público, dado o contexto histórico de condenação ao "amor que não ousa dizer seu nome".  

Forster deve ser censurado por isso? Logicamente que não. Em carta de 10 de julho de 1932, menos de um mês antes de sua morte, o próprio Dickinson deixou bastante claro que não gostaria que tal questão fosse levada a público. Seu leal amigo, indiscutivelmente, respeitou tal desejo e trabalhou dentro das restrições determinadas pelo próprio biografado. 

"O que quero dizer é que estou enviando a autobiografia para Dennis Proctor, 5 Peel St, Church St, W.8. Mas eu gostaria que você, não ele, tomasse qualquer decisão sobre isso. Meu sentimento atual é que, se algo fosse publicado (sobre o qual não tenho nenhum julgamento), a parte do sexo deveria ser omitida. Não se pode confiar que as pessoas ainda (nem nunca) sejam decentes a respeito dessas coisas e, de qualquer forma, minhas relações ainda estão vivas. Lembre-se de que minhas irmãs não viram esta autobiografia e eu não desejo que vejam, exceto em uma forma bem censurada. Devo, infelizmente, deixar tudo isso a seu critério, mas talvez você também deva consultar Dennis, embora eu queira que a decisão final seja sua. Há outros MSS que pedi a May para lhe enviar, mas duvido que haja algo que deva ser publicado e você tem plena permissão para destruir ou fazer o que quiser."

Sir Philip Dennis Proctor, fotografado por Walter Bird
em 1949. | Foto: National Portrait Gallery, Londres.
Dennis Proctor (1905-1983) foi um membro do King's College, Cambridge, a quem Dickinson também confiou as já citadas Recollections. Mais de duas décadas depois, Forster forneceu a ele a totalidade dos escritos não publicados, sem restrições sobre sua publicação final. 

Apenas em 1973, mais de quarenta anos após a morte de Dickinson, sua autobiografia finalmente chegou aos olhos do público sob o título The Autobiography of G. Lowes Dickinson and Other Unpublished Writings. Na introdução, Proctor, o editor da obra, diz:

"Pode-se bem imaginar como ele [Forster] deve ter se irritado com a necessidade de descrever a vida de seu amigo sem mencionar o mais raro sobre ela, a experiência quase contínua ao longo de uma vida de amor apaixonado por outro ser humano, simplesmente porque o outro ser humano sempre foi alguém do mesmo sexo."


Em carta para J. R. Ackerley, de 10 de janeiro de 1933, Forster refletiu sobre seu próprio legado póstumo e fez breve referência às omissões: 

"Eu gostaria que alguém escrevesse sobre mim depois que eu morresse, mas eu iria querer que tudo fosse contado, tudo, e até agora há tão pouco. Goldie, mesmo condenado a omissões, parece ter bem mais."

Mas Forster realmente não faz nenhuma alusão, por mais implícita que seja, à homossexualidade de Dickinson? Sim, ele faz, e algumas delas não deixam margem para dúvidas: 


Bathing (1911), de Duncan Grant, amigo de E. M. Forster e integrante do Bloomsbury Group. | Imagem: Tate.

"Embora ele nunca tenha sido atraído por mulheres no sentido apaixonado, todas as suas emoções mais profundas sendo voltadas para os homens, sua vida teria sido vazia e sem conforto sem elas. Ele encontrou nelas - isto é, em algumas mulheres - uma paciência e uma nobreza não descobertas em outros lugares [...]" - capítulo 08, The World of Matter (1884-1887), parte 2. 

"Devotado a [Ferdinand] Schiller, mas constantemente separado dele, e em dúvida se sua devoção era correspondida, Dickinson sofreu por muitos anos de uma sensação de frustração que o sensível compreenderá" - capítulo 09, From Mysticism to Politics (1887-1893), parte 3. 


Neste trecho a seguir, Forster cita Dickinson diretamente: 

"Acho que poucos jovens ganharam menos de Paris do que eu. Pois para tirar alguma coisa disso, parece ser essencial abordá-lo pelo caminho das mulheres, e esse não era um caminho para mim. Eu me divirto, ao olhar para trás, ao lembrar de uma visita a um dos locais de dança (seria o Moulin Rouge?) e do meu tédio pelo pouco tempo que pude ficar. E também, como uma velha prostituta muito feia veio até mim uma vez, em algum restaurante, e começou a me acariciar. Eu simplesmente fugi." - capítulo 08, From Mysticism to Politics (1887-1893), parte 3. 


