E. M. Forster faleceu em 07 de junho de 1970. No dia seguinte, despontou um mistério que seria solucionado somente em 2026, 56 anos depois: que fim levou a placa com o nome do escritor que ficava afixada na porta dos seus aposentos no King's College, em Cambridge? Ela estava parafusada lá havia 24 anos e simplesmente sumiu.
"Quando eu estava na escola secundária, um dos poucos textos em inglês que eu gostava de ler era o conto The Machine Stops, de E.M. Forster. Quando entrei para o King's College, descobri que o Sr. Forster residia lá e comprei um exemplar de sua coletânea de contos. Certa tarde, o abordei enquanto ele estava sentado no Webb's Court e pedi que autografasse o livro, o que ele fez com a maior cortesia. O livro continua sendo um tesouro para mim.
Após meus exames finais, no início de junho de 1970, passei uma noite - ou várias - no bar da faculdade com amigos. 'Afogando as mágoas' talvez descreva bem o clima. Mencionamos que o Sr. Forster tinha acabado de falecer e, de forma um tanto irracional, surgiu um plano para preservar a placa da porta do quarto dele para a posteridade. Para ser completamente honesto, não tenho certeza se essa era a nossa maior preocupação. Como num passe de mágica, uma chave de fenda adequada apareceu e a placa da porta foi removida.
Depois da formatura, voltei para casa e levei comigo, para minha surpresa, a placa da porta do quarto do Sr. Forster. Nos 55 anos seguintes, ela ficou guardada em várias caixas etiquetadas como 'Lembranças', foi transferida de casa em casa e raramente viu a luz do dia. Finalmente, tendo a oportunidade de revisitar a faculdade, consegui encontrar e devolver a placa, orgulhoso por tê-la preservado por tanto tempo e grato por ela ter sido aceita sem questionamentos."
Segundo ela, Forster se sentia em casa no King’s College, que tem “uma longa tradição de tolerância à homossexualidade, que remonta ao século XIX”. Embora a homossexualidade fosse ilegal na época, outros membros do corpo docente eram abertamente gays. “Assim como foi para Alan Turing, a faculdade era um lugar onde as pessoas gays se sentiam confortáveis e acolhidas – tenho certeza de que esse é um dos motivos pelos quais Forster veio para cá."
Zeeman destacou ainda que ele não dava aulas, preferindo “estar em seus aposentos e na comunidade acadêmica” e que o escritor “tinha um quarto com vista”.
Os antigos aposentos de Forster, de três cômodos, agora formam a Suíte de Pós-Graduação, que oferece um espaço de convivência e estudo para estudantes. Uma cornija, projetada por seu pai, ainda circunda uma lareira revestida de azulejos verdes, e uma estante de livros que outrora lhe pertenceu fica do lado oposto.
Após a devolução da placa, a União de Estudantes de Pós-Graduação da KCGU votou para renomear os aposentos como "E. M. Forster Suite" e assim foi feito no aniversário de morte do escritor. Àquela altura, o plano, de acordo com Nicolette Zeeman, era exibi-la em algum lugar perto da porta, provavelmente afixada na parede. Infelizmente, não consegui encontrar uma foto recente do local.
"Nada é completamente seguro, mas acho que é um risco que vale a pena correr”. Concordo com ela e nos resta torcer para que a placa continue lá por muitos anos.






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