Oscar P. Eckhard em seu primeiro ano em Cambridge.
Foto: Autobiography of G. Lowes Dickinson, and Other
Unpublished Writings, Duckworth, 1973.
 
Neste outro, refere-se de forma velada a um dos relacionamentos amorosos de Dickinson. Ênfase também para a palavra sublimado:

"Mais ou menos na época da morte do pai, ele conheceu Oscar P. Eckhard, que então estava no King's. Com Eckhard, com sua mãe e com outros de sua família, ele permaneceu em contato até o fim de sua vida - na verdade, raramente pode ter havido uma vida em que tão pouco se perdesse. Muito precisava ser sublimado, mas esse era um processo que ele esperava e que facilitou o melhor que pôde. Quando ele olhou para trás, podia dizer com verdade que seus relacionamentos pessoais tinham sido duradouros, embora às vezes ficasse chocado com sua austeridade. Eles estavam enraizados em sua filosofia idealista. E a filosofia para ele não era apenas um assunto de estudo, era a fonte de toda conduta, como o era para seu homem ideal, o Sócrates platônico." - capítulo 10, The Socratic Method (1893-1914), parte 6.



Em A Great Unrecorded History: A New Life of E. M. Forster, Wendy Moffat descreve impecavelmente a engenhosidade de Forster ao lidar com as limitações impostas: 

"[...] O maior problema narrativo era que a vida de Goldie fora distorcida tanto pela sublimação sexual quanto pela renúncia sexual - e a causa dessa tensão dentro dele não poderia ser revelada na biografia. Assim, Morgan deu forma a um gênero inteiramente novo, uma biografia que era verdadeira, se não exatamente honesta. Em sua escrita, como em suas relações com Bob e May, ele começou a usar o silêncio criativo para contar uma história que teria sido totalmente destruída por ser rotulada ou nomeada. Assim como Adela Quested quando se sentiu diminuída quando concordou em se tornar a esposa de Ronnie - 'Ao contrário do pássaro verde ou do animal peludo, ela agora estava rotulada'. Ao compor Goldsworthy Lowes Dickinson, Morgan deixou espaço para seus leitores 'sensíveis' descobrirem a fonte da infelicidade de seu amigo. Trabalhando dentro das restrições estabelecidas pelo próprio Dickinson, Morgan foi bastante franco. Ele pintou o quadro de um sujeito que vivia inteiramente em um mundo de homens, que tinha amizades masculinas apaixonadas e nunca pensou em casamento."


Minha conclusão pessoal é que é injusta e equivocada a acusação de omissão deliberada da orientação sexual do biografado. Forster criptografou a homossexualidade de Dickinson quase inteiramente, mas em cumprimento à vontade do estimadíssimo amigo. 


Erotic Embrace (circa 1950), de Duncan Grant. | Imagem: Tate.


Semana G. L. D.
Post anterior: Tópicos anotados; 
Próximo post: A recepção crítica

sexta-feira, 12 de março de 2021

Goldsworthy L. Dickinson V

Tópicos anotados


nquanto lia Goldsworthy Lowes Dickinson, fiz várias anotações com o propósito de resumir a obra em tópicos. Compartilho-as a seguir.  

1. FAMILY

- Breve abordagem sobre os seus antepassados e a história de vida de seu pai, Lowes Cato Dickinson;
- O casamento dos pais e o nascimento dos filhos;
- A relação de Dickinson com seus pais, seu irmão e três irmãs; 
- A origem do nome Goldsworthy.


Lowes Cato Dickinson e Margaret Ellen Williams, os pais de Goldsworthy Lowes Dickinson.
Imagens: Wikimedia Commons e Geni. 

2. THE SPRING COTTAGE (1862-1872)

- A mudança para Spring Cottage, na cidade de Hanwell, pouco depois de seu nascimento;
- As recordações mais antigas de Dickinson, que são do período passado em Spring Cottage;
- Memórias da casa, do cotidiano e da babá Emma;
- As relações sociais na comunidade.

Goldsworthy Lowes Dickinson aos sete anos, retratado por seu pai em óleo sobre tela (1869).
 Imagem: National Portrait Gallery, Londres.

3. THE MISSES WOODMAN'S MORNING CLASS (1872-1874)

- A passagem pela escola das irmãs Woodman, a primeira de sua vida;
- Um "estabelecimento esnobe, consciencioso e inofensivo";
- Miss Woodman era "severa e irônica" e Miss Maria, "com uma expressão severa nos olhos, era violenta e feia";
- A religiosidade do pequeno Goldie, estimulada por sua mãe.

4. BEOMONDS (1874-1876)

Ernest Coleridge (1846-1920). | Foto:
National Trust Collections.
- A infeliz passagem pela escola preparatória em Chertsey, marcada por dificuldades de adaptação, bullying moral e conflitos internos;
- Lembranças de uma visita que E. M. Forster fez com Dickinson à essa escola;
- A avaliação do desempenho de Dickinson pelo diretor Ernest Coleridge; 
- A frustrada tentativa de deixar o colégio por intermédio de um cartão postal destinado aos pais.

5. CHARTERHOUSE (1876-1881)

- Reminiscências tristes e amargas da escola subsequente, na cidade de Godalming;
- "Charterhouse foi a mesma coisa que Chertsey, só que mais duradoura e pior";
- A amizade com dois outros estudantes igualmente impopulares, J. A. R. Munro e H. T. Bowlby;
- O despertar do interesse por teatro: "Em Charterhouse, a visita de uma Srta. Volkes desenvolveu nele uma paixão pelo palco que, diminuindo em interesse, foi mantida por toda a sua vida";
- O desenvolvimento dos dons musicais;
- Viagem à Suíça, a primeira para o exterior, com o pai e os irmãos Arthur e May.


Charterhouse School, em Godalming, Surrey (1923). | Foto: The Print Collector via Getty Images. 


Sala de aula em Charterhouse School, Godalming. | Imagem: Revista The Illustrated London News, volume XL, 1862.

6. CAMBRIDGE (1881-1884)

- O ingresso no King's College, Universidade de Cambridge, no outono de 1881;
- Uma fase feliz em que "pessoas, música, livros e paisagens" preenchem sua vida;
- "Aos 19 anos, seu desejo de servir à humanidade já era forte";
- Influência de dois professores: seu tutor, J. E. C. Welldon, que "exerceu sobre ele uma influência que ele não conseguia definir" e Oscar Browning, "quem tirou Dickinson das trevas de sete anos e o colocou no caminho certo";
- A morte da mãe, quando ele estava no final de seu primeiro ano em Cambridge (maio de 1882);
- A expansão de suas ideias e pensamentos, livrando-se de muitas amarras;
- Evolução no contato com Percy Bysshe Shelley, Johann Wolfgang von Goethe e Platão;
- Amizades com A. J. Grant, J. W. Graham, A. P. Laurie e G. R. Ashbee.


O King's College visto do rio Cam em cartão-postal não datado. Destaque para o Gibbs Building, à direita da capela, onde Dickinson viveu muitos anos. | Foto: King's College Archive Centre.

7. SHELLEY, PLATO, GOETHE

- O interesse e dedicação a Percy Bysshe Shelley, Platão e Johann Wolfgang von Goethe. A maior influência, sem sombra de dúvida, é de Shelley: "Shelley de repente me agarrou; Não como poeta, mas como um visionário sobre a vida. [...] De todos os homens de letras, ele é, eu acho, o mais amável, humano e genuíno";
- O início da escrita de poemas, por influência de Shelley. O primeiro foi Doubt;
- Em 1884, ganhou a Medalha do Chanceler por um poema sobre Girolamo Savonarola, frade dominicano italiano do século XV;
- "Ele escreveu poesia posteriormente, mas como um veículo para suas emoções particulares e, severamente autocrítico, ele optou por não dar muito para o mundo";
- Após se formar em Cambridge, viaja à Alemanha com G. R. Ashbee, onde tem experiência epifânica;
- Recebe bolsa de estudos no King's College em 1887, com uma dissertação em que as doutrinas de Platão e Plotino são comparadas e harmonizadas;
- Por volta de 1890 em diante, suas preocupações se voltam para educação, política e conduta. 


Shelley imortalizado pela Srta. Curran, Platão em detalhe de The School of Athens, afresco de Raphael, e Goethe retratado por Joseph Karl Stieler (1828). | Imagens: Culture Club via Getty Images, Wikimedia Commons e DeAgostini via Getty Images. 

8. THE WORLD OF MATTER (1884-1887)

- Período de inquietação e indecisão quanto ao futuro;
- Temporada em Craig Farm, fazenda do professor e futuro parlamentar Harold Cox; 
- Reminiscências dos Gibbs, uma família de trabalhadores rurais;
- Palestras mal sucedidas ministradas durante o inverno de 1885-1886 em vários centros provinciais sob o programa de Extensão Universitária. Os temas eram Thomas Carlyle, Ralph Waldo Emerson, Oscar Browning e Alfred Tennyson; 
- Amizades com Edward Carpenter e com a Sra. Webb, esposa do reitor de Mansfield Woodhouse;
- Férias no País de Gales, onde sozinho escalou Snowdon, a montanha mais alta do país. Saiu de lá decidido a fazer medicina para ajudar a humanidade;
- O curso é financiado por seu pai por quatro anos, mas, sem vocação, não segue carreira;
- Início da amizade com Roger Fry na faculdade de Medicina. 


Sozinho, Dickinson escalou Snowdon, a maior montanha no País de Gales, aqui ilustrada por William Turner | Imagem: National Galleries Of Scotland / Getty Images. 

9. FROM MYSTICISM TO POLITICS (1887-1893)

- Descrição dos edifícios Gibbs e arredores, no King's College, onde Dickinson passou a maior parte de sua vida acadêmica;
- "Quatro pontos principais podem ser observados. Em primeiro lugar, há o desenvolvimento de sua vida privada - afetuosa, emocional, disciplinada, idealista. Em segundo lugar, conectada a isso, está sua produção poética. Em terceiro lugar, há uma mudança de atitude em relação ao mundo, que o afasta de Plotino e do misticismo e em direção a Hegel e a política. Em quarto lugar, conectado com este último, vêm suas primeiras publicações em prosa";
- A amizade com Roger Fry, cuja companhia constante foi interrompida quando o amigo pintor se apaixonou;  
- Conflitos pessoais acerca do seu interesse por arte e viagem com Roger Fry para Paris;
- Memórias de Dickinson a respeito de seus amigos John McTaggart, Nathaniel Wed e Ferdinand Schiller; 
- Seu primeiro livro oferecido ao grande público, From King to King (1891), trata sobre a Revolução Puritana em uma série de cenas em prosa e verso. A obra não despertou interesse no público;
- Produção poética para circulação privada bem recebida em 1896;
- Sua habilidade para a música, especificamente piano. "Todos concordam que, para um amador, seu desempenho foi notável" Problemas de saúde o impediram de prosseguir;
- Sob a orientação de McTaggart, lê e estuda Hegel;
- Reflexões sobre as publicações de Revolution and Reaction in Modern France (1892) e The Development of Parliament in the Nineteenth Century (1895).


Reunião festiva em Gersau, Suíça, 1888. Na fileira de trás, da esquerda para a direita, estão Goldsworthy Lowes Dickinson, Roger Fry, Ferdinand Schiller e John McTaggart. | Foto: Livro The autobiography of G. Lowes Dickinson, and Other Unpublished Writings, Duckworth, 1973.

10. THE SOCRATIC METHOD (1893-1914)

- No outono de 1892, a não renovação de sua bolsa em Cambridge e a imediata nomeação ao cargo de bibliotecário, com bolsa;
- A nomeação a professor universitário de Ciência Política em 1896, também com auxílio. Em 1920, recebeu uma bolsa de pensão, mantida por toda a vida; 
- Durante esse período, Sócrates é seu mestre;
- "Sua disciplina oficial no King's era Ciência Política [...] e ele continuou nela dois mandatos por ano, desde sua nomeação em 1896 até 1920, quando renunciou ao cargo de professor"
E. M. Forster por volta de 1900/1901, em Cambridge.
Cerca de dois anos antes, ele havia conhecido Dickinson.
Foto: King's College Archive Centre.
- No mesmo período, lecionava na London School of Economics, onde suas palestras eram basicamente uma repetição dos cursos ministrados em Cambridge; 
- Relato de E. M. Forster sobre a ocasião em que conheceu Dickinson;
- A Discussion Society fundada por Dickinson, da qual Forster participava;
- A relação de Dickinson com Cambridge e suas visões da universidade;
- Em 1903, a convite do Professor Marshall ajudou a formar o novo Economics Tripos, tornando-se primeiro secretário do Conselho Econômico;
- Visões de Dickinson sobre as mulheres: "Havia algumas mulheres a quem ele era devotado e algumas a quem teria confiado o destino da humanidade, mas ele não era um feminista realmente digno de crédito. Ele achava que os homens em geral são superiores";
- O primeiro de seus livros maiêuticos, The Greek View of Life (1896), faz sucesso na Inglaterra e nos Estados Unidos. Três anos depois de publicá-lo, ele visitou a Grécia;
- Publicação de A Modern Symposium (1905);
- A fundação da revista mensal The Independent Review. O primeiro número apareceu em outubro de 1903 e o principal objetivo da publicação era político;
- Convicções de Dickinson sobre religião, eutanásia e imortalidade;
- Com a morte do pai no inverno de 1908, ele assume responsabilidade familiares;
- Os rumos da família após a morte do patriarca.


11. AMERICA, INDIA, CHINA

- Em 1903, Dickinson faz viagem de 3 meses aos Estados Unidos, onde visita o irmão Arthur e ministra palestras. Não tem uma boa impressão do país;
- A segunda viagem aos EUA foi em 1909, com uma agenda bem mais cheia; 
- Amizade com o americano Russell Loines;
- Retorno à Inglaterra e publicações na English Review;
- Um dos resultados das turnê americana foi uma peça em quatro atos, Business, encenada na Inglaterra com moderado sucesso;
- Recordações da viagem de Dickinson, E. M. Forster e R. C. Trevelyan à Índia;
- Viagem à China, país que Dickinson "havia adorado de longe por anos";
- A publicação das primeiras quatro Letters from John Chinaman na Saturday Review e o posterior lançamento do livro;
- Carta para E. M. Forster diretamente da China, com suas opiniões sobre o país;
- Relato de acidente com Dickinson, quando ele caiu de um pônei e fraturou a base do crânio;
- Viagem ao Japão;
- Retorno à Inglaterra no outono de 1913. "A Índia fora impressionante, o Japão encantador, mas a China manteve seu coração".

12. THE WAR AND THE LEAGUE (1914-1926)

- Reação de Dickinson à Primeira Guerra Mundial, marcada por condenação ao conflito, desilusão e melancolia;
- Permanência na Inglaterra durante o conflito, com exceção de duas viagens à Holanda e à América;
- Continuidade do trabalho em Cambridge, com palestras duas vezes por semana. "Mas minha classe era naturalmente composta quase inteiramente por mulheres. Cambridge havia se tornado um hospital e um campo";
- A concepção da Liga das Nações e a constituição formal da Sociedade da Liga das Nações em 3 de maio de 1915;
- Turnê de palestras na América em janeiro de 1916 com o propósito de pleitear pela paz;
A primeira edição de The International Anarchy (1926).
Foto: AbeBooks.

- Ao retornar à Inglaterra, ele continuou a trabalhar com a Sociedade da Liga das Nações,
- A fusão da Liga das Nações com a Associação da Liga das Nações Livres, resultando na União da Liga das Nações;
- Torna-se membro do conselho executivo da União da Liga das Nações, mas logo renuncia;
- Publicações sobre a guerra: The War and the Way Out (1914) e After the War (1915), The Choice before Us (1917), entre outras;
- Torna-se um jornalista prolífico, com muitas publicações no Manchester Guardian;
- Evolução do ânimo com o fim da guerra. "As pessoas que ele mais amava estavam de volta, e a Liga das Nações parecia começar bem em Genebra";
- Publicação de The Magic Flute, "o mais original de todos os seus livros, senão o mais perfeito", em 1920;
- Resumo de War and Peace, peça de versos jamais publicada; 
- Anos infelizes após 1919, marcados pela falta de um trabalho definido;
- Morte de sua irmã Janet, gravemente adoecida desde o outono de 1923;
- Apesar de divergências, desilusões e conflitos com os caminhos da Liga, Dickinson permaneceu a serviço da União da Liga das Nações;
- Em 1926, The International Anarchy é publicado e o período final de sua vida começa.

13. THE INTERNATIONAL ANARCHY (1926)

- "A guerra, para Dickinson, não terminou com o Tratado de Versalhes, mas com a publicação de The International Anarchy. Essa foi a data em que ele estabeleceu uma trégua em seu próprio coração";
- Em 1927, ele conclui outra obra notável, a versão principal de suas Recollections.

14. THE TRUCE (1926-1932)

Dickinson em 1931, um ano antes de sua 
morte. | Foto: National Portrait Gallery.
- Recordações de E. M. Forster a respeito dos aposentos no Gibbs Building, em Cambridge, que Dickinson ocupou nos últimos vinte anos de sua vida. "[...] lembro-me deles como o conjunto de faculdade mais bonito que conheci, bem como o mais amado";
- Hábitos e manias de Dickinson no dia a dia;
- Suas atividades no King's College nessa altura da vida; 
- "Todos os livros escritos durante esses anos de descanso têm raízes em um mundo anterior à guerra";
- Pincelada no seu trabalho como locutor de rádio;
- Características das cartas escritas por Dickinson;
- Cartas para amigos, entre eles E. M. Forster.

15. THE LAST MONTHS (JUNE-AUGUST 1932)

- Relato sobre um jantar com grupo de amigos de Cambridge no verão de 1932, em que Dickinson "introduziu uma nota de despedida";
-  Impressões de duas pessoas presentes na ocasião;
- Morte de Dickinson em 03 de agosto de 1932;
- Os serviços fúnebres na capela do King's College, Cambridge, e em Londres.

EPILOGUE

- Diálogo imaginado entre Mefistófeles e E. M. Forster sobre os motivos para biografar Dickinson, o que suscita uma avaliação final da vida do amigo;
- Visão final de Forster a respeito de seu amigo e legado;
- "Meu amigo era amado, carinhoso, altruísta, inteligente, espirituoso, charmoso, inspirador".


A capela do King's College, Cambridge, em 1913, fotografada por Reinhold Thiele. | Foto: Ullstein Bild via Getty Images.




A edição que li é intitulada Goldsworthy Lowes Dickinson and Related Writings (capa ao lado) e foi publicada pela Edward Arnold em 1973, mesmo ano em que finalmente saiu The autobiography of G. Lowes Dickinson, and Other Unpublished Writings. Contém prefácio de W. H. Auden e introdução do editor Oliver Stallybrass, além de sete apêndices: 

- G. L. Dickinson: A Tribute, by E. M. Forster (G. L. Dickinson: Um Tributo, por E. M. Forster);

- A Great Humanist: E. M. Forster on Goldsworthy Lowes Dickinson (Um Grande Humanista: E. M. Forster sobre Goldsworthy Lowes Dickinson);

Forster’s Preface to The Greek View of Life (Prefácio de Forster para The Greek View of Life);

- Forster’s Introduction to Letters from John Chinaman and Other Essays (Intodução de Forster para Letters from John Chinaman and Other Essays); 

Pilgrim’s Progress: Forster’s Review of The Magic Flute (Pilgrim’s Progress: Crítica de Forster de The Magic Flute);

A Broadcast Debate: Forster’s Review of Points of View (Um Debate no Rádio: Crítica de Forster de Points of View);

- Beatrice Webb on Goldsworthy Lowes Dickinson (Beatrice Webb sobre Goldsworthy Lowes Dickinson).


quinta-feira, 11 de março de 2021

Goldsworthy L. Dickinson IV

O prefácio do autor


Dickinson aos 23 anos, em Cambridge, mais de uma década antes de Forster chegar ao 
King's College. Fotografia de F. Hollyer publicada no livro de fotos dos Apostles. 
Fonte: King's College Archive Centre. 



ssim como fiz no post de Alexandria: A History and a Guide, o primeiro da série sobre livros de E. M. Forster ainda inéditos em português, opto por publicar o prefácio assinado por Forster traduzido e na íntegra. 

Os prefácios do escritor geralmente são tão essenciais e ricos que a missão de pinçar apenas alguns trechos é deveras ingrata. Por isso, o melhor é apreciar tudo o que ele tem a nos dizer neste texto preliminar.


Prefácio do autor

Durante os últimos doze anos de sua vida, Dickinson escreveu uma série de matérias autobiográficas. Ele me disse que não seria publicado na íntegra, mas poderia ser usado a meu critério, portanto, usei-o ao escrever este livro. Será referido sob o título geral de Recollections; na verdade, todas as citações podem ser assumidas como provenientes dessa fonte, quando não são atribuídas de outra forma. Também trabalhei parte das Recollections na substância da narrativa; por exemplo, os detalhes sobre sua infância e seus vários estados de espírito não são palpites meus, mas dependem de sua autoridade.

Quão boa é essa autoridade? Até que ponto se pode confiar em um homem para revisar seu próprio passado? Sempre se deve desconsiderar algo e, no caso de Dickinson, devemos descartar um fino véu de melancolia que se interpôs entre ele e o papel assim que se sentou para escrever. Ele estava ciente disso e tentou neutralizá-lo, e esse é, eu acho, seu único defeito como biógrafo automático. Pois, quando tentou olhar para trás, estava no auge de seu poder como escritor de prosa; sua mente estava ativa e clara, sua visão destemida e humana; concentrado na verdade, ele nunca se exaltou e até mesmo resistiu à tentação mais agradável da autodepreciação. Tal amplitude de perspectiva teria sido impossível para ele em seus dias pré-guerra, tal distanciamento teria sido impossível durante a guerra.

Depois das Recollections, minhas principais fontes foram suas cartas, algumas das quais li graças à gentileza de sua família e amigos. Ele não era, em minha opinião, um grande escritor de cartas, mas sempre fornece pontos de vista interessantes, frases concisas, informações relevantes, e eu as cito com frequência. Seus livros também ajudaram, e embora eu não tenha tentado uma crítica detalhada deles, referi-me a todos eles de passagem, e também descrevi o conteúdo de suas obras impressas em particular e de alguns manuscritos não publicados. A maioria de seus livros são agora publicados pelos Srs. Allen & Unwin. The Greek View of Life deve ser obtida dos Srs. Methuen, Goethe e Faust dos Srs. Bell, The Life of McTaggart da Cambridge University Press. From King to King e The Development of Parliament during the Nineteenth Century estão esgotados.

Não tentei excluir fatos sobre ele com os quais não simpatizasse ou que pudessem diminuir sua reputação. Fazer isso seria prestar-lhe um péssimo elogio, pois não se importava em nada com sua reputação, nem se deslumbrava com a reputação dos outros. Ele admirava uma biografia não quando tratava do assunto com um espírito reverente, mas quando a tornava viva. Eu gostaria de adotar seu próprio padrão aqui. Eu gostaria de fazê-lo viver para pessoas que nunca o conheceram pessoalmente, e para quem sua voz, quando ele transmitia, era às vezes o primeiro indício de sua existência. É para o público em geral, e não para seus amigos (que dispensam palavras minhas) que escrevo este livro e, por essa razão, ele será mais frequentemente referido como 'Dickinson' do que como 'Goldie'. Ele não era apenas inteligente, afetuoso, charmoso, notável; ele era único. Mas como isso pode ser transmitido?

Eu o conhecia há trinta e cinco anos, e o conhecia bem há vinte, então me senti qualificado para escrever sobre ele do ponto de vista pessoal e talvez literário. Mas aí terminam minhas qualificações. Não posso discuti-lo nem como filósofo nem como publicista, e essas seções do livro estão fadadas a ser insatisfatórias. Na verdade, pensei em pedir a outros que as empreendessem e que tratassem, em particular, de seu trabalho na Liga das Nações. Mas parecia melhor que uma pessoa estivesse no comando, por mais óbvias que fossem suas limitações. A colaboração leva à perfeição, mas não à consistência, e é somente por meio da unidade de tratamento que a unidade subjacente de Dickinson pode ser enfatizada.

A disposição do livro foi um tanto problemática, pois sua vida não foi dramática e não se divide em períodos fortemente marcados. Busquei uma narrativa, mas uma narrativa hesitante, interrompida pelo capítulo 11 (seus interesses extra-europeus) e, em certa medida, pelo capítulo 7. Tentei escrever de forma simples. Alguns de seus amigos, que não conhecem línguas estrangeiras, sugeriram que as citações deveriam ser traduzidas, mas eu não queria interromper o fluxo de sua prosa e acho que as poucas palavras em grego, latim, francês e alemão presentes serão explicadas por seus contextos.

Em primeiro lugar, devo agradecer às irmãs dele, Srta. May Lowes Dickinson e Sra. Lowes. Embora a responsabilidade pelo livro seja minha, ele não teria sido iniciado sem a sua aprovação e não poderia ter sido concluído sem a ajuda delas. Em segundo lugar, desejo agradecer ao Reitor e aos Membros do King's College, em Cambridge. Ofereceram-me todas as facilidades possíveis e, neste contexto, gostaria de agradecer em particular ao Sr. R. E. Balfour, membro do College, pela sua bibliografia. O Sr. Balfour prestou um serviço duradouro aos futuros alunos. Em terceiro lugar, um agradecimento especial é devido aos principais editores de Dickinson, Srs. Allen & Unwin, pela ajuda que deram tão voluntariamente. Em quarto lugar, vem a lista de quem emprestou cartas, forneceu informações, deu fotografias e ajudou de outras formas, uma lista que inclui os nomes de:

Sr. H. G. Alexander, Lorde Allen de Hurtwood, Sr. e Sra. C. R. Ashbee, Sr. Julian Bell, Sr. E. K. Bennett, Sr. Bernhard Berenson, Sra. Bridges (para Robert Bridges), Sra. O. W. Campbell, Sr. H. Corner, Sr. J. J. Darling, Lord Dickinson, Sr. Bonamy Dobree, Sr. O. P. Eckhard, Sr. Leonard Elmhirst, Sr. C. R. Fay, Sr. Elliott Felkin, Professor Roger Fry, Professor A. J. Grant, Sr. Gerald Heard, Sra. E. B. C. Lucas, Sr. Edward Marsh (para Rupert Brooke), Sr. Kingsley Martin, Sr. J. H. Mason, Sr. R. J. G. Mayor, Professor H. O. Meredith, The Misses Moor (para Sra. Moor), Lady Ottoline Morrell, Sr. J. A. R. Munro, Sra. Newman, Sr. Robert Nichols, Lord Passfield, Lord e Lady Ponsonby, Sr. Dennis Proctor, Sr. D. H. Robertson, Sr. D. K. Roy, Sra. C. P. Sanger (e para C. P. Sanger), Sr. Peter Savary, Sr. F. N. Schiller, Professor G. C. Moore Smith, Sr. Dominick Spring-Rice, Srta. Melian Stawell, Sr. Cecil Taylor, Sr. N. Teulon-Porter, Srta. Cecilia Townsend. Sr. e Sra. R. C. Trevelyan, Sr. Stanley Unwin, Srta. Webb (para Sra. Webb), Sr. N. Wedd, Sr. H. G. Wells, Coronel E. J. Wighton, Sr. e Sra. Leonard Woolf, Professor W. Perceval Yetts.


E. M. F. 

 


A publicação


oldsworthy Lowes Dickinson foi publicado na Inglaterra em 19 de abril de 1934, pela editora Edward Arnold. As cópias foram impressas por Walter Lewis, via Cambridge University Press. Lewis foi o tipógrafo mestre da Universidade de Cambridge entre 1923 e 1945. Já nos Estados Unidos, o lançamento ocorreu em Nova York, em 07 de junho do mesmo ano, pela editora Harcourt, Brace & Co.

Na Inglaterra, a segunda tiragem saiu ainda em 1934 e uma edição mais barata e acessível foi lançada em 1938. 

A primeira edição foi publicada com uma sobrecapa que trazia uma fotografia de Dickinson com seu habitual boné chinês. Na parte posterior, os títulos dos cinco romances de Forster publicados até então e Aspects of the Novel foram listados e acompanhados de breves avaliações críticas. Por baixo dessa sobrecapa, o leitor se deparava com um volume azul com letras douradas na lombada. 



 

Imagens: Jonkers Rare Books. 


E. M. Forster dedicou a obra a Fratrum Societati, fazendo menção tanto à Discussion Society, sociedade fraterna fundada por Dickinson da qual ele também fez parte, quanto à própria ideia de fraternidade. 




Imagens: Catawiki.


O livro conta com fotografias que retratam Dickinson desde a infância até um ano antes de sua morte, além de um retrato pintado por seu amado Roger Fry em 1925 e uma fotografia do Gibb's Building, onde ele morou durante grande parte de sua vida acadêmica no King's College. Há também reproduções de uma carta para Julian Bell datada de 1930 e de um manuscrito para uma sequência de soneto. Confira as nove imagens abaixo, na ordem de publicação no livro:







Semana G. L. D.
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